Sabe, tem uma coisa que me impressiona em algumas pessoas, não que seja de todo bom, mas acho incrível a capacidade que alguns têm de estarem simplesmente destruídos por dentro, em pedaços, se sentindo sozinhos e deixados de lado, mas, ainda assim, demonstram cuidado pelos outros. É até um pouco difícil descrever, mas é como se fosse aquela pessoa que está em lágrimas há algumas horas e que vai ser a primeira a sorrir e oferecer ajuda se alguém estiver precisando.
É como se um sentimento estranho tomasse conta do coração, ele ficasse amortecido e, por um momento, a alegria de estar sendo prestativo para alguém fosse aquilo que aliviasse a dor por alguns instantes. Como se pertencer a si mesmo, naquela hora, não fizesse tanto sentido e a melhor saída é deixar os próprios quereres de lado e se doar a quem realmente necessita. Quase um Eu Menor Que o Mundo, citando Drummond
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança
Dizem que a melhor forma de suportar a dor é enfrentando-na, e acho isso um jeito peculiar de o fazer; inteligente, talvez. Veja, o que podemos fazer quando não podemos curar o que nos destrói? Acaso restaria a nós vagar, na espera de que aquele pequeno monstrinho resolva nos deixar? Não. Mais intrigante e arrebatador é o fato de sermos tão bons em nos adaptar às adversidades que descobrimos ser possível nos curarmos sendo remédio para os outros. Enfim percebemos que tratar nos outros o que nos aflige é de tão grande prazer e honra que nós mesmos não importamos tanto. Quem nunca olhou para a janela em um dia cinza e desejou poder fazê-lo claro para outra pessoa?
A máxima presente em Atos 20, 35 faz-se verdade quando, enfim, sabemos que há maior felicidade em dar do que receber.

2 Comentários

  1. Verdade,amada!
    Confirmo a Palavra de At.20,35 : é bem assim que a gente se sente!
    E tem uma frase da Clarice Lispector que diz "Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele.Guardei a minha no bolso e fui."
    Beijo !
    Deus te abençoe!!

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