Leia ouvindo esta música.
O tic-tac do relógio não para. Nossa percepção do tempo é bem peculiar: ao mesmo tempo que limitada, é curiosa e até poética. Dependendo da situação, o tempo pode passar como um foguete tentando sair de órbita o mais rápido que pode, ou como um homem que anda devagar para apreciar a paisagem.
De fato, o tempo é uma força cruel da natureza, ao menos para nós, humanos. Não percebemos ao certo quando ele começa a passar. Simplesmente nascemos e, um dia, tomamos consciência de que estamos vivos sem nem lembrar dos nossos primeiros anos de vida. Quando percebemos, mais uma tonelada de dias se passou e estamos nos tornando adultos, a vida começa a pesar nas costas, mas ainda assim temos a sensação de que o tempo quase não tem efeito em nossas vidas.
Claro que, muitas vezes, o que mais notamos é a falta de tempo na rotina, a falta de ter alguns minutos pra sentar e descansar, mas não nos damos conta de que estamos vivendo uma falsa percepção de que as coisas ao nosso redor são eternas. Com o passar dos meses, dos anos, nossa escola, nossa faculdade, nosso amigos, nossa família passam e isso é um choque porque pensávamos que seriam eternos, mas não.
Esse é o perigo de viver sem pensar nas coisas que fazemos. Num dia você joga uma palavra um pouco torta pra alguém e no outro essa pessoa não está lá para receber suas desculpas. Num dia deixamos de fazer algo que gostaríamos e no outro não podemos porque estamos muito velhos. Num dia deixamos de lado aquele passeio com alguém especial e no outro aquele lugar que significava algo para os dois já não existe mais. Não só pela perspectiva de deixar de fazer coisas, mas também de fazê-las. Ás vezes não vivemos bem uma amizade, um namoro, uma festa ou um passeio e isso deixa marcas pra nossa vida toda.
Temos o costume perigoso de deixar que dias ruins passem rápido, quase como se tivéssemos uma chave no nosso cérebro que, quando virada, nos dá a sensação do tempo passar mais rápido, mas isso é ruim porque, apesar de ser um dia ruim, é um dia a menos que você tem. Em vez de aproveitá-lo integralmente, você simplesmente o ignora, e ignora o fato de que são suas horas sendo desperdiçadas. Não é porque estamos longe de casa que temos que acelerar a semana para voltar porque, quando voltarmos, os dias passarão com a mesma velocidade de antes e só teremos a sufocante sensação de que não conseguimos aproveitar tudo que deveríamos.
É essa sensação de quando somos relativamente jovens. Como diz uma frase da música que você está ouvindo: “você é jovem e a vida é longa e você tem tempo para matar hoje. E um dia você descobre que dez anos se passaram e ninguém te disse pra onde correr. Você perdeu o tiro de partida.” E isso é perigoso! Pode não parecer agora, mas com o tempo você percebe que não aproveitar cada momento, seja bom ou ruim, foi um erro gravíssimo. Você acaba aceitando que seus momentos aqui na terra estão contados e, de repente, vem aquele desespero ao começar a pensar no que fizemos nessa vida.
Assim como você, eu tenho essa necessidade de ser lembrado, de deixar algum tipo de legado nesse mundo, mas convenhamos que é inevitável que, por mais que façamos algo grandioso, uma parte muito significativa da nossa vida seja simplesmente esquecida. Nesse caso, a questão não é o quanto vamos deixar para trás, mas o quanto vamos levar conosco, quantas experiências, felicidades, tristezas. A vida é feita de alguns momentos que ficam gravados na nossa memória e que são apenas isso: alguns momentos.
Não há muito que possamos fazer em relação a isso, mas ás vezes é mais reconfortante tentar ir mais devagar e sentir essa falsa sensação de que estamos no controle de alguma coisa. Além do mais, nos consola essa tomada de consciência de que nossa vida está sendo vivida nas mais pequenas e preciosas medidas de tempo.
“Faça tudo com calma e em paz. Realize quanto puder, tão bem quanto for capaz.” São Francisco de Sales

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