Gosto muito de biografias. Já assisti a do Tim Maia, do Cazuza, da Marylin Monroe, do Luís Gonzaga, Steve Jobs, da Rainha Elizabeth e por aí vai. É engraçado ver que umas despertam em nós o desejo de querer viver os aspectos bons e históricos que a pessoa viveu. Vivo um caminho para a consagração de vida e o Senhor me questiona a razão de não haver em mim esse desejo de viver Sua biografia. O Senhor me chama a testemunhar como Ele viveu nesta terra, já que eu vou atrás de biografias que me interessam pelo personagem, que eu exerça, então, com a minha vida, a biografia de Jesus. Que em minha vida passe a vida de Jesus.
''Sede Santos como Vosso Pai Celeste é Santo'': eis o que é levar a biografia de Jesus na vida. Contudo, só é possível ser santo como Deus quando eu compreendo que a santidade não é para ser vivida do meu jeito. A palavra é clara: como o Pai é santo! Não como eu ou o fulano é santo, porque esse chamado não é no céu, mas para alcançar o céu. É um chamado a ser vivido na terra e na terra não há santos, só aqueles que querem ser (mas querer não é poder). Santo só é santo quando chega ao céu até lá vivo a constante transfiguração. Deixar de pertencer-se, de ser eu para pertencer a Deus e Nele existir. Em mim ser Cristo. Sede santo nada mais é que um sede imitador de Cristo.
Mas como Jesus viveu aqui na terra?
Jesus acordava cedo como qualquer trabalhador, o Jesus carpinteiro. Jesus honrou sua família, obedeceu Maria, sabendo também ter a maturidade de lhes mostrar que sua filiação Divina não O impedia de ser filho humano e o contrário também: a missão divina não era menor que a humana, eram complementares. Jesus viveu a vida sem privacidade, interrompido, isento de sossego. Um Jesus cansado, que percorria e andava, subia e descia, agachava-se, navegava, chamava, porque até dormindo a inquietude vinda da inconstância dos apóstolos lhe encontrava e o fazia despertar para acalmar a tempestade que abalava a fé.
Quero conhecer o Jesus que se tornava mais divino à medida que era humano e vice versa. O Jesus que acorda, estuda, trabalha, ora, vai ao templo, come, conversa, fraterniza, dorme, caminha, percorre, cansa, chora, se angustia, se entristece, se decepciona, é traído. Foi humano em vida e morte, mas morreu de uma forma que nenhum homem jamais experimentará tal dor. O Jesus humano é fascinante porque nos ensina a santificar as atividades ordinárias. Jesus desempenhava diversas atividades e lidou com a dificuldade em priorizar a missão e ordenar a vida social conforme seu chamado e não seu chamado conforme suas vontades, até porque a sua vontade era a vontade do Pai.
Jesus humano viveu 3 anos de missão externa, e Ele poderia muito bem ter apenas sido assunto ao céu, mas foi escolhendo a cruz que não banalizou a morte. Ensina com a cruz que ela é o fim e o começo da salvação. Sem cruz não existiria o que vivemos hoje. A cruz em todo seu ''horror'' foi o que iniciou a Igreja. Mais do que milagres, curas, foi a cruz que dividiu as águas. Não importa quantos anos de caminhada se tem, se neste fiz milagres, curas, mas sim se morri.
Imitar Cristo não é se prender num Jesus autoajuda, transformador de autoestima, que me faz sentir alguém melhor, ou de sucesso, mas que pelo contrário, me ajuda a entender que eu sou nada e por isso devo ter o Tudo. Só é possível ser testemunha de como Cristo viveu quando morro e Ele vive em mim. É difícil, mas ao cair que Maria esteja conosco e que Ela seja a primeira a quem gritamos quando precisamos de socorro de Deus.
Que o próprio Espírito Santo venha em nós para retirar o velho e nos encher do homem novo: O Jesus humano.

2 Comentários

  1. Lindo texto! Mas realmente para sermos santos precisamos fazer o papel da semente...morrer para dar frutos.

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  2. Amei o texto! Nunca havia pensado sobre a Biografia de Jesus para ser vivida. Parabéns!

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