Creio ter perdido o inicio dessa era que tornou algo tão bonito em uma "modinha". Temos nos deparado com dois tipos de jovens: os que entram na Igreja para procurar namorado(a), e os que não vão à Igreja exatamente por não quererem ter nenhum relacionamento sério. Mas esse último deixo para uma outra publicação, hoje quero me ater ao primeiro e dizer o que meus olhinhos têm visto, e o que meus ouvidos têm escutado. Se você jogar no Google "namoro santo", você vai encontrar a "receita de bolo" completa com direito a fotos para você fazer igual.
Não, eu não estou querendo me ater ao sentido todo particular da castidade no relacionamento. Porém não posso ignorar o fato de que tenho visto relacionamentos que até respeitam a castidade, mas de resto são mais abusivos do que qualquer outro no meio secular. Namoro santo virou esconderijo de gente carente: sem amor próprio, de cura da sexualidade mal resolvida, de teste da vocação e pior: de pessoas sem a menor confiança no amor de Deus que acreditam que só há amor em um namoro. E isso tem atingido desde o recém convertido até o ancião de caminhada. Acredito que você conheça pelo o menos uma pessoa que terminou um relacionamento desses que se diz ser "santo", e depois sumiu do grupo de jovem, da comunidade. E se tu pensar bem vai encontrar até quem mudou de religião. Parece que a única solução para a vida cristã é um "namoro santo" com muita publicação nas redes sociais, usando as hashtags #meuJose #minhaMaria. Só que de José não tem nem a poeira da sandália, e da Santíssima Virgem eu prefiro nem comentar... pois nem perto chegam.
Eu tenho acompanhado esse "namoros santos" sendo fachada pra relacionamentos abusivos (e se você ainda acha que relacionamento abusivo é só os que tem abuso físico é melhor você fazer uma pesquisa melhor e continuar a ler o que tenho a dizer), e isso é sério!
Chegamos em um ponto que coordenadores/lideres de grupos de jovens que acham que só terão respeito se tiverem namorando acabam por viver namoros doentios, de posse, de abusos psicológicos; vitimas que foram escolhidas a dedo, que foram conquistados até mesmos pelo "Deus tem falado em meu coração que devemos namorar". Meninas e meninos fragilizados na caminhada totalmente dependentes de seus pares, escravizados por um relacionamento de fachada, com todos ao redor elogiando o "casal perfeito", fazendo com que se tornem privados até mesmo de desabafar com amigos e familiares. Acreditam no "Deus + Você + Eu", quando, na verdade, essas três pessoas não existem nesse tipo de relacionamento, no máximo uma: a que dita as regras.
Relacionamentos abusivos podem ser identificados por muitos detalhes. O controle do que o outro pode ou não fazer, o uso de falsos argumentos religiosos para prender o outro ou fazer com que ele se sinta inferior, até mesmo a ilusão de estar sendo "privilegiado com muito mais do que merece". Cuidado, gente! Cuidado com quem faz você acreditar que não é nada longe dele, com quem se faz de vitima para que você se sinta culpado por algo que ele que fez, que te manipula e faz com que você sempre seja o errado da história, quem minimiza suas conquistas e não incentiva você a conquistar seus sonhos, quem te culpa pelo que ele falou ou sentiu. E uma particularidade é a de usar Deus e o Espirito Santo como desaprovador dos seus atos e como quem mandou falar ou agir da forma que agem com seus pares.
É por isso que digo que não sei quando foi que isso se iniciou, quando foi que transformaram o projeto de Deus em um mero "marketing cristão". Tenho visto meninas e meninos apagados pelo "José" e pela "Maria" que só existem mesmo no olhar de pessoas, que não por mal, acreditam e dão valor... É algo que tem acontecido em numero grande na nossa Igreja. Nossas comunidades estão lotadas de pessoas vazias procurando se preencher em relacionamentos, e mais cheia ainda de gente sugada por uma fachada que determina que só há felicidade em ser par.
Se você namora seja há dias, meses ou anos, pare para pensar: esse relacionamento te faz bem? Você se sente culpado pela maioria das coisas que seu parceiro faz com você? Você faz sempre o que ele quer? Você sempre se desculpa ou defende o comportamento dele? Nas conversas ele te faz sentir como se não soubesse ou entendesse nada? E, por fim, esse relacionamento é santo mesmo?
Pesquisem sobre o assunto, leiam a Bíblia, busquem em Deus as respostas. E fica aqui os conselhos da Tia Dalti: amigos e irmãos de caminhada, cuidem uns dos outros, não queiram ser preenchidos ou preenchedores da carência afetiva de ninguém... Coordenadores, ensinem que o amor a Deus deve ser vivido na pratica e não somente da boca pra fora, cuidem das carências dos seus membros, formem-os para que compreendam que namoro e casamento são consequências de uma caminhada madura, e não suprimento de vazios. Casais, se deem a oportunidade de avaliarem suas relações. E lembrem-se: namoros foram feitos para acabar, se não está dando certo, se não é e nunca foi vontade de Deus, terminem. Não se forcem a viver fachadas só por status paroquial. Jovens, cuidem-se. Vocês são templos do Espirito Santo e não um móvel que só tem utilidade se tiver completo com outro. Não permitam que ninguém ocupe o lugar de Deus em sua vida, só Ele pode curar suas feridas e preparar seu coração para sua real vocação. Aceite esses cuidados antes de aceitar relações.
Vale sempre lembrar e viver o 1º mandamento!
Salve Maria! 

2 Comentários

  1. Bacana Dal! o/ Ótimo texto e depois fala que não sabe escrever... kkkkkk

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  2. Lendo o seu texto percebi que no passado eu tive um relacionamento assim, mas graças à Deus ele não durou muito tempo e eu aprendi que antes sozinha do que mal acompanhada.

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