Filmes atemporais são de fato incríveis por nos levarem a compreender que certos fatos existem desde que o mundo é mundo, mas não significa se acomodar com isto. Agnus Dei sem dúvidas é um desses filmes.
Um filme talvez não tão conhecido, lançado em julho desse ano, e que é realmente um choque ao descobrir-se que é baseado em uma história verídica.
Sabemos que durante a Segunda Guerra Mundial o mundo foi assolado não somente pelas bombas e a guerra em si, mas por toda consequência que ela trazia. A fome, crianças que se tornaram órfãs, países onde não somente o povo estava sendo morto, mas a própria cultura sendo exterminada, com real propósito, por ''países maiores''. A Polônia foi uma dessas nações. E o caso se agrava quando descobre-se que mulheres, já oprimidas por todas as circunstâncias, são abusadas por oficiais de tropas Russas, Alemãs e todo aquele bloco militar. E é nesse contexto que se passa Agnus Dei.
O filme relata a história de Mathilde, uma enfermeira francesa da Cruz Vermelha, que se encontra em serviço na Polônia e é ateia. Um  dia Mathilde recebe a visita de uma freira polonesa que pede ajuda a esta e, após resistir, vai de encontro a um convento em que trinta freiras foram, por dois dias, abusadas por militares russos. As vítimas chegam nove meses depois.  
Não pretendo colocar aqui uma questão discutida sem caridade, como percebemos muito em nossa realidade, mas apenas compreender o olhar humano em cada um dos personagens (reais!) dessa história. Mathilde é ateia e muitas vezes se torna difícil para ela lidar com uma realidade totalmente oposta a sua. A religião, a fé, são coisas incompreensíveis e por se assim as rejeita. As freiras, tomadas por votos de celibato, pela resistência de não querer ferir a Deus, de não abandonar suas vocações não entendem a razão da dor, do sofrimento, mas permanecem na fidelidade.
Mathilde, por mais descrente que fosse, como diz uma das irmãs em um momento, se torna um anjo enviado por Deus naquele momento. Por mais que ela desprezasse toda aquela vivência de fé, há um toque divina em acolher o outro que necessita dela.
Uma vez li uma entrevista de uma irmã dizendo que uma das renúncias mais difíceis para ela, ao entrar na vida religiosa, é a da maternidade. E penso em todas aquelas mulheres abusadas, freiras, que não eram chamadas a serem mães biológicas, carregando aquelas vidas no ventre. Era  uma cruz sim, mas sabemos que cruz é amor. Ali era o próprio Amor. Ali era a prova de que amar Jesus é entrega ao outro.
Agnus Dei é mais, como disse anteriormente, do que um pretexto para discutir qual lado da moeda está certo em questões como esta. Em entrevista, a atriz que interpreta Mathilde foi muito sábia ao dizer: ''O que eu gostei do filme é que ele não fala só do estupro, mas de como uma pessoa se reconstrói depois de uma violência desse tipo''. E de fato, somos maiores que toda dor, sofrimento e circunstância. E somos chamados a sermos caridosos com quem vivencia crueldades como estas. Se algo foi claro nesse filme foi a caridade demonstrada em ambos os lados, o da enfermeira e das irmãs. A questão ali não era quem estava correto, mas como poderiam ajudar quem mais necessitava.
Tudo que for dito aqui ainda será insuficiente para falar de um filme tão vasto. Mas encerro com um convite a assistir o filme e perceber a delicadeza retratada de forma tão firme. É com certeza mais que um simples filme.
Até mais. Paz e bem. 

3 Comentários

  1. Esse filme é simplesmente lindo e marcante. Amo filmes baseados em fatos reais e este em questão aguçou minha curiosidade. Perfeito.Assistam!

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    1. Demais, Ana! E obrigada pela indicação, viu?! haha <3

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  2. Não assisti ao filme ainda, mas achei interessante uma análise do mesmo feita pelo Pe Teodoro Medeiros, onde ele fala algumas curiosidades muito importantes. O filme tem base em algo que aconteceu, mas é um filme e teve alterações de acordo com as pretensões da sua realizadora. Segue o endereço do site: http://www.igrejaacores.pt/agnus-dei-este-pudor-nao-e-para-religiosas/

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