Desde que fui inserida, despercebidamente, nessa grande realidade da vida amorosa, eu via os meus amigos ficando com outras pessoas e não conseguia entender o que aquilo significava e para onde caminhava. Numa conversa recente, um amigo me contava sobre as garotas que beijou na balada e, quando perguntei a ele os nomes dessas garotas, ele não soube me dizer. Não tenho mais doze anos, mas algumas coisas ainda não fazem sentido para mim.
Eliza:
Você se aproxima de alguém, demonstra a ela algo que deveria ser fruto do amor e, sem avisar, vai embora. Você arranca as flores sem ter plantado as raízes. Não estará lá nos outonos quando a beleza se for, ou nos invernos quando precisar de aconchego, ou nas primaveras quando as flores voltarão mais bonitas, ou nos verões para vê-la crescer. Você chega em alguém como se o conhecesse e vai como se ele não existisse. Mas a verdade é que as pessoas existem e são infinitamente mais do que uma simples boca. Existe um universo gigantesco dentro de cada um e é impossível desvendá-lo em alguns minutos.
Sempre existirão coisas que me encantam muito mais do que uma troca de saliva por diversão – ou carência, talvez. Prefiro mostrar ao outro inteiramente quem eu sou, contar as minhas histórias, jogar na mesa os meus defeitos, abrir a porta dos meus medos, dividir os meus sonhos, os meus planos, a minha vida. Prefiro ter alguém na mesa de amigos que vai rir comigo das minhas piadas internas. Alguém que diga aos outros “ela é assim mesmo”, porque, de fato, me conhece.
Não quero usufruir do que o corpo de alguém pode me oferecer e ignorar toda a poesia que existe ali dentro. Relações vazias nos privam do mais bonito em uma relação: desvendar o outro. Desvendar a boca não é nem de longe tão incrível quanto desvendar a alma. Alma aquela que pode estar precisando de um abraço, de um ombro amigo, do próprio Deus que você pode transparecer; mas somos egoístas demais para enxergarmos essa parte. Nós queremos ver o verão, mas sem nos prolongarmos demais para o outono não nos pegar despercebidos.
A verdade é que as pessoas são muito mais do que vemos nas redes sociais. Nós julgamos amar ou odiar pessoas que nem conhecemos profundamente. Reduzimos todos àquilo que conseguimos ver sem analisar toda a grandeza escondida do iceberg. E então tratamos as pessoas conforme o tempo que queremos dar a elas. Cinco minutos numa balada, duas horas num cinema, sessenta anos numa vida.
Pessoas não são passageiras. Não são momentâneas. Não são rasas e não são quem nós pensamos ou queremos que elas sejam. Não se prive da coisa mais bonita da vida que é conhecer o outro e se deixar apaixonar por ele. Profundamente: sem maquiagem, sem efeitos do Instagram, sem máscaras. Te garanto que o que tem por trás disso é muito mais bonito. Não tenha medo de mergulhar fundo. Molhar os pés não é nada perto de conhecer o oceano. 

6 Comentários

  1. Texto maravilhoso, penso exatamente assim.

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  2. Linda reflexão. Penso da mesma maneira. Infelizmente, percebi que em nossa sociedade atual o que mais predomina são pessoas que buscam relações vazias. Sempre me afasto desse tipo de relação e busco prazer em outras áreas da vida. Nao me fechei para o amor, mas está se tornando algo muito raro 😑

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  3. Linda reflexão. Penso da mesma maneira. Infelizmente, percebi que em nossa sociedade atual o que mais predomina são pessoas que buscam relações vazias. Sempre me afasto desse tipo de relação e busco prazer em outras áreas da vida. Nao me fechei para o amor, mas está se tornando algo muito raro 😑

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  4. SOMOS UNIVERSOS EM COLAPSO...

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