"Jesus até que é legal, chato é o fã clube". 
"Jesus propagava o amor, a bondade, o respeito... Os cristãos propagam o ódio, a intolerância e a prospecção do castigo divino".
Não sei se fico contente em ouvir isso e saber que o problema não está em Deus (nunca esteve, a Perfeição não admite problemas), ou se fico profundamente decepcionada em saber que a evasão, o afastamento e a rejeição na casa do Pai é culpa nossa - culpa dos próprios cristãos.  Sinceramente, fico com os dois, mas a decepção é maior, admito.
E eu não venho, hoje, apontar o dedo na cara dos não-cristãos e dizer que eles estão errados, porque nós já temos feito isso além da conta, há muito tempo. Venho, pelo contrário, apontar o dedo na minha própria cara, no espelho, e perguntar: "Até que ponto eu estou sendo serva fiel das obras às quais Deus me consagrou?".
Jesus disse-nos: "Vai, seja um pescador de homens!". E nós, distantes o suficiente para não ouvir com clareza o que Cristo nos ordena, entendemos: "Vai, seja um perseguidor de homens!". E perseguimos. Julgamos. Consideramo-nos dignos de condenar alguém por esse alguém não ter, ainda, a experiência em Deus que nós tivemos.  Quantas vezes, me digam, quantas vezes vimos pessoas em sofrimento, em angústia, mergulhadas em dificuldades, e pensamos: "Tudo seria diferente se ele(a) se entregasse a Deus", ou "Tudo seria melhor se ele(a) acreditasse no poder intercessor de Maria", ou "Tudo seria melhor se ele(a) abrisse esse coração de pedra", enquanto nós, cheios de um orgulho digno do filho que nunca abandonou o Pai, enquanto o irmão ganancioso tomou sua parte na herança e partiu para as cruezas do mundo, permanecemos em nosso lugar, apenas divagando sobre como os outros seriam mais felizes se fizessem o que nós supostamente já fizemos? Quantas vezes poderíamos ter agido e não agimos, quantas vezes poderíamos ter agido melhor e fizemos o pior?
Permitam-me fazer uma analogia.
Acreditar no sucesso dos Beatles me faz fãzona deles? Não. Eu sou fãzona dos Beatles se eu conheço todos os discos, se eu sei as músicas decoradas e as histórias por trás de cada uma delas, se eu sei da vida dos integrantes, se eu choro sempre que relembro a morte de Lennon, se eu fui a pelo menos um dos shows que o Paul fez aqui pelo Brasil, se eu sou conhecida na escola\faculdade como "aquele(a) lá, que é fãzão(ona) dos Beatles!!". Eu não sou fãzona dos Beatles só por dizer que "Blackbird" é uma das minhas músicas favoritas; "Flightless Bird, American Mouth" é minha música favorita e eu não conheço quase nenhuma música a mais da dupla que a canta, Iron and Wine. Eu não sou fãzona dos Beatles só por admitir que eles tinham um talento incrível. Eu não sou fãzona dos Beatles só porque meus pais passam o dia ouvindo os CD's da banda, eu não sou fãzona dos Beatles só porque prometi pra minha amiga que ia ouvir o disco inteiro, e só ouvi duas músicas, para ter sobre o que comentar com ela quando nós nos encontrássemos. Eu não sou fãzona os Beatles só por saber que eles foram um grande grupo musical; eu sou fãzona dos Beatles se eu viver a história deles com eles.
Igualmente é, portanto, a relação dos cristãos com Cristo.
Acreditar em Deus Pai, Filho e Espírito Santo não me faz cristã. Conhecer dois ou três versículos bíblicos e saber explicá-los brevemente não me faz cristã. Entrar numa igreja e assistir a uma missa não me faz cristã. Saber as coreografias do Missionário Shalom, e me esquecer do valor das letras de cada música, não me faz cristã. Assistir às pregações do Pe.Léo no YouTube, ler três páginas de um livro do Monsenhor Jonas não me faz cristã. Receber a Eucaristia, e não me atentar à magnificência da Eucaristia, não me faz cristã. E, irmãos, uma das coisas principais: conhecer o Amor de Deus, advindo diretamente d'Ele, e não compartilhar esse Amor com o resto do mundo, não me faz cristã; faz-me, pelo contrário, uma pessoa que recebeu nas mãos um trabalho e se abstém de fazê-lo com propriedade, seriedade e compromisso. 
Estamos nos esquecendo de amar, profunda e incessantemente. Amar sem ver a quem, simplesmente amar. Estamos nos esquecendo de obedecer ao resumo dos mandamentos: "Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo", pois, sob a presença de um Amor tão sublime, as demais transformações acontecem em nossa vida de maneira fluida e natural. A conversão de almas é uma necessidade processual; é como a construção de um edifício de trocentos andares, que precisa de pedreiros competentes e fiéis àquela obra. Nós, cristãos, somos esses pedreiros; nosso Mestre de obras nos concede as melhores ferramentas e, a cada esquina, aparecem-nos projetos a serem concretizados. Estamos realizando bem o nosso trabalho, ou o nosso serviço não está valendo a pena?
Pessoas sentem-se indispostas a participar da Igreja, e a responsabilidade é nossa. Antes de Deus perguntar aos afastados o porquê do afastamento deles, Ele perguntará a nós: "Por que a sua missão falhou? O que foi feito das almas às quais te enviei? Por que, filho, não cumpriste o trabalho que te confiei?". É decepção, o sentimento que você gostaria de te esperasse no seu encontro com o Pai?
Ame. Estamos vivos para isso: amar. Acordamos todos os dias para isso: amar. E, amando, levar em nós o testemunho da grandiosidade de Deus. E, amando, conquistar almas para os planos d'Ele. Vejam bem: conquistar almas e entregá-las nas mãos de Cristo. Não julgar. Não condenar. Não apenas falar "como poderia ser melhor"; agir! Amar é ação, amar é verbo transitivo, amar pede movimento! Somos cristãos em Deus, e cristãos pelos outros, também. Devemos ser convidativos, e não retrativos; as pessoas deveriam enxergar em nós um "algo a mais" que só se encontra ao lado de Deus, e não um "algo a menos" que as afasta das maravilhas que Ele tem a oferecer. Devemos ler a Palavra e, sobretudo, exercer a Palavra, não apenas marcar os trechos 'mais legais'. A Palavra não é A Culpa é das Estrelas, que você lê aqui durante 1h e 30 min, se emociona e depois passa; a Palavra é o meu alimento! É de lá que eu tiro aquilo que preciso fazer para me aproximar mais de Deus e, principalmente, para aproximar as pessoas d'Ele.
100% Cristo, sim!
E 100% cristão, também!
Que o Amor sublime de Deus nos acompanhe, e que nossa devoção à Mãe d'Ele cresça a cada dia, amém!

4 Comentários

  1. Leiliane apenas SIM para tudo isso! Acredito que tudo começa com um me posicionar ''e o que eu posso fazer para ajudar?'' ao invés de culpabilizar o próximo etc. Amei, Leili. Obrigada! <3

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    1. Que boooom que foi importante pra você! Podemos e devemos trabalhar a nossa empatia ♥ Eu quem agradeço, Deus te abençoe!

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  2. Simplesmente ótimo! É isso mesmo. Precisamos resplandecer em todas as nossas ações a face de Cristo. Não podemos viver pela metade...

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    1. Sim!! Ser cristão sempre, e não só quando nos é conveniente ou fácil. Deus te abençoe! <3

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