Romanos 2, 1-4: "Talvez você pense que pode condenar esses indivíduos, mas é igual a eles e não tem desculpa! Quando diz que eles deveriam ser castigados, condena a si mesmo, porque você, que julga os outros, pratica as mesmas coisas. Uma vez que você julga outros por fazerem essas coisas, o que o leva a pensar que evitará o julgamento de Deus ao agir da mesma forma? Não percebe quanto ele é bondoso, tolerante e paciente com você? Não vê que essas manifestações da bondade de Deus visam levá-lo ao arrependimento?" 


Esse texto é para pessoas como eu, que, às vezes, teimam em agir feito o filho que julga o irmão pródigo. Esse texto é para pessoas como eu, que não sabem esperar pelo tempo de Deus, que acreditam que o poder vem do ato de fazer a oração, e não do querer d’Ele de entregar-nos graças. Esse texto é para pessoas como eu, que se julgam melhores que os outros por irem à igreja, por lerem a bíblia, por ouvirem louvores ao invés de músicas seculares. Esse texto é para pessoas como eu, que têm vergonha de admitir para Deus que são fracas, que precisam de ajuda – pessoas que acham que enganam Jesus em suas orações acaloradas e fervorosas, quando na verdade sustentam um coração vazio e, sobretudo, frio. Esse texto é para pessoas como eu, que acham lindas as palavras dos mártires, mas que não têm coragem de dizer profunda e sinceramente: “se Tu queres, Jesus, eu também quero”. 
Mas esse texto não tem nada demais, porque ele é escrito por uma pessoa de natureza tão dura quando a sua. Esse texto não pode te oferecer respostas, porque não sou eu, simples criatura humana, quem pode oferecê-las a alguém. Esse texto não é de mérito meu, porque ele foi escrito a partir de um pedido do Céu. Esse texto talvez não acalente o seu coração, talvez não resolva os seus problemas, talvez não atinja imediatamente a sua afetividade, porque ele é produto feito pela minha humanidade – mas, na essência dessas palavras, essência que independe de mim, há o poder de Quem me mantém de pé e de Quem me tem como instrumento. 
O que eu sinto que preciso te dizer é só uma coisa: não perca seu tempo de oração, e nem a força da sua fé, achando que o que você faz é suficiente para que você mereça as melhores graças de Deus. Não é: a justiça do Pai não tem a lógica da justiça humana, e a justiça humana não tem a pureza da justiça do Pai. Ore, sim; viva em comunhão com os teus próximos, sim; dedique-se, atenda ao seu chamado, sim, por favor, sim! Mas não se considere maior ou mais digno por isso, porque aquele que erra conhecendo o valor do erro peca duas vezes, e não se importa com a condição de pecador. Aquele que admite o erro e arrepende-se dele, mas, em pouco tempo, torna a pecar, ainda que de modos diferentes, é tão fraco quanto o pecador “de primeira viagem”, que ainda não foi tocado e modificado pela presença de Jesus.
Precisamos orar por amor. Por Amor. Precisamos orar porque a nossa felicidade mais essencial depende da nossa relação com o nosso Pai, com o nosso Provedor. Precisamos orar porque, simplesmente, precisamos. Precisamos da comunhão com os nossos irmãos porque nós devemos servir a eles, olhar para eles e encontrar a nossa felicidade na felicidade deles. Precisamos d’Ele. Precisamos da presença d’Ele, precisamos conhecê-Lo, precisamos nos deixar conhecer por Ele. Não somos grandes por reconhecermos o poder e a força do Pai – reconhecer essa Verdade só nos faz conscientes da nossa imperfeição e da nossa insuficiência humana. O nosso irmão, que ainda não viu aquilo que nós vimos, não é inferior; inferior seria aquele que julga o ignorante pela ignorância, sem se dar conta da sua própria maldade. Mas, Deus é tão bom, tão simples, e tão justo (de um jeito que transcende nossa capacidade de compreensão), que Ele nos põe em pé de igualdade, e com isso nos diz: vocês precisam uns dos outros, e, acima disso, precisam de Mim.
“E eu estou aqui”, nosso Pai nos diz, em seguida.
E Ele está aqui.
Não é isso mais do que suficiente?

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