Eu sei que comparar dias a páginas soa ridiculamente clichê... eu sei. Mas como leitora e, também, humana, sei que às vezes precisamos dessas páginas em branco. Seja qual for a razão; o oceano de possibilidades contido num livro é capaz de seduzir o homem de uma forma arrebatadora. Não desprezo o clichê porque eu também preciso dele. Preciso da certeza que, sendo bom ou ruim, o ano anterior acabou. O livro foi fechado, algo novo começou. Sou a mesma pessoa que era ontem, quando ainda carregava o velho 2017 nas costas, inteiramente desvendado. Mas sou completamente diferente da pessoa que era há um ano, quando me despedia de 2016 e abria 2017 como uma criança abre um ovo da páscoa.
Sou daquelas que defende com unhas e dentes o silêncio. Soa hipócrita porque, como escritora, preciso da música. Preciso duma voz alheia, afinada, sussurrando no meu ouvido enquanto derramo meus, até então pensamentos, nas teclas do computador. Porém, nos momentos em que me identifico como mulher e como católica antes de como escritora, preciso do silêncio. Minha alma precisa estar calada e ter o mundo calado se quiser se conectar com Quem é maior do que tudo isso. Nesses últimos dias, quando a realidade de mais um ano finalizado me batia à porta, me permiti ficar em silêncio e fazer uma retrospectiva de tudo o que aconteceu.
Tenho uma memória pior do que queria, logo precisei de certo tempo para retomar tanto. Mas bem me lembrei que, em 2017, mais do que em qualquer outro ano, estive sozinha. Viajei o mundo e me deparei comigo mesma: falha, pecadora, suja e muitas vezes infiel. Tracei com meu Senhor um caminho em direção a quem precisava ser, a quem Ele sonhara que eu fosse, em quem serei quando chegar exatamente onde preciso chegar - antes de onde eu quero. Precisei de um tempo em silêncio para entender que, do tanto que vivi, nada fiz sozinha. Nunca movi montanhas, nunca venci a mim mesma, nunca dei um primeiro passo se não fosse antes Ele, o Grande Leão, a me guiar. Tanto meu Senhor fez por mim durante esse ano e quão triste é pensar que grande parte dessas coisas não percebi, e por grande parte das que percebi, não mostrei minha gratidão.
Acredito que seja, sim, importante seguir as tradições de ano novo. A lista de resoluções, as metas, o encanto pelo novo e a motivação por ser melhor. Entendo que, escondida na esperança, está também a desconfiança: sabemos que, na vida, o fracasso é inevitável. Entretanto, que neste ano seu ponto de confiança não seja a si mesmo - humano falho e pecador, mas Aquele que é perfeito, que é forte, que tudo pode e que, não menos importante, nos ama. Nos ama incondicionalmente e de forma gratuita, mesmo que passemos longe de merecermos esse amor.
Que nesse ano esteja muito claro que, com Deus, nós tudo podemos. E que, antes de desejar o mundo, você deseje ser melhor para Ele. Uma das minhas metas de ano novo que hoje compartilho com você, é: me derramar, sem medidas, nas mãos do meu Senhor. Dizer: entre, fique com a chave, mude o que quiser dentro de mim. Eu não quero estar no controle de mim mesma. Não quero seguir meus próprios planos. Não quero, mais uma vez, me afundar nos abismos escuros que possuo dentro de mim mesma. Quero ser dEle e viver para Ele porque, antes de tudo, acredito em quem chamo de Deus. Acredito que Ele sabe o melhor para mim e vai me levar a muitos lugares em 2018. Mas, antes de me levar onde eu quero ir, me levará onde preciso. Onde minha alma encontrará o sentido de sua existência e me tornarei uma com Ele. E, pensando melhor, é para lá onde quero ir. Para onde quer que Ele esteja. Essa é a minha meta.

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