Este é um texto que começo a produzir sem saber aonde serei levada. Por mais corda-bamba que seja, textos assim não são tão comuns no meu dia a dia, principalmente quando sei que tais palavras poderão alcançar muitas pessoas. No entanto, me lembrei de um ensino que ouço desde muito cedo: "o mal tentará derrubar você através de sua maior fraqueza, e é vencendo em Cristo que sua maior fraqueza se transformará em testemunho de renovação". É por isso que no auge de mais uma inconstância espiritual, meu maior desafio na caminhada de fé, decidi produzir novamente.
Sei que o estado de inconstância é um dos maiores males que nos perturbam e perturbam nossos irmãos em Deus. É difícil saber quando ela virá nos atrapalhar, e muitas vezes sequer nos reconhecemos capazes de impedi-la; somos humanos, e por isso somos imperfeitos, e por isso somos fracos. Todas as batalhas são duras e em todas elas corremos grandes riscos, sobretudo espirituais. Acontece que o enfrentamento se torna especialmente dolorida quando travada frequentemente; como persistir no estudo da Palavra e na vida de oração se todas as minhas tentativas se arrefecem em semanas, às vezes em dias? Como acreditar que meus "modelos espirituais" (padres, pastores, youtubers etc.) lutam as mesmas lutas que eu, se eles não parecem parar como eu paro? Como me inspirar e me sustentar em Cristo, se tudo o que me aproxima d'Ele envolve renúncias, escolhas duras e resistência/persistência, justamente por isso me causando cansaço e me levando a não continuar tentando? Como dedicar tempo e esforços a Deus,  se meu trabalho, minha escola, minha faculdade e todos os meus outros compromissos também demandam que eu lhes dedique tempo e esforços - como me dividir em tantas versões, como deixar tantas cobranças em dias?
Por esses dias me deparei com uma passagem que me fez pensar um pouco sobre o que ando fazendo pela minha vida espiritual. Trata-se de Marcos 12, 41-44:
"Jesus sentou-se perto da caixa de ofertas do templo  e ficou observando o povo colocar o dinheiro. Muitos ricos contribuíram com grandes quantias. Então veio uma viúva pobre e colocou duas moedas pequenas.
Jesus chamou seus discípulos e disse: 'Eu lhes digo a verdade: essa viúva depositou na caixa de ofertas mais que todos os outros. Eles deram uma parte do que lhes sobrava, mas ela, em sua pobreza, deu tudo o que tinha".
Os ricos, ao darem uma parte de seus altos lucros, fizeram pouco ou nenhum sacrifício, enquanto a pobre viúva, em sua humildade, tendo tão pouco para si e para dar, ofertou tudo o que tinha, sem reter coisa alguma para si. Sinto que isso quase nada tem a ver com dinheiro de fato; trata-se, em verdade, de nossas ofertas espirituais a Deus. Se deixamos para oferecer apenas o esforço que nos sobra, o tempo que nos sobra, as chances que nos sobram, reteremos para nós (ou para outros quaisquer) a maior parcela de nossas possibilidades, entregando a Cristo apenas aquilo que não nos faria falta, por isso mesmo qualificado como "sobra", restos - qualquer coisa sem grande importância. No entanto, ao percebemos que todo a nossa vida, todos os nossos projetos, nossos quereres, nossos amores e nossas raivas, toda a nossa existência deve ser verdadeiramente entregue aos desígnios de Jesus para que, de fato, absolutamente nada fique sob o jugo da nossa imperfeita condição - tudo de nós deve ser orientado, guiado e lapidado pelas mãos de nosso Pai. E isso me parece ter muita relação com a inconstância, pois acredito que a maior causa dela seja o conflito de prioridades. Quantas vezes fomos criticados, até mesmo por nossa família, pela quantidade de tempo que dedicamos aos serviços na igreja? Quantas vezes deixamos a oração da manhã 'para depois' por acordamos atrasados ou por termos um compromisso mais cedo que o habitual? Quantas vezes poderíamos ter feito, a caminho do trabalho, uma reflexão sobre um versículo bíblico de duas linhas - mas preferimos ouvir uma música qualquer para espairecer e relaxar o cérebro?
Não quero dizer com isso que precisamos preencher todas as horas do nosso dia com orações, estudos e pregações baixadas do Youtube a serem ouvidas nos ônibus e metrôs da vida. Precisamos, sim, de entretenimento, tempo livre, tempo com nossos familiares e amigos, tempo para nós mesmos. Mas, se decidimos de fato viver com Cristo, para Cristo, por Cristo e em Cristo precisamos também assumir e respeitar compromissos verdadeiros com Ele. Acima de todos os nossos amores precisar estar o amor de Deus por nós e nosso amor por Deus. Você ama verdadeiramente seus pais e seus irmãos porque, antes de amá-los, ama a Deus acima de tudo. Você honra seu esposo e é fiel a ele porque, acima de tudo, honra a Cristo e a Ele você é fiel. Você renuncia às artimanhas do pecado e se afasta de certos ambientes e de certas relações porque, acima de tudo, você prima pela pureza de alma e de coração a que Jesus lhe chama. Deus é a minha maior prioridade? Se sim, mesmo quando a minha vontade de orar for igual a zero, orarei, pois honrá-Lo e glorificá-Lo será um desejo mais forte que todas as minhas resistências; a insistência em tempos de deserto se tornará hábito e o hábito se tornará necessidade, pois a intimidade com Jesus é alcançada e conquistada, ou seja, é necessário buscá-la.
Contudo, se Deus ainda não é a minha prioridade, preciso entender se eu verdadeiramente O conheço e se verdadeiramente entendo a relevância que Ele tem para a constituição de tudo o que existe e de tudo o que sou; tal entendimento se conquista através de estudos e de reflexões, através de aconselhamentos feitos por pessoas preparadas e confiáveis e, acima de tudo, pela concessão de fé  que Deus me dá quando vê que eu desejo voltar para casa.
A frase que mais repito em minhas orações é: "Jesus, eu creio, mas te peço: aumentai a minha fé!". Nunca vivenciaremos a total grandeza do Pai, o que significa dizer que Ele sempre poderá nos dar mais e mais de seu Amor - daí nossa confiança e esperança ao Lhe pedir por mais! Tudo acontecerá no tempo planejado por Ele; nosso papel, contudo, é facilitar o caminho para nós mesmos. Do contrário, seremos nosso próprio Golias no caminho para a santidade.

