Pare um pouco e olhe para o seu armário. Provavelmente ele tem algumas roupas, talvez algumas caixas e outros objetos. Você já parou para pensar se realmente precisa de tudo que está guardado ai? Não necessariamente no sentido de gastar com coisas fúteis ou inúteis, mas no sentido de se algumas coisas deveriam estar guardadas ou não.
Eu não costumava pensar sobre isso, na verdade nunca tinha o feito, mas chega uma hora na nossa vida que essas coisas são necessárias. Todo mundo sabe disso, que vivemos em ciclos e que devemos nos renovar constantemente, então por que ninguém fala sobre isso? Na verdade quase ninguém te conta porque é difícil para todo mundo, é nossa fraqueza, nossa sina. Uma coisa que poucos sabem fazer e quase ninguém sabe ensinar é que devemos aprender a deixar ir, e isso não é fácil.
Como é bom nos envolvermos com as pessoas, não é? Quantas vezes uma amizade nos salvou quando precisávamos de ajuda, ou um namoro complementou nossa experiência de vida? É importante que nos relacionemos com quem vive ao nosso redor. Compartilhar parte de nossa existência com outra pessoa é uma experiência única e valiosa que, infelizmente, parece ter perdido o valor com o passar do tempo.
Por outro lado, nós sabemos que nada neste mundo é pra sempre, que pessoas vem e vão a todo momento e deixam marcas profundas no nosso coração, boas e ruins. A grande questão aqui é que costumamos pensar que estas marcas são eternas, mas, assim como todo o resto, elas não são! Por mais que doa, elas acabam um dia, e assim devem, simplesmente pelo fato de que nossa vida não é, e nem deve ser, algo estático. Estamos sempre em movimento e nossa percepção da realidade muda conforme progredimos e absorvemos mais do mundo à nossa volta. Não faz sentido que procedamos de uma mesma maneira ao decorrer da vida. Durante o tempo que passamos aqui na terra, aprendemos coisas novas, refinamos o que aprendemos, por vezes mudamos nossos pensamentos ao ver que existem visões melhores, e assim vivemos. Por mais que o nosso proceder seja convergente para o mesmo fim durante nossa existência, a maneira como procedemos muda, se aperfeiçoa, é corrigida. Se é assim com boa parte da nossa vida, por que deveríamos interagir com a memória de alguém da mesma forma para sempre? Tudo bem o fato de guardar esta memória conosco, afinal não somos privados de sentimentos e existem pessoas e histórias que nos são caras, mas o que nos impede de deixar passar os sentimentos que nos prendem e não deixam que nosso progresso ocorra?
"Treine a si mesmo para deixar ir tudo que você teme perder"
- Yoda (Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith)
Quantas vezes insistimos nessa mania de nos prender ao passado, de tentar trazer de volta algo que não deve voltar? Cara, é difícil, mas não dá para simplesmente levar a vida com a barriga e esperar que as coisas melhorem se não nos dispomos a dar o maior passo nessa mudança! Não são raras as situações em que eu me pego pensando em como eu montaria minha vida se pudesse voltar no tempo com a consciência que tenho hoje e pudesse consertar algum erro que cometi. Nessa semana mesmo, passei todo meu trajeto de ônibus de São José até São Paulo imaginando quais seriam as consequências de voltar uns 5 anos na minha vida e mudar tantas coisas que eu fiz, tentar fazer de outro jeito, mas a verdade é que a gente não sabe como o resto ficaria por mais que tentássemos dar um jeito de justificar e manter algumas coisas. Não rola!
O que eu quero dizer é que, por diversos motivos, sempre temos aquela ou aquelas pessoas que permanecem nos nossos pensamentos mesmo quando a história com ela ou elas acabou. (Diga-se de passagem que permanecer no pensamento não é o mesmo que permanecer na memória). Nós achamos que isso é bom, mas quando passamos a ter medo, ou até deixamos de construir novas histórias isso se torna prejudicial. É importante que façamos esse pequeno exercício de imaginar você e tal pessoa em uma estrada, frente a frente. Tentar pensar em ambos sorrindo e, por um momento, respirar fundo e agradecer por todas as lembranças. Isso é um passo importante. Devemos ser gratos pelas nossas experiências, afinal, é sua diversidade que confere o caráter fluido à nossa vida e nos tira da monotonia. Em tudo dai graças! As pessoas podem ser duas coisas na nossa vida: uma bênção ou uma lição, e ambos são igualmente importantes. Depois precisamos respirar fundo mais uma vez, pela última na verdade, e deixar que essa pessoa caminhe seu caminho seja lá para onde, mas não podemos ficar parados. Precisamos caminhar o nosso e entender que, não necessariamente nossos caminhos não se cruzem novamente lá na frente, mas que isso não deve ser preocupação porque a parte que importava já se foi. Não podemos acrescentar nada a partir de algo vazio, por isso não adianta preencher seus pensamentos com este desejo de ressuscitar o que deve ficar morto pois aquilo que devia ser adicionado já o foi. Se demos valor ou não para aquilo enquanto tínhamos chance é outra história, mas hoje, agora temos uma nova chance de, daqui pra frente, trabalhar isso e dar mais valor para como a vida se apresenta para nós hoje.
Sei que pode parecer duro e talvez insensível, mas, se não fechamos esses ciclos na nossa vida, corremos um risco enorme de nos amargurarmos pouco a pouco, e acredite, a dor de se sentir uma pessoa amarga é pior do que a de deixar ir.
Não espero que nada disso seja levado como lei, até porque muito do que falei é subjetivo demais para ser generalizado, mas que possamos, passo a passo, encontrar na nossa vida esses detalhezinhos que precisamos consertar mas que não o fazemos porque não damos atenção.

4 Comentários

  1. Respostas
    1. Espero que tenha te ajudado <3 Fica com Deus!

      Excluir
  2. parabéns incrivel, os desejos de se ter aquilo que foi, as vezes se tornam magoas com o tempo, e so faz mal a si msm por não permitir que aquele que se foi, vá.

    ResponderExcluir
  3. Perfeito! Precisava ler isso.. Deus abençoe!

    ResponderExcluir