''E se acaso não souberes em que lugar me escondi
Não busques aqui e ali, mas se me encontrar quiseres
A mim, buscar-me-ás em ti, buscar-te-ás em mim.
Sim, porque és meu aposento, és minha casa e morada''

Essa letra de Santa Teresa D'Avila, que virou canção da Ir. Kelly Patrícia, é de fato uma riqueza. Muitas vezes me questionei (ainda questiono) quem me conhece verdadeiramente. Eu tenho bons amigos, tenho meus pais, minha mãe sabe me ler de um modo que nem eu sei, tenho meus irmãos comunitários... mas a realidade é que ninguém me conhece tão bem quanto eu!
Você pensou que eu responderia Deus, calma aí. Já chegamos lá.
O que não falta em livrarias hoje são livros de autoajuda, as prateleiras estão abarrotadas de páginas que nos mostram ''os caminhos para se conhecer''. Talvez ajudem? Sim, mas nada vai nos dizer quem realmente somos além de nós mesmos.
E qual a importância de se conhecer? O mundo de hoje nos arrasta para que sejamos tudo, menos a nossa essência original. Quantas são as pessoas que sofrem pelos comentários alheios? Quantos de nós age de acordo com as normas e modas ditadas pelo comum? Quantas vezes nossa autoestima, nossa personalidade, nossa dignidade é ferida por um mundo que se preocupa em modelar e manipular as pessoas? Tudo isso é gerado pela distância que temos de nós mesmos. Não nos conhecemos, não sabemos quem somos.
Permitam-me uma breve exposição: Minha adolescência foi marcada por eu sempre ter dependências afetivas. Em relação a amizades, familiares e claro, relacionamentos amorosos. E quanto mais eu tentava me aproximar das pessoas, de um modo nada saudável, criando sempre expectativas frustradas de que elas me completassem e pensando no que elas pensariam de mim, mais eu acabava criando um abismo entre eu e eu. Com o tempo, com as feridinhas criadas no meu coração, e até hoje neste processo de cura eu fui percebendo: Por mais que eu esteja com outras pessoas, e que elas me ''conheçam'', ninguém de fato vai me conhecer. Uns dias atrás eu me queixava de ser fechada e restrita aos outros, mas percebi que isso é da minha personalidade. Eu devo melhorar? Sim! Eu sei o quanto dói em quem eu amo, e me ama, eu ser esse pote fechado. Mas compreendi que quem realmente me ama vai esperar o tempo certo para que eu revele o meu interior, e não vai ficar forçando abrir. Forçar abrir um pote muito fechado, já sabemos: É difícil e fere a mão que é uma beleza.
Isso eu só pude compreender com esse negócio de autoconhecimento. E Deus? Deus não me conhece? Cara, Deus é quem mais me conhece! Mais do que eu! Ele tem sido o Paciente #1 durante esses 19 anos de pote fechado. Ele não força, Ele vai sempre esperando que eu me abra a Ele. Quando eu entendi isso eu pude ver que por mais que muitos me amem, e eu os ame, ninguém é tão acolhedor e respeita quem eu sou como Jesus. Aceita essas minhas dificuldades, desafios e sempre espera, sem forçar, que eu me revele a Ele. O mais lindo ainda: quanto mais O conheço, mais me conheço. Como a música citada no início: ''buscar-te-ás em Mim''. Não é à toa que é de Santa Teresa D'Avila: Ela acreditava fielmente que conhecendo a si, conheceria a Deus. E qual o melhor caminho para isto? Claramente, a vida de oração.
Esqueça os livros, as palestras. Foque no silêncio, na calmaria. No chão do seu quarto. No banco na frente do Santíssimo. É só você e Deus.
Que você se sinta chamado a abraçar esta jornada de autoconhecimento e que Deus te ajude neste caminho. Paz e bem!

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