Sabe aquele lugar da parede que você já perdeu a conta de quantas vezes já meteu a cabeça? Então, eu sei muito bem o meu, mas isso se tornou tão corriqueiro a ponto de eu praticamente não sentir mais nada, quase como se eu insistisse em enfiar minha cabeça na parede, atitude estúpida, mas com um capacete. Você só sente o tranco porque aprendeu a se defender da dor e é isso, sabe?
Quem nunca fez papel de trouxa por aqui que atire a primeira pedra!
Brincadeiras a parte, vou falar sobre algo muito sério: o incrível costume que nós, humanos, temos de nos entregar a quem não está disposto a nos receber. Quantas e quantas vezes criamos expectativas em relação àqueles ao nosso redor e simplesmente arrebentamos nossa face na parede mais próxima? E por que fazemos isso? Por que insistimos em depositar nossa confiança em seres tão falhos quanto nós?
Queria poder dizer que as respostas estarão sexta, no Globo Reporter, mas não é assim que funciona. Não é assim porque, muitas vezes, não é um compilado de fatores que podem ser apresentados em uma reportagem e sim o simples fato de que não entendemos que enquanto construirmos nossa casa na areia ela continuará caindo! Deus sabe disso e se entristece quando, dia após dia, assistimos nossas frágeis construções desmoronarem diante dos nossos olhos e nos perguntamos onde foi que erramos ou até mesmo nos consideramos insuficientes para construir uma casa.
E tudo isso dói pra caramba porque é fruto do nosso trabalho. Foi nosso esforço que colocamos em cada tijolo, no lugar onde ficaria cada janela, cada porta. Às vezes até mobiliamos a casa mas a maré vem e a destrói por completo, a levando mar adentro enquanto ajoelhamos na areia molhada cerrando nossos punhos e nos sentindo inúteis.
Você já se sentiu assim, não é? Pois bem, meu caro(a), muito provavelmente você já sabe o que eu vou dizer por causa das analogias, mas quero que preste bem atenção, mesmo que não faça a menor ideia do que está por vir nestas frases.
De nada adianta vivermos nossa vida de Bob, o Construtor se não for Deus quem estabelecer o alicerce das nossas construções, sejam elas quais forem: Amizades, namoros, casamentos, empregos, planos, metas, objetivos, até mesmo a compra no supermercado pode sair dos trilhos se não deixamos que Deus ordene essas coisas em nós.
O que acontece é que estamos a todo tempo construindo nossa morada eterna dentro de nós, e aquilo que é eterno não pode simplesmente ser demolido com uma ondinha. A importância deste alicerce duradouro é que, no fim das nossas vidas, a morte vem como um grande tsunami e ai, meu amigo(a), não adianta construir bunker, viga reforçada, seja o que for. Somente aquilo cuja pedra angular foi imposta por Deus restará para a vida eterna e é por isso que Deus insiste em chacoalhar nossa areia pra nos dizer “Menino(a), o que você está fazendo??? Larga mão dessas cabanas e olha todas as mansões que eu quero construir contigo”.
Esse processo de demolição se faz tão necessário em nossas vidas porque não percebemos, mas algumas casas nós apenas abandonamos para revisitá-las vez ou outra e então perdemos nosso tempo, que poderia ser usado para viver os sonhos de Deus, tirando poeira de algo que está fadado a cair! Deus não nos fez para sermos construtores fracassados! Ele nos trouxe ao mundo para que aqui construíssemos Seu reino ao nosso redor e no nosso interior. Não podemos simplesmente nos contentar com estruturas medianas se podemos deixar que o maior arquiteto de todos faça suas obras em nós.
Isso é, também, uma das razões de Deus desenterrar prisões em nós para que possamos nos libertar delas. Muitas vezes estamos acorrentados e simplesmente não percebemos porque estamos mais ocupados montando novas correntes! Uma vez que permitimos que Deus aja em nossa vida, precisamos permitir que aja por inteiro, ainda que doa, ainda que tenhamos que ver muitas das nossas construções serem levadas para o mar, é necessário para que haja espaço no nosso coração porque Ele quer construir obras grandiosas, amém?
Então meu irmão, minha irmã, por vezes a vida vai te derrubar. Por vezes você vai esperar algo de alguém que vai lhe dar o contrário; nem sempre seus sentimentos serão correspondidos, você vai se machucar, vai se fazer de trouxa mas o que não pode acontecer é você olhar seus planos e desejos desmoronarem sem ao menos pensar no fundamento das coisas que Deus leva embora.
Dito isso, não se prenda ao sentimento de angústia de ter dado demais e recebido de menos. Como já disse, muitas vezes depositamos nossa confiança no lugar errado e é claro que nossas preciosas moedas de ouro irão parar nas mãos erradas, mas que sirva de lição. Que, a partir de agora, possamos depositar nossas riquezas nas mãos do único que as investirá em obras para o nosso bem.

Aliás, tem uma música muito boa de uma banda chamada Paramore que ilustra todas essas situações pelas quais passamos:
O link para a letra traduzida tá aqui. Você talvez precise.
A música tem o eu lírico conversando com uma versão mais nova de si mesmo, talvez, e nessa conversa ela faz toda uma analogia com contos de fadas e os castelos (casas) de ilusões que construímos e aos quais nos apegamos. Praticamente a letra toda tem uma maneira de falar, de uma forma mais musical, as coisas que falei lá para cima e é interessante trazer essa reflexão da música para esse contexto porque muitas vezes é Deus quem nos pede, como no refrão, para pegarmos nossa pá e cavar um buraco bem fundo para enterrar o castelo.

Tem duas partes muito interessantes que se conversam e que acho interessante colocar aqui. A primeira é o pré refrão que diz: Mantenha seus pés no chão quando sua cabeça estiver nas nuvens.
A segunda é uma passagem da ponte para o último refrão e diz: Se não é real você não pode segurar com suas mãos, não pode ser com seu coração e eu não vou acreditar. Mas se é verdade você pode ver com os seus olhos, mesmo na escuridão.

Sabe o que tem de interessante nisso? As coisas que Deus coloca na nossa vida funcionam praticamente desse jeito. Vou explicar: lembra quando você era criança e sabia que tinha que fazer as tarefas de escola mas sua mãe ou pai te deixavam brincar? Por mais que você fosse brincar, você ia com o peso na consciência de que deveria fazer as tarefas e isso era claro para você.
Em vários momentos da nossa vida, Deus deixa claro quais são as vontades Dele para nossa vida, mas, ainda assim, olhamos para o lado, para as nossas casas, e mergulhamos de cabeça na parede. Nestes momentos em que nossa cabeça está nas nuvens é preciso manter nossos pés no chão e lembrar que temos uma meta, que é Cristo, e que precisamos permitir que Ele faça suas obras em nós para que vivamos em plena graça com Ele.

Que Jesus continue nos cumulando com suas graças e nos guiando pelo caminho. Amém!

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