Você já viveu a sensação de descobrir que estava com sede apenas após beber o primeiro gole d’água? Tranquilamente passando perto de um bebedouro, você decide molhar a garganta com um pequeno volume de água, e, quando começa a bebê-la, percebe o quanto você estava precisando daquilo, o quanto a sua boca estava seca. E você continua bebendo água, e não se sente saciado! Quantas vezes nós bebemos copos e mais copos de água, sem que a sede nos abandone?

Assim é, também, parte da nossa relação com Jesus. 
Não raro nós passamos rapidamente em frente à nossa Bíblia, olhando-a com certo desinteresse — desinteresse é a palavra, senão preguiça; não devemos minimizar as falhas da nossa relação com a Palavra. Não raro nós estamos matando, literalmente matando, um tempo na internet, no Facebook, no Instagram (vendo as histórias dos nossos amigos no Snapgram), enquanto poderíamos estar fazendo uma oração, uma reflexão, um momento espiritual com Cristo. Não raro abdicamos de compromissos com a Igreja, por estarmos... dormindo.
E, então, no meio de mais uma onda de descaso com as coisas do Alto, lembramos de ouvir o trecho daquela música que, certa vez, tocou o nosso coração; passamos em frente à Bíblia e decidimos abrir em um versículo qualquer, apenas para ler; acordamos no meio da madrugada, sem sono, e decidimos fazer uma breve oração, apenas para conseguir adormecer mais rápido. E é justamente nesses momentos, tão rápidos, que Deus nos mostra o quanto nós estamos precisando de muito mais que uma simples “pílula de fé”. 
Ele colocou em nós o desejo pela eternidade, o desejo de estar com Ele, o desejo de procurá-Lo. Isso significa que não importa o quanto você ache que consegue se sustentar com “pílulas”, cedo ou tarde você precisará de doses altas de Jesus injetadas na sua veia; temos abstinência de Cristo, sabia? Às vezes, nós nem estamos sentindo toda essa falta, mas o fato de nós não a sentirmos não faz com que ela exista menos; por isso, ao sermos pegos nessas ‘armadilhas do bem’, percebemos o quanto estávamos precisando daquele susto, daquela emoção, daquele indício: “é verdade, Ele sempre está aqui”.
Nada é em vão, quando advém do Pai. Nenhum chamado é gratuito, nenhuma “vontade” é casual, nenhum ímpeto que você sinta será oriundo de você mesmo, pois toda convocação é feita por Ele — ainda que breve, ainda que aparentemente despretensiosa. Tudo, tudo que é bom, faz bem e frutifica advém d’Ele, sempre d’Ele.
Deus não é um remédio para dores de cabeça, que você só toma quando sente um “incômodo”, ou quando “acha que deve”. Deus é Aquele para quem você vive; e a sua vida não pode ser esporádica.

Um Comentário

  1. Texto maravilhoso! Aliás, amo todos os seus textos! Continue assim irmã! Deus te abençoe

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