Êxodo 3, 11-12a.
"Moisés, porém, disse a Deus: "Quem sou eu para me apresentar ao faraó? Quem sou eu para tirar o povo de Israel do Egito?". Deus respondeu: "Eu estarei com você".
Êxodo 4, 10-13.
"Moisés, porém, disse ao Senhor: "Ó Senhor, não tenho facilidade para falar, nem antes, nem agora que falaste com teu servo! Não consigo me expressar e me atrapalho com as palavras". O Senhor perguntou a Moisés: "Quem forma a boca do ser humano? Quem torna o homem mudo ou surdo? Quem o torna cego ou o faz ver? Por acaso não sou eu, o Senhor? Agora vá! Eu estarei com você quando falar e o instruirei a respeito do que deve dizer". "Por favor, Senhor!", suplicou Moisés. "Envia qualquer outra pessoa!".
Êxodo 5, 22-23.
"Moisés voltou ao Senhor e disse: "Por que trouxeste toda essa desgraça sobre este povo, Senhor? Por que me enviaste? Desde que me apresentei ao faraó como teu porta-voz, ele passou a tratar teu povo com ainda mais crueldade. E tu não fizeste coisa alguma para libertá-lo!".

Talvez você medite sobre as passagens acima e chegue à fácil conclusão de que Moisés era teimoso, medroso e extremamente inseguro. Ouvindo a voz de Deus falar-lhe o que ele tinha que fazer, ouvindo a voz de Deus falar-lhe que a ele só bastava confiar, Moisés questionou o Pai. “Como eu? Se eu não sei falar bem?”. “Quem sou eu, para falar a esse povo? Quem acreditará em mim?”. “Deus, não há como escolher outra pessoa?”. Talvez você sinta raiva de Moisés. Talvez você o critique, talvez você não consiga entender a resistência dele perante uma manifestação tão intensa do poder e, sobretudo, da presença de Deus. “Tire suas sandálias, pois está pisando em terra santa”, foram as palavras de Deus, e a terra era santa porque é a terra onde habitava o Pai. Era Ele quem estava ali, tocando o coração de seu servo, a fim de utilizá-lo como instrumento de graça. E Moisés questionou a vontade de Deus, dada a sua incerteza, dada a sua fraqueza, dada o reconhecimento do seu despreparo. Talvez você não entenda o que Moisés dizia, ou fazia. Talvez você não entenda esse medo.
Mas, aqui vai a verdade: você e eu somos os Moisés de nossa geração.
Quantas vezes questionamos os desígnios de Deus? Quantas vezes achamos que a ordem do Pai veio errada, apenas porque o querer dEle não correspondeu ao nosso, ou justamente porque o querer dEle nos desafiou a quebrar nossos limites humanos? Quantas vezes, em nossa caminhada, irritamo-nos quando as coisas fogem às nossas expectativas, mesmo sabendo que as únicas expectativas que realmente importam são aquelas que vêm do Céu? Quantas vezes duvidamos de NOSSA capacidade, quantas vezes duvidamos de NOSSA determinação, quando, na verdade, nossa única tarefa era simplesmente amar e confiar naquilo que Deus nos preparou?
O problema é simples: temos medo e somos covardes porque cremos que seremos nós os provedores da graça. Cremos que a atitude será nossa. Cremos que o conteúdo virá de nossas mentes. Cremos que nós acenderemos o fogo no coração dos outros. E tememos, é claro, porque ninguém melhor do que nós mesmos para sabermos da nossa insuficiência. Mas, o curioso é que a resposta para esses conflitos também é simples: não somos nós. Não é algo que eu faço. Não é algo que eu escrevo. Não é algo que eu dou a alguém. Nada tem a ver comigo; tudo tem a ver com Ele. Ele faz. Ele dá. Ele determina, eu só sorrio e aceno, em concordância, obediência e servidão. Se Ele me diz: “vá e escreva”, eu não devo ir acreditando na minha eloquência ou na minha retórica escrita. Eu só preciso acreditar que, chegando lá, seja “lá” onde for, Ele me dará as palavras. E eu as escreverei porque Ele as ditará em meu coração. Se Ele me diz: “vá e pregue o evangelho”, eu não devo ir acreditando que a minha desenvoltura conquistará e converterá tal pessoa, porque, se assim for, eu estarei pregando a minha própria vida, os meus próprios méritos, quando, na verdade, eu devo pregar sobre a vida do Único capaz de realmente mudar alguma coisa. Ele me dá a liberdade de simplesmente ir, sabendo que a capacitação virá dEle, a partir das renúncias e dos esforços aos quais estarei à disposição. E eu não sei em vocês, mas, em mim, essa consciência traz paz. Liberdade. Liberdade de saber que AINDA BEM, não está tudo nas minhas mãos, porque eu não conseguiria. Liberdade de saber que AINDA BEM, os meus medos não precisam ser mais do que simples alertas.
Liberdade d e m i m m e s m a.
Seja qual for o nosso chamado, é Ele quem chama. De onde vem o nosso medo?
Seja qual for o nosso chamado, é Ele quem chama. De onde vem o nosso questionamento?
Da nossa natureza, certamente. Do nosso egoísmo. Da nossa incapacidade de, muitas vezes, sermos apenas discípulos, e não estrelas sob holofote. Da nossa ganância por reconhecimento, da nossa sede humana e carnal de sermos algo a mais que os outros, quando não somos nada a mais que ninguém, quando somos todos tão filhos imaturos e ainda despreparados como quaisquer outros.
Discípulos estão a serviço de um trabalho que não começa neles, e eles sabem disso, e disso se orgulham, e por isso insistem em seus chamados, sempre. Porque não começa neles. Não termina neles. Não depende deles.
A você, que já ouviu o seu chamado: quando virá o seu “sim, Senhor”?
A você, que ainda espera pelo chamado: será sincero o seu “sim, Senhor”, ou as suas vontades não estão prontas para serem frustradas? Talvez por isso você ainda não o tenha escutado, talvez ele já tenha sido gritado em seu coração, mas a voz da sua carne foi maior que a voz do Espírito Santo.
São perguntas que eu também faço para mim. Pois estamos todos sob a mesma Direção.

Um Comentário

  1. Muito bom esse texto. É desse jeito que me sinto. Tenho medo. Não estou preparada. Ainda tenho coisas para deixar para trás, e ser inteiramente de Deus. Eu estou caminhando para isso,é árduo,mas saber que no final do caminho estará a minha Eternidade. Salve Maria Imaculada!

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