Esse texto é para você que já sabe que a vida de cristão não é fácil e muito menos que o caminho é cheio de rosas. Trato hoje de uma das dificuldades enfrentadas por muitos: a fofoca. Não pense que sua vida se livrará desse mal só porque renuciou às coisas do mundo, porque não será.
Se estamos na frente de nossos grupos, pastorais, movimentos, conselhos qualquer aparição de destaque ou não; já irá despertar no outros comparações. A perfeição divina é logo colocada a prova e assim seremos comparados. Há pessoas que se esquecem do humano buscando santidade e já te classificam como um ser divino livre de erros, fraquezas, defeitos, etc... e sabemos bem, que não é assim! Em nossa caminhada, vários são os erros, as fraquezas que tentam nos arrastar de volta, a diferença é que a luta aqui é constante - caiu, levanta - desistir não é opção. Cidade pequena ou não; uma vez ou outra você será vitima de fofoca, apelidos, risadinhas quando passa com o terço ou a bíblia. E se te verem em uma festa por mais simples que seja: nossa!
A maioria dos julgamentos vem de pessoas que não vêm vantagens (isso mesmo, porque há pessoas que querem um caminho cheio de rosas) na conversão, que acha impossível o "o pau torto" deixar de ser torto. Primeiro que não somos pau, muito menos há madeira em nossa formação corporal, então esse ditadinho tosco não vale em nada. Segundo que um pau não tem emoções e racionalidade, não tem o poder de escolha e nós temos. Quem te ofende quer provar a tese de não ser possível buscar santidade, quem te ofende quer ver você desistir.
Sabemos que há provações permitidas por Deus em nossa caminhada para lapidarmos em fogo, mas também sabemos do uso que o inimigo faz das pessoas para destruir o projeto de Deus. Agora saber a qual senhor essas pessoas estão servindo não cabe a nós. Buscar a intimidade com Deus, ser luz e sal na terra exige renuncias e a busca por ser testemunho vivo do Amor libertador. Mas os descrentes sempre buscarão apontar seus erros  e se nada encontrarem  eles inventarão.  E a fofoca se espalha de forma rápida devido a tantos corações feridos, incrédulos e insensatos que as ouvem e passam adiante. Há uma frase que certamente já ouviram em que o autor diz que "a sua vida talvez seja o único evangelho que alguém irá ler", verdade, e creio que ele não disse que todo o mundo irá ler porque certamente ele compreende a minoria que encontraremos em nossa jornada cristã. Não será todo mundo que acreditará em sua conversão, não será todos que aceitarão que você abandone a antiga vida para ser presença constante nas atividades da igreja e mais do que isso, serão alguns dentro da Igreja que não sentirão inveja de você por agora ser mais um companheiro de jornada. Sim, as conversas não vêm apenas do lado de fora, de pessoas que não frequentam as atividades das comunidades. Não se esqueçam que dentro do Jardim do Edém havia uma serpente, o mal estava implantado onde tudo foi feito pelo bem - há companheiros de jornada que querem puxar nosso tapete, não suportam que você faça o que eles, mesmo que estando sobrecarregados, faziam antes de você chegar.  Estes dias ouvi outra frase que destaca bem isso "É triste que, no rebanho de Deus, as maiores feridas venham das outras ovelhas, e não dos lobos" (Rick Warren). Quem já passou sabe o quanto doe e também já encontrou relatos de quem não suportou e se deixou vencer, infelizmente hoje dentro do nosso vinculo comunitário há pessoa já com mestrado em causar feridas e ser motivo da desistência de pessoas que chegaram tão animadas para servir à messe. Pessoas que se apegaram a suas funções pastorais e se acham no direito de julgar "esse não vai longe", "esse vai", não aceitam dar lugar ao outro, não aceitam que outro exerçam tão bem o chamado, a vocação.
O processo de conversão não é fácil, o caminho é estreito. Eu me recordo da Samaritana do poço de Jacó. Sim, ela era uma pecadora e sim ela sabia disso e evitava ir buscar água nos horários em que era costume os outros irem pra evitar os olhares e cochichos. Aquela mulher preferia buscar água quente do sol do meio dia do que enfrentar a condenação das pessoas, mas quero relatar aqui que ela teve um encontro pessoal com Jesus (face a face) e mesmo saindo correndo do poço, depois que um dos discípulos se aproximou, ela saiu proclamando a boa nova e eu fico a imaginar aqueles minutos que antecederam a comprovação da verdade. Aqueles homens provavelmente pensaram "essa mulher está louca, de onde que o Messias ia conversar com essa mulherzinha?", "eu que sou justo, que nunca o traí, ele não apareceu para mim, ia aparecer para essa mulher que já teve 5 maridos e está como amante de um outro? Não, jamais!"... esses minutos costumam ser a realidade de anos de muitos de nós que depois de ter um encontro pessoal com Deus, suporta as pessoas que não acreditam. Um outro relato é o de Maria. Imaginem só: Maria foi criada cercada de pureza, dos ensinamentos cristãos e estava grávida, imaginem o bafafá que foi na vizinhança “Ah, mas ela não era a santa?” “Mas ela não estava noiva?” “Nossa, você viu a filha de Joaquim e da Ana, aquela quietinha na dela, o que que aconteceu? Pois é, menina”. Mas em nenhum dos casos o que aconteceu era entre a samaritana e os incrédulos ou entre Maria e a vizinhança e sim entre elas e Deus. Nosso chamado, nossa conversão, é entre nós e Deus. Buscar ser testemunho vivo, renunciando aos maus dizeres é crucial, mas não evitaremos todos e não há, por mais que doa, motivos para deixar de acreditar nos sonhos que Deus tem para nós. Você será apelidado, ridicularizado, vão atacar os teus, vão tentar fazer você desistir. Mas essa historia de amor é entre você e Deus, a Igreja é maior que essas pessoas que tentam fazer você acreditar que ali não é para você.  A vontade é grande de ir nas pessoas, colocar o dedo na cara e falar umas poucas e boas, mas temos uma Mãe, exemplo de silencio, exemplo de espera e confiança. É esse exemplo que devemos seguir, e por mais difícil que seja, estejamos sempre rezando por essas pessoas, porque sabemos que a fofoca diz mais sobre o fofoqueiro do que da pessoa citada.
Rezar por aqueles que nos causam feridas e tristezas. Porque rezar é a melhor forma de dar amor a alguém, rezar é mostrar ao outro a única verdade: o Deus de misericórdia. E pessoas assim nada mais são do que não amadas (ou cegas para o amor) e incrédulas da Misericórdia infinita do Deus que tudo e todos pode transformar.
Salve Maria!

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