Gosto muito de viajar, aliás, me questiono que tipo de pessoa não gosta (meu avô, por exemplo), mas isso é outra história. Minha família gosta de viajar, principalmente de carro, e pelos meus avós morarem a 6h de viagem de onde moro sempre fazemos um trajeto um tanto longo (o que particularmente gosto mais ainda). Durante todos esse anos fazendo essas longas viagens comecei a perceber que a chegada em ver meus avós é realmente maravilhosa, mas o caminho, os dias organizando tudo, é tão bom quanto. É claro que existem momentos de estresse: arrumar mala, por exemplo. Mas tudo acaba valendo a pena quando chega-se no destino.
Quando criança eu me impacientava rapidamente no carro, queria logo chegar e parecia que nunca chegava. A paisagem, naquela época, em um dado momento se tornava cansativa e monótoma para mim. E as canções no carro do meu pai (que hoje eu aprecio) eram detestáveis (MPB nos meus ouvidos de 8 anos era como soltar uma bomba). Vendo isso tudo eu olho o caminho que Jesus abriu (abraços para os Arrais) e que Ele me chama a trilhar percebo o quanto ajo como criança impaciente em dados momentos.
Às vezes sofrer as demoras começa a ser exaustivo. O caminho, aos nossos olhos imaturos, já não fica tão bonito. E as melodias que poderíamos cantar simplesmente se tornam impossíveis de serem ecoadas. Queremos ansiosamente chegar ao destino, de qualquer modo, sem preparar nosso olhar, nossos ouvidos... nossos sentidos. Eu pensei em retroceder, mas é perda de tempo, e Aquele por quem eu fui atrás volta a insistir na minha chegada.
Em longa batalha eu desisto e vou partindo. O meu coração dói, porque é difícil me desprender da ideia de retrocesso, das ideias de que sozinho basta, afinal, no meu desejo de voltar acabei me encontrando sozinha, e já não é preciso ir. Mas Ele volta a insistir e eu vou. Aos poucos consigo voltar a ver a beleza no árido sertão, e até nas árvores secas. A subida na serra eleva junto meu coração. Compreendo assim que tão boa quanto a chegada é o durante. Prefiro ir longe e acompanhada, do que rápido e sozinha.
O caminho muda, e muda o caminhante
É um caminho incerto, não um caminho errado
Eu, caminhante, quero o trajeto terminado
Mas, no caminho, mais importa o durante
Deixei pegadas lá no vale da morte
Um solo infértil aos meus muitos defeitos
Minha vida alargou-se em caminhos estreitos
E eu vi você
A Partida
E o Norte

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