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Eu sei que pode ser difícil admitir que um relacionamento nos faz mal, principalmente quando os nossos sentimentos se tornam tão latentes, como acontece em muitos casos. Mas é preciso, a todo instante, ponderar: até que ponto agrada a Deus que eu me mantenha ao lado de determinada pessoa? Até que ponto eu mantenho meu namoro por ser o que Deus quer de mim, e não o que eu gostaria que Deus me desse? Até que ponto eu deixo a minha humanidade interferir nos planos divinos que foram ornados para mim? E mais: até que ponto a minha teimosia impede Deus de agir inteiramente em minha vida, transformar-me, moldar-me à Sua vontade? 

Eu não quero, aqui, dizer que se deve agir com frieza, que se deve abdicar radicalmente de quaisquer companhias que não sejam aquelas que lhe acompanham à Igreja, que se deve renunciar às pessoas como se renuncia aos prazeres do mundo: não. Mas é preciso admitir, para nós mesmos, quando um relacionamento começa a ser nocivo à nossa fé. Ontem, conversando com uma amiga, falei sobre isso: "Ou a pessoa lhe afasta, ou ela lhe aproxima de Deus; não há mornidão de influências num relacionamento". E é assim mesmo: às vezes, iniciamos uma caminhada, um namoro, por motivos tolos, banais, e humanos, quando, em verdade, deveríamos nos perguntar se essa união é agradável aos olhos de Deus. Não se namora por carência (coloquemos isso em nossas cabeças de uma vez por todas!); não se namora por conveniência, por pena, nem por passatempo: namoro não é brinquedo nas mãos de uma ou duas crianças - ou, pelo menos, não deveria ser.

Unimo-nos por um objetivo em comum. Não devemos namorar por querermos um alguém indefinido, como se puséssemos nossas esperanças e nossa fé em homens ou mulheres comuns e desconhecidos, ao invés de colocá-las em Cristo. Não se deve esperar por Marias em ambientes que, visivelmente, desconhecem o significado da modéstia; não que não haja surpresas, não que Deus esteja apenas onde os fiéis acreditam que Ele estará; mas, apesar disso, é preciso admitir, para nós mesmos, que nem tudo, nem todos, nos convém. E que ao unirmos com um(a) parceiro(a) que não é tábua de salvação, que não nos conduz ao bem, que não nos aumenta a fé, estaremos impedindo o próprio Deus de ser inteiramente em nós. A clássica ideia "Eu vou conseguir mudá-lo(a), e ele(a) será novo(a)!" é tentadora, quase nos parece louvável, mas não é assim que funciona - a começar pelo fato de que quem opera mudanças, transformações, sobretudo as radicais, é Deus, e não você; você é uma ponte, um instrumento, uma mão de confiança que resgata a alma parceira da secura de uma terra infértil e a mergulha num rio de águas belas e límpidas. E eu pergunto: como ser ponte para alguém que não deseja mudar de caminho? Como ser elo entre Deus e um homem que não se permite a Deus? Como caminhar em meio à cegueira, sem enxergar luz que revele o fim da escuridão? Como, eu pergunto, como se ousa querer forçar Deus a fazer milagres, apenas para que a sua vontade humana, muitas vezes carnal, seja satisfeita, em detrimento dos inúmeros recados de "Perigo: é melhor não prosseguir!" que Deus lhe concedeu? Você não consegue ver ou você não quer ver?

Eu sei que é difícil, mas pondere: aonde seu namoro levará vocês? Ou, melhor: esse namoro levará vocês a algum lugar? Quanto tempo até a castidade (e eu não me refiro, aqui, apenas à sexualidade) ser desrespeitada? Quanto tempo até que a luta pareça em vão? Quanto tempo até cansar-se de dar murros em ponta de faca afiada? Quem é você, quem é ele(a), e o que, juntos, pretendem fazer e viver no futuro? Aliás: há futuro em vocês, juntos? Quem lhe diz que há futuro: a sua vontade ou o Santo Espírito? Você ora? Você se importa o suficiente para orar? Em que passo vai essa caminhada?  

É preciso muita oração, muito discernimento, muita paz e muita fé, para não cairmos no engano de levar uma batalha para dentro de nossa própria casa. É preciso parar de banalizar a realidade, o envolvimento afetivo e a profundidade de um namoro. Nem todo casal, de fato, chegará ao matrimônio, e nós sabemos disso, mas isso não que significa que estarão permitidas livres uniões supérfluas sem valor ou objetivo alguns, pelo contrário: isso significa, justamente, que precisamos pensar muito antes de assumirmos tal compromisso. Se você não está pronta, apenas não force; se não houve um "sim" de Deus, da mesma maneira pela qual você não deve forçar seu pai a aceitar um namorado que ele não aprova, você também não deve forçar Deus Pai a vê-la num relacionamento fadado a dilemas.

Decida a quem você quer agradar primeiro: a si, ou a Deus.  Decidido isso, decisão alguma parecerá inviável, implausível, impensável ou injusta. Apenas decida. E lembre-se: a solteirice não deve ser um problema; problema é permanecer unido a quem, ao fim do dia, lhe faz sentir-se mais solitário do que quando você estava solteiro. Cuidado!

Salve Maria! E que venha o menino Jesus! 

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