Dificilmente você já não tenha ouvido falar dessa palavra. Reciprocidade em significado e definição é o ato de dar e receber, por isso, no amor, a reciprocidade significa que o amor é correspondido. Na amizade é essencial a reciprocidade ser uma característica; as pessoa precisam serem capazes de retribuir os sentimentos em relação a outras pessoas, assim como devem ser capazes de demonstrar através de ações e não só palavras. Mas em tempos de WhatsApp, reciprocidade passou a significar o tempo em segundos e minutos que uma pessoa leva para responder sua conversa sinalizada pelos dois tracinhos azuis. Se aquela pessoa não te responder, automaticamente sua mente projeta neuras suficientes para despertar em você o maior sentimento de rejeição da historia mundial (Parece exagero, não é? Mas é exatamente o que fazemos). Particularmente eu sou dos anos 90', bem o inicio da tecnologia, dos primeiros celulares, mas também sou de cidade do interior de Minas Gerais, minha infância e adolescência se diferem e muito das atuais. Mas em juventude fui conquistada e me rendi aos encantos tecnológicos e à facilidade das conversas instantâneas; tudo em minha vida passou a ser no tempo que eu queria que fosse, se não, era motivo suficiente para eu repensar no lugar que aquilo ou aquele ocupava em minha vida. Parece que a tecnologia me fez esquecer que eu fui da geração de conversar horas na calçada. De ter que andar até a casa de um amigo e de em diversas vezes me deparar com ele sem muita vontade de conversar, ou até mesmo com o aviso de que não estaria em casa devido a outros afazeres. Me parece que me processo de amnesia começou quando passei a igualar as pessoas e seus tempos com os meus. A criar a certeza que se eu posso conversar nessa hora o outro também não só pode, como deve. Por quê? Porque eu quero. E essa tem sido a justificativa que me acompanha desde 2013 quando conheci essa fantástica e ao mesmo tempo destrutiva ferramenta, melhor dizendo: esse aplicativo. Foi então que a medida de reciprocidade passou a ser a visualização e o tempo para respostas mesmo que as frases anteriores nem tenham sido perguntas.
Devo fazer a observação que esse texto nada tem a ver com as pessoas que já deixaram bem claro que a outra não possui um minuto das suas 24 horas, e nem sobre pessoas que insistem em bombardear a janela da conversa com carências por atenção. Mas quando se diz carência, aí sim faz parte do contexto aqui abordado, visto que muitas das incompreensões de tempos são causadas pela minha, pela sua, pela nossa tão constante carência afetiva. Ela que tão pequena, quando bem alimentada, se torna destruidora de sentimentos e relações. Cuidar de si para evitar carências é passo importantíssimo até mesmo na área espiritual. Há quem não consiga rezar ou viver uma intimidade com o amor de Deus por pura carência, por necessidade de saciar-se com gestos, ações, palavras e toque de cunho humano. E ao falar sobre carência também se torna necessário falar sobre paciência. Vale até contar uma historia de um Santo que passará a ser seu padroeiro nessa situação, São Cipriano.
São Cipriano era considerado impaciente; percebeu isso e passou muitos anos da sua vida se dedicando à obra intitulada  “A Vantagem da Paciência". Nessa obra ele dá conselhos que se baseiam no autocontrole, na paz de espírito, na devoção, nos entes queridos e na gentileza. Se você também acha impossível usar isso no WhatsApp, passe a incluir São Cipriano em suas orações. A carência a impaciência e a urgência nos tornaram pessoas que necessitam de rapidez. Passamos a querer tudo rápido e rápido também se tornou a nossa "facilidade" em formular conclusões sobre as pessoas. Ex.: Esse me ama porque me reponde rápido, esse não me ama porque que só me responde depois.
Mas Deus não falha. Como diz Santa Faustina: "Aceito tudo que me advier, porque sei que tudo isso me é oferecido pela amorosa vontade de Deus, que sinceramente deseja a minha felicidade." (D. 1549). Nos últimos tempos Ele tem cruzado o meu caminho com o de pessoas dispostas a me ensinar que não há obrigação nenhuma em me responder no tempo que quero, e/ou só porque quero, e que essas pessoas não deixam de me querer bem por isso. Me ensinam que a minha disponibilidade não equivale a do outro e que mesmo em meio às minhas carências, há melhores atividades de ocupação do que "bombardear as janelas" de conversas de Wpp daqueles que possuem meu interesse.  Pessoas essas que trazem de forma sutil e simples a necessidade de retornar à compreensão do verdadeiro significado da palavra reciprocidade. 
E quando se fala em tempo é bem comum nos lembramos de Eclesiastes 3: há tempo para tudo, até mesmo para uma resposta no WhatsApp. Esse texto é para que você reflita onde você está baseando suas relações e também o significado que tem dado para os sentimentos. Não é justo e nem cristão basear classificações em impaciência e carência. Compreender o outro e o seu tempo é desafio de todas as gerações. Sempre haverá dificuldades, mas sempre é necessário a pausa e a reflexão. Você não é vitima da indiferença do outro, você só não percebeu que suas atividades não são as mesmas, nem em horários e nem em prioridades iguais. Ficar azul pode significar lido, mas não significará nunca resposta na hora que te convém. A ferramenta é útil e boa, mas o seu próximo sempre será muito mais do que a sua ansiedade pode classificar. Lembre-se que você se rotula em construção porque então não enxerga a construção do outro? Não permita nunca que um aplicativo interfira na visão de amor que Deus deseja que você tenha com o outro, e não deixe que essa geração de rapidez defina a forma com que você entende o amor. Ele sempre será o amor citado na Bíblia: paciente, bondoso... Você, eles e eu seremos sempre muito mais que uma tecnologia possa querer mostrar.
Seja paciente com seus contatos e mais ainda com você.
Salve Maria!

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