Talvez eu seja a pessoa menos adequada para falar sobre isso. Eu tenho bons amigos, nunca fui de ter muitos amigos ou ser muito popular. Tenho colegas, mas amigos mesmo, daqueles que nos derramamos e nos desfazemos das máscaras, são contados. E com estes eu sempre tive a graça de poder dividir momentos bons e ruins, é certo: quando a coisa pega eu corro pra me desafogar neles. Mas nos últimos tempos a coisa meio que mudou um pouco, não por distância ou erros nossos, mas quis precisar da solidão. Precisei encarar algo que provavelmente em anos nunca havia sentido: solidão.
A gente vive cercado de pessoas, em constante contato, seja pessoal ou pelos meios, e acabamos não deixando espaço e tempo para ter intimidade com Aquele que mais precisamos estar conectados. Ultimamente tenho experimentado situações de dúvidas constantes, e certas interrogações e dificuldades eu quero partilhar com alguém, receber um conselho ou só uma presença para ouvir sem condenar, mas no fim acabo percebendo que só Deus pode entender aquele meu momento. Foi preciso que eu vivesse essa solidão pra aprender a viver só eu e Deus, pois no final vai ser assim. É preciso que eu seja aquilo que eu ainda não sou, mas que Deus sabe que eu preciso ser, não devo, mas preciso, como necessidade mesmo. Preciso para mim, e principalmente para o outro.
Esse texto começou com solidão, estado que nos faz distante dos outros, mas estranhamente ela acaba por nos reaproximar se soubermos usufrui-la bem. Solidão usada para autoconhecimento nos leva a edificação própria e modo de socorrer o outro. Solidão, como canta o meu querido Tiago Iorc, com o tempo se descobre que pode ser na verdade liberdade. Solidão a gente desaprende por fraqueza, por pavor e medo do vazio, mas é preciso lembrar que O temos até quando parecemos não ter mais nada e isso basta.  A Sua presença nos encoraja e nos leva a avançar crendo que os melhores dias estão por vir.
''Desaprendi a encarar a solitude da alma
No abandono o pavor, a insustentável fraqueza
Não sei ficar, ficar sozinho agora
Eu tenho você, mas o meu medo estraga
O medo estraga, o medo e mais nada
O medo se vai quando
Ouço a voz do alto me dizer:
Sê valente, sê valente!''

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