Não sei se retomarei meus estudos da Palavra, não sei se minhas orações durarão 10min ou 1h. Não escrevi esse texto para mim, mas sim para você, seja você quem for, que estivesse precisando dessas palavras. Eu não fui feita para ser seu modelo, pois, se eu fosse, você estaria fracassado desde já; na verdade, nosso modelo é o mesmo: Cristo.

Espero que você possa ser mais resistente e persistente que eu. E, se eu puder, humildemente, lhe pedir algo, peço apenas isto: ore por mim quando se lembrar deste texto.
 Farei o mesmo por você quando eu estiver escrevendo.

Um Comentário

  1. Nathalia, pode ter certeza que vou fortalecer minhas orações por vc.
    Conheci seu canal no Youtube faz uns 5 meses. Suas palavras e testemunhos tem me ajudado muito, nesse momento de re-despertar espiritual com Cristo. Tenho sentido um forte chamado de Deus para a santidade. Ainda não sei exatamente qual caminho Ele quer que eu siga, mas estou perseverando na oração e na leitura da Palavra. Entendo bem quando você destaca a inconstância, é uma luta intensa. Mas devemos travar uma batalha por vez, um dia de cada vez. A cada pequena vitória nossa em Cristo, o céu inteiro rejubila. Não se cobre demais, nem se julgue. Até porque Jesus não faria isso. Ele sempre está de braços abertos, esperando pacientemente que você vá até Ele. Deus é amor infinito! Forte abraço, Paz e Bem!

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