Santo não é aquele que não cai, mas aquele que sempre levanta.
Engana-se quem acha que a santidade é algo que depende somente da nossa força de vontade e do nosso esforço para ser alcançada, que se trata simplesmente de deixar de fazer coisas erradas e pronto, estou vivendo a santidade. Antes de tudo, a santidade é a nossa vocação maior. Quer dizer que somos chamados a corresponder os sonhos de Deus enquanto O buscamos com plena abertura de coração e nos convertendo diariamente.
Durante muito tempo eu achei que a minha santidade era medida pela quantidade de missas que eu ia a cada semana, pelas horas de adoração que eu fazia ou pelos terços que eu rezava, mas, apesar de esses exercícios espirituais serem essenciais para a aproximação de Deus, eu os fazia da maneira errada. Não devemos buscar estas coisas porque pensamos ser melhores quando o fazemos, nem simplesmente porque devamos, fazendo virarem um peso, mas unicamente porque antes devemos entender uma coisa.
Devemos entender que a nossa proximidade com Deus não está nos nossos méritos. Se assim fosse, ai de nós que somos tão pequenos diante de tal grandeza do nosso Senhor. É preciso sempre lembrar que, se estamos aonde estamos, é porque alguém nos amou primeiro e quis nossa existência. De nada adianta minha fé ser grande ao ponto de mover montanhas, eu falar a multidões e elas se converterem se eu não entender que o amor, mais especificamente, o amor que Deus tem por mim é a base de tudo.
A conversão só é possível a partir do momento que eu percebo o quão miserável sou diante do Senhor e que, mesmo em sua grandeza, Ele me ama incondicionalmente e se aproxima a todo momento para me indicar o caminho. Os primeiros passos são dados quando, diante deste amor, nos decidimos a retribuí-lo agradando a Deus e nos afastando das coisas que nos afastam dEle.
Para isto, é essencial que nos despojemos de nós mesmos. E não estou falando somente de renúncias, pois estas são vazias de sentido se as fazemos pensando em nós mesmos. Esse despojamento significa enxergar o quão pequenos e falhos somos, que não conseguimos ser isentos do pecado, do erro, do engano. É necessário deixar nossas certezas de lado e confiar unicamente na misericórdia de Deus para conosco, nos entregar a esse grandioso amor e deixar que seja ele que fará suas obras em nós e nos outros. Se nos cegamos e buscamos a Deus ou às coisas de Deus porque nos sentimos melhor ou por benefício pessoal, caímos em um erro terrível que dificilmente será corrigido. Nós buscamos a Ele porque precisamos dEle para viver, porque, na nossa miséria, é a única maneira em que somos capazes de sermos gratos pelo Seu amor.
Por fim, confiando na divina misericórdia, devemos ter em mente que sempre que caímos, Deus nos olha daquele momento para frente, nunca para trás. Não significa que o pecado esteja apagado, mas que ele não tem a menor relevância diante do olhar que Deus nos lança. Ele se aproxima ainda mais de nós e nos convida a buscarmos a reconciliação sacramental para continuar caminhando.

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