"Eu nunca fui de prestar muita atenção nessas pessoas de igreja que ficavam me parando na rua. Era sempre o mesmo papo: "Posso falar do amor de Deus?" Ou então "Venha experimentar a cura de Jesus Cristo". Eu sei que Deus me ama, o problema era que eu não amo a Deus, e porque eu o amaria? Ele nunca fez nada por mim... Até que chegou um dia que uma moça me parou na rua e dessa vez eu prestei atenção. Não sei porquê, talvez pelo seu jeito simples e sua calmaria. Ela era baixinha, morena e tinha uma vontade grande de estar comigo, roupa normal, cabelo normal, jeito normal, mas um coração tremendamente grande. O papo também começou diferente, dessa fez foi um papo sem a obrigação de eu responder. Ela veio com um oi e se apresentando, perguntou onde eu estava indo e eu respondi: "Trabalhar".
– Onde você trabalha? – Ela se interessou
E então veio a resposta que todos se surpreendem, e eu gosto de levar essa surpresa para as pessoas.
– Sou garota de programa – respondi sorrindo e com muito orgulho.
E dessa vez quem me surpreendeu foi ela. Perguntou onde eu trabalhava e se eu tinha um tempinho de conversar. Apenas conversar, contar sobre a vida. E caramba... Faz tanto tempo que não converso com alguém. E essa moça não olhou para a roupa que eu estava usando, não reparou na minha maquiagem marcante, nem ligou para o tamanho dos meus saltos. Decidi que queria conversar com essa moça, pelo simples fato dela não ter me julgado com o olhar.
Entrei naquele lugar no qual ela tinha me levado e fiquei admirada na quantidade de gente que tinha, e percebi que no centro havia a Eucaristia. Quando mais jovem já frequentei a Igreja Católica. Afinal, minha mãe me abandonou quando criança, meu pai faleceu antes de eu o conhecer e eu nunca tive um lugar para morar, então tive que ficar encostada por ai, até crescer e arranjar um serviço. E a Igreja me acolheu, me educou, me alimentou e depois me largou, como todos os outros.
Ao entrar naquele lugar comecei a me sentir envergonhada por causa da minha roupa, apesar de não ligar para Deus, eu sempre me importei muito com o que as pessoas pensavam de mim. E novamente fui surpreendida... Ninguém olhou para mim, ou melhor, até olharam, mas não para meu corpo e sim para os meus olhos.
Comecei a conversar com aquela moça e ao mesmo tempo senti meu coração se amolecendo, talvez seja o jeito delicado que ela conversava comigo, ou talvez seja a minha vontade de contar sobre a vida. Depois me deparei com as lágrimas, aquelas lágrimas que nunca apareciam no meu rosto.
Me senti estranha, o corpo mole e alguém me observando de longe. Foi tudo muito rápido, não consegui desviar olhar, foi contagioso e me incomodava. Até que falei para ela:
– Tem alguém me olhando e eu estou muito incomodada...
– Quem? – Ela me observava.
Apontei para o local que eu sentia essa fatal observação, e ela respondeu:
– Você está apontando para Jesus!
Levantei meus olhos e virei-me na direção dEle... E foi então que minha vida mudou! Eu escutei Ele falando comigo, eu escutei  aquele que eu sempre ignorei.
"Filha, eu sou a misericórdia e eu não te julgo por nada que você fez na sua vida. Olhe para mim, veja como eu te amo e te quero. Ninguém vai te desejar do jeito que eu te desejo. Deixe de lado essa vida e essa solidão, eu tenho algo melhor para você!"
Saí de mim, só estava eu e Ele. Ele e eu. A moça colocou as mãos sobre mim e começou a falar palavras estranhas, mas que ma acalmavam. Aquele choro se tornou mais intenso e a partir daquele momento eu desejei a mudança. Desejei ser alguém, ser amada de verdade, desejei rasgar meu coração e ser verdadeira comigo mesmo. A partir daquele dia eu comecei a contemplar o rosto da misericórdia, que é o próprio Jesus Cristo.”

Essa é a historia verdadeira de uma jovem que começou a amar Jesus nesse ano da misericórdia. O ano acabou, mas Deus não. Ele é e sempre será misericórdia, volte-se ao Pai e deixe que Ele te ame também. 

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