Sim, esse texto é para você.
Para você, rapaz, que passa os três primeiros meses de um relacionamento bancando o romântico à moda antiga (que você não é) apenas para conquistar o corpo e a nudez de sua companheira - muitas vezes imatura e amedrontada com todo o fluir dos desejos e dos hormônios, entregue ao despreparo emocional e sobretudo espiritual de um homem (já posso chamá-lo assim, ou devo permanecer em "menino", "criança"?) que não a respeita e que não a ama em Deus. Talvez um homem que sequer se importe com a existência ou não de Deus. Um homem que se importa apenas com o sexo, com a foto de órgãos genitais ou de quaisquer zonas eróticas de uma mulher.
Para você, moça, que acredita enxergar na relação sexual o ápice da intimidade e da prova de amor e de confiança que alguém pode oferecer, e que se debruça inteiramente sobre as necessidades físicas e sobre as carências afetivas (às vezes causadas por deficiências de carinho dentro de casa) que precisam a todo custo ser sanadas. Você, que se diz dona do próprio corpo, que se diz madura o suficiente para decidir com quem vai ou não para a cama já no segundo encontro, que se diz calejada e incapaz de ser enganada ou iludida "mais uma vez". Você, que diz "vacilaram tanto comigo, agora é a minha vez de vacilar com todo o mundo" e que acredita estar, com isso, levantando a tocha da liberdade quando, em verdade, está se afundado em um lamaçal de vergonha e imundície. 
Sim, esse texto também é para você.
Para você, rapaz, iniciado desde a infância em grupos de oração, células, escolas bíblicas. Você, batizado, crismado. Você, que "caminha" por uma mísera semana com sua colega de carisma e já começa a deturpar e a menosprezar a relevância da castidade - não apenas física. Você, que se diz precavido e ouvinte da palavra de Deus, mas, nos muros escondidos da Igreja, consegue o primeiro beijo de língua antes do oferecer o primeiro Pai Nosso em nome da garota que você queria beijar. Você, que se vale da sua posição de pastor, de líder jovem, e aproveita o estrelismo sobre a sua imagem para invadir a intimidade das garotas e emaranhá-las em seus jogos carnais de conquista. Você, rapaz cristão e íntegro, que inicia toda uma vida sexual desregrada e pornográfica com sua namorada, foge sorrateiramente do compromisso que isso representa e, ao saber da notícia de uma gravidez precoce, simula a proposta de um aborto. Rapaz cristão e íntegro? Espero que você esteja lendo isso. 
Para você, moça, que aceitou casar aos 17 com um cara de 29 apenas para escapar da perseguição moral de ceder à carne antes do matrimônio - e que aos 23 se separará por não suportar os abusos, as ofensas e a falta de lealdade dentro de sua própria casa. Ou dentro da casa de sua sogra, agora ex-sogra, já que vocês casaram sem ter um tostão nem para alugar uma residência independente. Você, que vendeu seu corpo ou a imagem dele (nem sempre por dinheiro) e não se arrepende disso, já que "ainda ri dessas histórias".  Você, que tem consciência do efeito de um decote abusivo que revela metade dos seus seios e, mesmo assim (aliás, justamente por isso!), insiste em ostentá-lo em plena missa ou culto. Você, que envia fotos de posições sexuais para o seu namorado, mas nunca enviou um versículo bíblico que seja - até porque você não lê a Bíblia; nem ele, já que você é o "exemplo cristão" do relacionamento. Você, que entoa "Jesus não é religião, Jesus é só amor", mas não faz absolutamente nada para dignificar e louvar o nome d'Aquele que perdoa todas as barbáries que você comete nas chamadas de vídeo do Whatsapp e nos open-bars os quais você frequenta (aí sim, religiosamente) todos os fins de semana. 
Onde está o seu bom senso? Onde está a sua ética, a sua autoestima? Onde está o seu respeito pelo próximo, pela integridade do seu próximo, pela educação que lhe propuseram dentro de casa e dentro da Igreja? Você sabe o que significa o tempo de um namoro? Significa preparação, disposição, determinação e firmamento. Significa estar numa estrada que culminará em concordância com a declaração de que "aquilo que Deus uniu, o homem não separará", mas o seu relacionamento foi idealizado por Deus, ou ele é apenas o reflexo de mais uma das suas atitudes impensadas e doentias de compensação pela ausência do Pai na sua vida? Você que a falsa sensação de posse de um outro corpo o faz mais poderoso (a)? Você acha que a exposição pública da intimidade de uma pessoa que se entregou a você é algo que mereça risos? Você acha que a banalidade dos envolvimentos afetivos não representa nenhum mal exemplo ao futuro das crianças que você e seus colegas de tribo e de ideologia criarão? 
Esse texto é para você, e eu digo apenas isto: o dia do julgamento será tarde para o arrependimento. Quando você leva o pecado para dentro do seu namoro, está pecando em dobro, porque está levando outra alma para o mesmo caminho perverso que você escolheu trilhar. Além de ser um gesto mórbido de tão sujo, é um gesto egoísta e cruel.  O mesmo vale para você, que cedeu às investidas pecaminosas do(a) seu(a) parceiro(a) quando poderia muito bem ter sido a voz de prudência e sobretudo de decência entre vocês dois. Peca quem induz, peca quem permite. Nada é mais perigoso do que persuasão utilizada em nome do pecado e ingenuidade mal alimentada pelo pecador. 
Estejam atentos, porque o tempo se aproxima.
A madeira morta queimará.

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