Pai:
Perdoa-nos, nós não sabemos o que fazer.
Nós não ouvimos o que dizemos. 
Nós não conhecemos o caminho.  

Pai:
A morte vem.
Dura, truculenta e poderosa.
O mal toma parte do mundo.
O céu é perigoso.
O Céu é esquecido.
O homem corre riscos.
A mulher corre riscos.
A criança corre riscos.
E a vida,
que sequer nasceu,
sequer nascerá.

Pai:
A vocação persiste.
O chamado, nos incomoda.
Tapamos nossos ouvidos medrosos
que protegem nosso coração
ainda de pedra.
Somos convocados a servir na guerra.
Somos convocados a segurar as armas da Palavra.
Somos convocados como filhos.
E gentilmente declinamos,
como desconhecidos bem educados.
Pai:
Ele nos convida a comer o pão que é pedra.
Comemos.
Ele nos convida a reinar sobre o mundo.
Reinamos.
Ele nos induz a segui-lo.
Cegos,
ou não,
seguimos.
E Tu,
que és,
do princípio ao fim;
Tu, que és
o princípio e o fim,
nos convida à eternidade.
E há silêncio.
Somos silenciosos.
Pertencer a Ti é barulhento.
Pai:
Quando acertamos,
acertamos por humanamente sermos bons.
Quando erramos,
erramos por Vossa divina permissão.
Somos o que somos:
ingratos.
Nas igrejas,
ouvimos Teu Filho expulsar os traidores.
"Hipócritas!",
Ele grita.
Somos o que somos:
expulsos.
Pai:
E quando o Senhor voltar?
Eu sei que Tu és perdão,
e perdoaria.
Eu sei que Tu és amor,
e amaria.
Mas sou eu,
Pai,
sou eu
quem não suportaria
vê-Lo crucificado.
Minha força mal treinada
Lhe poria pregos nas mãos.
O fim se aproxima,
e sequer para o fim
este mundo está pronto.

Abba, Pai:
Eleison!

Não temos tempo.
Não mais.

Abba, Pai:
Eleison!

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