Está tudo normal até que repentinamente uma tempestade chega. Os fortes ventos e tremores derrubam os prédios que formam essa complexa cidade que é você. As gotas de chuva rapidamente enchem as ruas, transbordam e te afogam. Você tenta se segurar em algo, mas nada parece firme o suficiente e você sempre acaba caindo novamente. Os raios te fazem se encolher de medo, chorar e clamar por ajuda. Nada parece preencher esse enorme vazio que toma conta do seu peito e lhe faz não conseguir respirar. Se pergunta o porquê de tudo aquilo. Por que aquela cômoda vida não volta? E tão repentinamente como começou, a tempestade cessa. Em meio às nuvens, um raio de sol ilumina a sua face. É o momento em que percebe que tudo aquilo tinha um sentido. É o momento em que percebe que não está sozinho. É o momento em que encontra o Messias prometido aos patriarcas e profetas.
Uma mão te segura firme e aos poucos você consegue se levantar. Mas algo de errado acontece. Você permite que o pecado prevaleça e a ruína retorna. Não porque Ele te abandonou, mas porque você o abandonou. E a enorme cumulus nimbus volta a pairar pela pequena cidade. Se sente abandonado, perdido, derrotado, devastado, dilacerado. Sente como se sua alma estivesse rasgada em diversos pedaços. Grita por ajuda e é ouvido, guiado, entendido, ajudado. Mas a dor não acaba e isso intriga a sua mente. Por que, mesmo com Deus ao seu lado, a tempestade nunca acaba?
Há períodos em que sua intensidade aumenta e outros em que ela diminui. Porém mesmo quando parece que tudo vai desabar, Ele ainda está ao seu lado. Você consegue encontra-Lo na dor. Percebe que é preciso ser quebrado para ser reconstruído. Ele está ali por você, sempre esteve. A dor nos santifica, nos faz mais fortes. A cruz nos redimiu e é por ela que teremos vida eterna. O vazio é a necessidade de Deus, a alma clama pelo Criador. Quanto mais necessita de amor, mais percebe o quanto Ele te ama. É preciso a tempestade para ver o valor dos raios de sol.

(Flavia Gabriela para 48janeiros)

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