São tempos diferentes, esses nossos. Estamos constantemente rodeados por séries de conteúdos bons e ruins, influências saudáveis ou não, poderes perigosos e fraqueza fáceis. Somos bombardeados por tudo, de todos os lados, em todos os ambientes. Nossos amigos sempre têm um vlog para indicar, uma música para recomendar, uma page no Facebook que “você precisa seguir!!!”. Comprar os produtos gratuitos que a internet, que as mídias, nos oferecem nunca foi tão fácil. Vender-se, também, nunca foi tão fácil.

Como cristã, eu sempre tento me preocupar com o tipo de conteúdo que eu consumo; mas tentar nem sempre me impede de cair em armadilhas, porque, vejamos só: sou humana, todos somos. Volta e meia eu me deparo com um interesse meu em saber das vidas alheias, em assistir seriados e filmes inapropriados para os valores que eu tenho, que Deus marcou em mim. E, muitas vezes, ao invés de renegar essas vontades de pecado, eu só me afundo nelas, num mix de “admito que sou fraca, não posso mudar minha natureza” e “se todo o mundo vê, por que eu não poderia?”. Como se fosse simples, assim.

Há algumas semanas eu fui à praia, e passei o dia por lá. Não levei protetor solar, e eu tenho consciência de que minha pele é muito sensível. Caminhei muitas horas debaixo do sol; ri bastante, me diverti com aqueles que estavam perto de mim. Foram momentos de prazer, de alegria. Mas, apesar desses bons momentos, a ofensiva do sol não deixou de estar ali. Eu me permiti ficar exposta àquilo, e eu tinha total certeza de que poderia não me fazer bem – aliás, de que certamente só me faria mal. Como fez: peguei uma insolação, tive noites horríveis para conseguir dormir por causa das queimaduras, usar camisas nunca fui tão doloroso, passar as pomadas era um martírio. Tudo por um descuido que eu sabia que era descuido e que, mesmo assim, eu cometi.

Atualmente, essa é a nossa realidade, em muitos casos. Temos consciência de que consumimos maus conteúdos, histórias poluídas, e, apesar disso, insistimos no consumo. Sabemos quando algo passou dos limites e, ainda assim, continuamos andando em direção àquilo, Deus sabe o porquê. Entendemos que algo não é para nós, que nada de bom irá acrescentar em nossas vidas, e continuamos ali, com a aba do Youtube aberta, com a guia de pesquisa do Google cheia de resultados, com o canal da novela fixo na TV minutos antes de começar o capítulo. Nós nos deixamos expor. Nós nos deixamos enfraquecer. Nós nos deixamos viciar, e tudo isso estando totalmente conscientes das consequências danosas que isso representa em nossa vida, dentro da nossa casa e, sobretudo, em nosso espírito, em nossa fé. Nós estamos suscetíveis ao mundo, é verdade, mas não precisamos sucumbir a ele. Por que, então, insistimos em erros que sabemos ser erros? Viciamo-nos numa automutilação espiritual?

Curtir a “bad” virou moda adolescente. Confunde-se depressão com ‘estar deprimido’. Embriagar-se é cool, saber o diâmetro da barriga daquela famosa que está grávida é a coisa mais importante que você tem para fazer. Perder horas vendo vídeos de cuidados com o cabelo, com a pele, e ter preguiça de rezar sequer uma Ave-Maria antes de dormir. Não estou dizendo que as mídias, que os influenciadores digitais, são todos desprezíveis para nós. Eu sem poderia cair nesse erro: o 48janeiros é um meio de evangelização e de influência digital. O que eu falo, aqui, é que nós precisamos ter cuidado, precisamos ser seletivos, precisamos estar atentos às inúmeras armadilhas a que estamos dispostos.

Nossa diversão não precisa ser suja. Nossos momentos de lazer não precisam enfraquecer nossa fé, nossa gratidão, pelo contrário: eles devem fortalecê-las! Como tudo em nossa vida, precisamos nos envolver, nos deixar expor àquilo/com aquilo que fortalecerá a nossa fé.  Para isso, precisamos também admitir as nossas fraquezas, as nossas vulnerabilidades. E vale um lembrete: rodear-se de influências cristãs, inscrever-se em vlogs apenas cristãos, ler blogs apenas cristãos, seguir páginas apenas cristãs, não o libera da necessidade de cuidados. Você pode ter ótimas influências e péssimas atitudes, e isso não abona absolutamente nenhum erro. Precisamos estar atentos.

Eu sabia que poderia sofrer queimaduras do sol, e, ainda assim, me expus. De que outras maneiras nós nos machucamos por escolha própria?
P.S.: a insolação já passou. O que não muda o fato de que todo o meu sofrimento poderia ter sido evitado, se eu tivesse me protegido do perigo.

Um Comentário

  1. Gostei do texto. Temos que ter cuidado que assistimos,lemos,compartilhamos,pesquisamos...

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