O mundo é tão grande. Às vezes olho pra imensidão desse planeta e penso no quão pequena eu sou até mesmo para realizar os meus próprios planos. Tantas coisas acontecendo por ai, tantas pessoas realizando sonhos, conquistando o mundo e eu não consigo nem terminar de arrumar meu quarto num dia só. Me dói um pouco ver que os outros parecem ser milhões de vezes mais produtivos do que eu e parecer que não sou suficiente para cumprir as coisas que eu deveria. Triste, ainda, é ver o quão presa em mim mesma eu estive durante tantos anos. Talvez, no final das contas, tenhamos nascido para desbotar.
É fascinante como o tempo parece não existir quando a tristeza toma conta da gente. Alguns dias parecem meses enquanto alguns meses parecem horas, e quando abri os olhos já era dezembro. Como esse mês é difícil. Coisas para terminar, pessoas para se despedir, festa aqui, festa lá, fogos, "novo ano, novo eu" e por aí vai. Sendo sincera, eu só estava a fim de ficar deitada o dia todo lendo alguma coisa, se bem que nem vontade de ler eu tinha mais. Ai, cara. Como eu vim parar aqui?
Aos meus pés eu só via os pedaços de pedra que separavam meus pés entre a terra firme e uma queda enorme, escura. Meu abismo.
Com o tempo aquela borboleta azul começou a pousar sobre meus ouvidos e eu ouvia seus sussurros, o seu falar comigo em cada bater de asas. Eu estava presa. Não havia muita coisa que eu podia fazer. Minha perna demorou o triplo do tempo para melhorar, acabei ficando doente e dei tanto trabalho pra minha família que no final fui apenas um peso.
Talvez seja hora de deixar a vida das pessoas mais leve, inclusive a minha.
Esse abismo nem parece tão fundo, pra falar a verdade, e eu até que me acostumei com a escuridão. Olhando por um tempo para baixo eu notei algo que não prestava atenção a tempos. Como eu emagreci! Deixei tanto de prestar atenção no meu corpo. Fica até um pouco difícil de me reconhecer. Bom, isso não importa. Talvez seja hora de dar meus próprios passos e finalmente eu mesma realizar algo na minha vida, mesmo sendo a última coisa.
Os primeiros passos até que são fáceis, mas o chão vai ficando cada vez mais frio, algumas pedras começam a machucar meus pés, mas acho que essa caminhada é assim mesmo. Finalmente cheguei à beira do abismo onde tudo acabaria. Sabe, quando se olha por muito tempo para a escuridão, eventualmente se vê alguma coisa, mas, olhando para baixo, fiquei intrigada ao não enxergar nada, só um breu. Bom, não importava. Ali eu dava meus últimos passos.
Não, espera.
O que foi isso?
Alguém cutucou minhas costas?
Sim! O que era aquilo? Um garotinho? Como assim?
Ele deve estar perdido por aqui, melhor eu fazer alguma coisa. Eu queria muito perguntar o nome dele, mas estou tão confusa. Bom, ele pediu pra que eu segurasse sua mão, talvez esteja com medo. Não, o rosto dele não está com qualquer expressão de medo. Na verdade ele parecia estar calmo, sereno, tranquilo. Ele parecia querer conversar, então sentamos e trocamos algumas palavras.
Pelo que parece ele tinha vindo de longe com a sua família porque estava acontecendo algum tipo de perseguição. Sua mãe era bem nova, sendo seu pai alguns anos mais velho que ela, e eles procuravam algum lugar para se abrigar desde que ele nascera. Parece que eles sofreram bastante para que esse menino estivesse no mundo. Ele disse que no lugar onde ele nasceu não haviam hospitais e ele teve que nascer em um lugar qualquer porque as pessoas não queriam abrigá-los.
Por mais que eu quisesse ajudá-lo, precisava terminar o que eu tinha começado. Como ele havia deitado e parecia dormir, voltei de onde tinha saído e estava decidida a pular. Respirei fundo, contraí minhas pernas, mas, quando fui tomar impulso, levei um grande tranco e vi que aquele garotinho segurava minha mão com força. Como assim um menino daquele tamanho conseguiu me segurar com uma mão?! Tentei me soltar e correr mas não adiantava. 
Comecei a chorar compulsivamente, caída aos pés dele. Mas que droga! Por quê? Por que agora?!
Um sono profundo começou a tomar conta do meu corpo, como uma anestesia, e, ao olhar para o menino, vi que ele brilhava. Com o balançar de suas mãos ele fez com que o abismo se fechasse bem na minha frente, e antes de dormir e acordar na minha cama, o ouvi dizer esta pequena frase:
"Pode descansar, minha filha. Eu assumo daqui"
Era noite do dia 25 de dezembro.

6 Comentários

  1. ME AJUDOU BASTANTE ESSA HISTÓRIA, EU MIM SINTO ASSIM E DEUS SEMPRE ME AJUDA A PASSAR POR DIFICULDADES, BARREIRAS E ELE É MEU PAI ELE CUIDA DE MIM ATÉ DOS ÚLTIMOS DETALHES POIS ELE É PERFEITO... SEGURA NA MINHA MÃO E ME LEVANTA PARA NOVAS BATALHAS.

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    1. Que bom ouvir isso. Histórias sempre ajudam a gente a passar por várias coisas :)

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  2. Não to aqui pelo post em sí, mas para dizer qe encontrei seu blog ai na blogosfera ao acaso e achei tudo tao lindinho, tudo tão clean, me sinto bem em navegar nas suas paginas!


    2017 já me presenteando em conhecer blogs lindinhos! ♥

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    1. Que bom que gostou do blog. Aproveite :D

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  3. Genteeeee, que texto maravilhosooo <3 <3

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