Não posso dizer que sou uma cinéfila, mas gosto de usar do meu tempo livre para ver filmes sejam eles repetidos ou novos. Não costumo fazer listas de indicações, mas como esses foram bem marcantes decidi compartilhar com vocês. Não são muitos e entre eles se encontra uma série. Vamos lá!

1. A Família Bélier
Meus pais já haviam me indicado ele, mas acabei não dando tanta atenção até chegar em uma tarde em que eu terminava de assistir pela milésima vez ''10 coisas que eu odeio em você'' e ele vinha em sequência. Não tinha nada a fazer então me dispus a assistir e meus amigos: Que filme! Conta a história de Paula Bélier com suas dificuldades em relação a adolescência, o relacionamento com os pais e de como enfrentar o sentimento por um rapaz de escola. Até aí tudo clichê. A diferença se encontra no fato dos pais e o irmão de Paula serem surdos e isto a torna em uma posição essencial na família. Os pais contam com ela para tudo: idas ao médico, o pequeno comércio da família etc. Este elo forte entre eles aumenta quando o pai de Paula, indignado com a política local, decide se candidatar a prefeito rendendo cenas engraçadas, mas também um pequeno questionamento de como não há somente uma falta de representação pelos deficientes auditivos como um enorme descaso e desrespeito, como os questionamentos constantemente utilizados em relação ao sr. Beliér querer se candidatar mesmo sendo surdo, como se esta característica o impedisse de viver, como o próprio comenta em um certo momento do filme, revelando o quanto não devemos nos abater pelos comentários desmotivadores. Fora esta atmosfera há a dificuldade comum dos pais em deixarem de ver Paula como uma criança, principalmente quando esta descobre-se uma excepcional cantora e é convidada a concorrer uma vaga em uma escola em Paris. Já falei demais o resto fica como convite a você assistir. P.S: A trilha sonora é incrível. Saca aí!

2. Até o Último Homem
Esse aqui já foi falado por todo mundo e muita gente deve conhecer. Eu fiquei super curiosa em ver o filme, principalmente depois dos relevantes comentários que ouvi, mas, como disse antes, eu não tinha tempo. Noite dessas no Netflix, depois de ver um filme bem ruim, decidi assistir a nova criação do Mel Gibson. Não sou fãzona do Mel, mas comecei apreciar mais seus filmes depois de A Paixão de Cristo por motivos óbvios. Até o Último Homem vai além de um bom filme, bom roteiro e boas interpretações. Vai além das suas seis, salvo engano, indicações ao Oscar. Acho que já é de senso comum o forte teor cristão que ele nos apresenta, então deixo aqui o que mais me chamou atenção.
Primeiro: A disposição que Desmond tem em perdoar. Eu assumo que tenho dificuldades imensas em relação ao perdão e vendo tudo que o personagem sofreu é não somente admirável, mas motivadora a decisão que ele toma ao perdoar o pai. Sei que em momento algum ele explicita este perdão de maneira verbal, mas as atitudes dele falam por si só. Deixo claro aqui que eu não sou boa em conter spoilers, então me perdoa haha
Se você se alista em meio a uma guerra é de ciência que você vai tocar numa arma, no mínimo, e com 99% de chance você vai dispará-la e matar alguém. Mesmo assim Desmond Doss vai ao exército com o intuito contrário: Ele não vai tocar em uma arma, não matará ninguém para não ir de contra seus princípios. Doss vai à guerra com o intuito de salvar vidas e, em meio a todo treinamento, sendo humilhado e ofendido pelos seus colegas e superiores, permanece firme em meio a sua decisão, porque compreende que esta mesma decisão não se fecha em um âmbito pessoal, mas é algo que pertence a algo maior (sabemos o que é este Algo). O mais corajoso de tudo isso é o fato de Desmond não deixar com que todos estes acontecimentos ao seu redor interfiram em sua fé e em sua relação com seus colegas. Mesmo que eles não o compreendam e até mesmo o odeiem, Desmond não cria um sentimento de ódio ou vingança em relação a eles. Como um dos personagens fala em dado momento: ''Se ele lhe der o céu, lhe dê o inferno''. Este dar o céu em meio ao inferno acaba criando um respeito de seus colegas para com ele. É inquestionável o ato de heroísmo dele, mas ao meu ver seu maior heroísmo se deu em não desistir quando todos pediam que ele desistisse e se ofertar àqueles que estavam abandonados e necessitados. Falei demais o resto é por conta de vocês.

3. The Crown
Esta é uma série, não um filme. The Crown até agora só tem uma temporada e esta conta a trajetória da Rainha Elizabeth II nos princípios de seu reinado. Devo admitir que não sou de maratonar séries e muito menos sou/era interessada na realeza. Até assistir The Crown. Eu tinha um olhar bem diferente da rainha Elizabeth, acreditava que ela era uma megera e que devia ter uma posição nada flexível em relação a determinados assuntos. Talvez ela seja, afinal, eu não resido na casa dela, mas a série me fez ter um novo olhar sobre ela. Mostra uma Elizabeth insegura e sem saber como assumir seus deveres monárquicos, mas que aos poucos, com todas as dificuldades, vai se desenvolvendo. Elizabeth, com a morte do pai, passa a ser não somente rainha, mas chefe do lar, então todas as responsabilidades e deveres caem sobre seus ombros, criando assim uma pressão. Tomando o ponto de vista religioso, apesar da religião da rainha ser o anglicanismo, pude enxergar vários valores cristãos. Em um episódio Elizabeth questiona sua avó de por qual razão há uma celebração religiosa para sua coroação e esta explica que mais do que uma obrigação e dever político há uma vocação nisso tudo, há um laço com o próprio Deus e que por mais que a rainha se dirija ao povo, ela deve ter responsabilidade com o cargo que exerce por nele ela diretamente ter uma ligação com Deus. Tirando os embasamentos político-sociais, podemos ver isto em nossa vocação também. Quando nos batizamos somos chamados a ter esta identidade única de rei, sacerdote e profeta e com ela temos que ter respeito e compreender que esta não é somente um rito, como tem sido secularizado ultimamente, mas que a partir deste sacramento estamos intimamente ligados ao próprio Deus. Este chamado/dever monárquico de Elizabeth é mais uma vez relembrado por sua avó quando esta diz que a partir daquele momento morre a Elizabeth Windsor (nome de batismo da rainha) para então viver somente a Elizabeth Regina (Rainha Elizabeth). Muitas vezes ambas entrarão em confronto, mas o chamado a deve lembrar que é a Elizabeth Regina quem deve ''vencer''. Vencer sobre seu individualismo, muitas vezes sobre seus achismos e até em abdicar do seu querer em prol da nação. Conosco não é diferente. Somos chamados a morrer para nós mesmos, muitas vezes entrando em conflito com nossas comodidades, mas que estas sejam superadas pelo novo homem reinando sobre o velho. Fora este minha mania de olhar o subentendido a série é de uma incrível produção, com atuações excelentes - admiro o Matt Smith desde Doctor Who então foi fácil amá-lo como príncipe - e de uma fonte histórica sensacional, para quem gosta de história é um prato cheio, pois 80% da série é baseada em acontecimentos reais (literalmente, não deu pra evitar). 

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