Os caminhos da Igreja no Brasil assinalam o mês de agosto com uma nobre particularidade. A temática vocacional recebe forte acentuação: sacerdotais, familiares, leiga etc. Abrir o mês vocacional com esse tema é desafiador porem necessário; é na juventude que as vocações "gritam", é na catequese que muitas brotam. Mas pode ser também que aconteça depois e isso não é algo que está sobre o nosso controle, mas sim do Espirito Santo.
A catequese luta há anos para que todo e qualquer efeito que remeta ao espaço escolar deixe de ser utilizado em nossas catequeses, e isso destruiu e agravou muitas situações ao longo dos anos. São muitas mudanças a serem feitas. Muitas mesmo. Começa pelas famílias, passa pela inclusão, pelo comprometimento com a comunidade, por uma maior atenção por parte dos padres, por investimentos em recursos, por espaço adequado, por coordenações efetivas, por uma formação adequada dos catequistas... 
Você certamente já escutou a frase "depois da Crisma os jovens somem da Igreja", e talvez você seja ou já tenha sido esse jovem que após receber o sacramento, virou "católico de IBGE". É bem comum, infelizmente, essa realidade em nossa Igreja. Perdeu-se a importância do sacramento e de quebra se tornou uma obrigação chata a ser cumprida. Eu não sei onde você mora, mas aqui a exemplo de tantos outros lugares, a Crisma tem o período de 2 anos, o que muito assustou no inicio mas que ao meu ver é uma oportunidade grande para evangelização. Tem muitos preocupados com o depois da Crisma, mas o que tem sido feito de "interessante" durante o período que esses jovens estão no processo crismal? Porque se for pra passar 2 anos de encontros semanais dentro de salinhas fechadas com luz artificial e obrigados a irem a missa porque senão "não irão crismar", lamento muito informar mas isso faz qualquer um que não tenha forte base espiritual, não querer mais voltar. Tem muita catequese que assusta as pessoas. Não estou falando de catequeses mais doutrinárias, não, mas catequeses cheias de achismos. Se o jovem fica 2 anos na catequese por que então não proporcionar a ele os 2 anos de iniciação a vida cristã? Por que o resultado se tornou mais importante que os primeiros passos? O que vai acontecer depois da Crisma não pode ser a principal preocupação. Trabalhar com o hoje! Ofertar o que temos de melhor. Mostrar o que a Igreja é e a importância dos leigos e leigas. Porque mesmo se um jovem se afastar depois de receber o sacramento, se a semente do processo tiver sido bem plantada e regada, em um dado momento da sua vida, ele retornará.
Em o Pequeno Príncipe, Antoine diz: "É o tempo que dedicastes à tua rosa que a fez tão importante". É disso o que estou falando. É claro que há realidades diferentes e que a teoria nos dias de encontro são primordiais. É necessário falar e ensinar o que a Igreja diz, mas também é importante proporcionar experiencias que os façam entender o que é ser comunidade a viver experiências que façam desses meses na catequese algo bom, algo do coração de Deus. Trabalhar a vida dos santos é sem dúvida uma ótima maneira de mostrar a possibilidade da Santidade para todos.
Papa Francisco em uma conversa direcionada aos catequistas, disse:
"Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha à sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas Nele. Eu os encorajo a serem alegres mensageiros, custódios do bem e da beleza que resplandecem na vida fiel do discípulo missionário".
Tem muito catequista por aí que diz: "minha turma é desmotivada". Mas de quem é a tarefa de motivá-los mesmo? Sua! É mais fácil reclamar, se acostumar com o "não tem mais jeito" e se acomodar, mas não foi para isso que fomos chamados.
"Não é possível derramar mais água numa taça já cheia; assim também Deus não pode verter as suas graças numa alma cheia de distrações e frivolidades". (São Maximiliano Maria Kolbe)
É exatamente aí que a catequese entra no "esvaziar das taças". Não tem nada a ver com a experiência ou não de uma catequista, do padre ou de quem for. É questão de amor pelo que faz e amor por Quem nos fez. Jovens chegam cheios de vontades, questionamentos e bagagens frágeis próprias da idade. Uma catequese não pode querer que todos da mesma turma sejam iguais. Uma catequese precisa aprender a ouví-los e trabalhar com as suas particularidades e peculiaridades. Tem muito o que ser esvaziado e só será possível um resultado pós-crisma se o tempo for suficiente para que se sintam parte importante na vida em comunidade. 
Sei que muito que acompanham o blog não são catequistas e talvez nem sejam catequizandos, mas se preocupar com a catequese é missão de todos. Tem algo que você pode fazer pela catequese de sua comunidade, tenho certeza que tem! Como eu disse no inicio do texto: é na catequese que muitas das vocações brotam. É mês das vocações e o mês do amor doado, repensar a forma como fazemos catequese é importante. Abra o mês das vocações com um questionamento para você: como anda a sua comunidade? Como você tem contribuído para as vocações? S se deseja saber por onde começar eu digo: comece pela catequese! Seja ela batismal, eucarística, crismal... Precisamos de você!  
Salve Maria!

2 Comentários

  1. Salve Maria...
    Pensamos igual,experimentar o Cristo é melhor do que ouvir falar Dele...
    Paz e bem....

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  2. nc dutra li alguns textos seus e amei você é muito inteligente! !!!!!!!

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