Leia ouvindo essa música.
Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi: meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. (Lc 15, 18-19)
Foi ali, naquele momento de fraqueza da minha alma que eu rompi contigo, Pai. Tu, em tua infinita bondade, me deste a liberdade e eu abusei dela para satisfazer aquilo que minha tola alma desejava. Em sã consciência me afastei de ti, da tua graça e mergulhei nas trevas porque meu intelecto ínfimo não tem a capacidade de manter uma união estável com o teu Espírito. Eis que caminhei meu caminho, tendo a ilusão de ter as mãos livres, quando estavam atadas às correntes invisíveis da morte e do pecado, mas, graças aos teus constantes chamados e aos constantes esforços deste tão amável ser celeste que colocaste ao meu lado para me guardar, meu coração contemplou o vazio que existia em suas raízes e se voltou a Ti.
Como fui burro. De nada adianta afastar-me, iludir-me achando que tudo está bem. Não está. Como poderia, se estou longe de ti? Ainda me impressiono com a insistência que Tu tens em me perseguir, e Te agradeço por isso. A cada segundo que estou longe da Tua graça, Tu elaboras mil maneiras de se colocar à minha frente e perguntar-me quando voltarei para casa. Ah, Senhor. Como posso aceitar tal convite? O que um pai esperaria de um filho que cuspiu na sua face e deu as costas, mesmo tendo o cuidado por tantos anos. O que esperarias Tu de um ingrato como eu? Um ser fraco, pífio e inconstante que sempre pisa em Ti e vive fazendo falsas promessas de permanecer na Tua graça.
Me irrita a minha incapacidade de entender a grandeza do Teu amor por mim. Tantas vezes vim à Tua presença, me colocando como um servo, um escravo, alguém totalmente indigno de tamanha presença e, ainda assim, me chamaste pelo meu nome, me chamaste de filho, de amado, de precioso. Acaso não viste que tua preciosidade está imunda e chagada? Como poderia Tu deixar que eu, imundo como sou, entre em Teu santuário, me ajoelhe em Tua frente e Te adore?
No fim, acho que tudo que o Senhor quer é ter-me por perto, não?
Olhando todo esse carinho que Tu tens para comigo, minha alma chora tanto. A sensação que muitas vezes tenho é a daquele esposo infiel que vê sua esposa pela primeira vez desde que ela descobriu o que andou fazendo. É uma imagem muito forte, mas não chega perto das feridas que causo ao Teu sacratíssimo coração. Nós, humanos cometemos tantas atrocidades contra Ti, nas pequenas e grandes coisas somos infiéis, fazemos pouco caso do teu sacrifício, somos mais um na multidão que cuspia na Tua cara e te maldizia. Até mesmo aqueles que estão próximos de Ti por mais tempo são hipócritas, vez ou outra, e ainda assim não cessas de nos amar.
Senhor, tudo que posso pedir é que me perdoe. Mesmo que eu não compreenda, Tu deixaste este maravilhoso sacramento da Reconciliação que é a única forma de estar em vestes limpas novamente para Te receber no lindíssimo sacramento da Eucaristia. Tu deixaste as fórmulas corretas para que eu transforme todo o arrependimento deste coração ferido em graça.
Eu sou pequeníssimo, grão de areia em Tuas mãos, um Deus imenso que, por amor, se deixa alcançar. Entendo a pequenez da minha alma perto da imensidão da Tua misericórdia, e tudo que posso fazer e Te adorar e aceitar Teu amor, Teus esforços para me resgatar.
Eis me aqui, Senhor. Faça-se em mim conforme a tua vontade.

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