Um dia você vai acordar, vai se olhar no espelho e se perguntar quem sou eu? Vai olhar ao redor e vai sentir que não pertence a lugar algum. Você vai ter momentos em que a esperança vai parecer ter desaparecido, o amor não significará praticamente nada e vai sentir como se fosse uma casca vagante, sem conteúdo. Muitas vezes, aquele bote salva-vidas vai te colocar a deriva no mar e você vai se sentir perdido.
A gente se sente assim, às vezes. Parece que falta carinho, que, por mais que nos esforcemos, nossa meta continua tão longe, que, por mais que tentemos melhorar, continuamos a mesma pessoa cheia de falhas. A gente sente como se andássemos em câmera lenta em meio a uma multidão apressada e atrasada, sem tempo pra nos ouvir, sem tempo pra se preocupar, e, no fim, nos sentimos menos importantes do que uma folha que cai no asfalto quente.
Todos nos sentimos assim, vez ou outra, e parece que não vamos achar escapatória. Que tudo que construímos até agora está perdido e não há como recomeçar. Temos a sensação de estar sozinhos, e essa é a cereja do bolo que tem maior parte em nos esmagar, de uma vez ou pouco a pouco. Somos engolidos por esses sentimentos que surgem aqui dentro e não sabemos como pará-los. Apenas nos rendemos e esperamos que logo passe.
Mas e se não passar?
Acredite, eu pensei seriamente em apagar esse texto porque não achava que ele iria nos levar a lugar algum, e é exatamente o que fazemos no decorrer da nossa existência. Temos esse hábito de achar que algumas coisas não darão certo, e as apagamos antes que tenham a chance de acontecer.
Sabe, é difícil, mas precisamos ser fortes e, mesmo sem ter vontade, tentar levantar e continuar, caminhar. Eu sei que a vida perde o gosto às vezes, mas, cara, não é porque você perdeu o paladar que vai deixar de comer. Não é assim que as coisas funcionam. Eu sei como é ter que perder algumas horas de sono todos os dias para acordar cedo e continuar com a rotina monótona, eu sei como é olhar para as pessoas que você amava ontem e não sentir nada hoje. Eu sei como é estar cercado pelo mundo e se sentir abandonado, como é precisar de um tempo sozinho e não ter. Essa privação de si mesmo dói porque não pode ser evitada. As nossas obrigações nos exigem sacrifícios duros e por isso parece que o peso nas nossas costas aumenta.
Como Madre Teresa uma vez pediu a Deus, precisamos ter ombros fortes para aguentar carregar nossa Cruz. Nem sempre teremos vontade, nem sempre teremos força, mas é necessário porque, muitas vezes, será tudo que teremos.
Temos que continuar caminhando, no fim das contas, talvez não porque devamos ou queremos, mas porque a estrada só tem sentido se alguém passar por ela.

2 Comentários

  1. Sou eu nesse texto! Meu Deus.. me descrevo em cada palavra..

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  2. Parabéns pelo belo texto! Iniciar a Quaresma com essa linda leitura foi muito bom.

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