Ah, como eu gosto quando Deus fala com a gente usando algumas situações bobinhas do nosso cotidiano. Minha mente não para quieta e Deus usa isso em Seu favor para me ensinar várias coisas sobre Ele, me fazer ter momentos de epifania ou até me fazer enxergar coisas que estavam na minha cara e eu não percebi. Vou contar para vocês um desses casos que aconteceu recentemente.
Ontem, na rodoviária, vi uma cena que me chamou a atenção porque, de certa forma, ela mostra a maneira que nos relacionamos com Deus muitas vezes. A cena foi o seguinte: eu estava na fila para comprar uma passagem e, logo atrás, havia uma mulher com sua filha que devia ter entre 2 a 4 anos. A garotinha estava inquieta e puxava a calça da mãe, falava com ela, até que ela resolveu andar pelos arredores. Quando ela já deu alguns passos para longe da mãe, esta chamou seu nome, que era espanhol, por isso não me lembro muito bem. A menina olhou para a mãe, sorrindo com aquela cara de travessa, enquanto se virava e continuava a andar. Sua mãe lhe chamou novamente, mas ela ficou parada perto de outra fila até que se cansou e voltou correndo para os braços da mãe.
Talvez você já tenha percebido o que eu percebi e quero dizer com isso, mas não é que nossa relação com Deus é igualzinha?
Se coloque no lugar da filha e pense na rodoviária como o mundo em que a gente vive. Ás vezes, nos cansamos de ficar na fila com Deus e, olhando para todo o ambiente, parece ser mais divertido largar da mão dEle e dar um passeio por ai. Quando nos distanciamos, ouvimos Sua voz nos chamar de volta, mas o olhamos com cara de travessos e vamos mesmo assim.
Isso me lembra de alguns problemas que, vez ou outra, aparecem quando não temos uma vida de oração constante. Quem nunca fez alguma coisa achando que era o que Ele queria, mas no final descobriu que não era nada disso e saiu machucado? Quando aquela garotinha olhou para a mãe, foi uma situação dessas que veio à minha mente. Várias vezes queremos fazer nossa própria vontade e até perguntamos ou olhamos para Deus para saber o que Ele quer, mas no fundo sabemos que aquilo que estamos buscando não vem Dele e, com um sorriso, continuamos nosso caminho, achando que estamos fazendo o que Deus quer, sabendo que vamos nos distanciar.
Acontece que Deus não nos chama uma ou duas vezes; Ele o faz a todo momento. O que acontece é que ficamos longe ao ponto de não ouvir Sua voz com clareza.
A garotinha foi para longe da mãe porque esta estava cheia de malas e não podia correr atrás dela, mas Deus nos deixa ir por dois motivos: Ele não vai ferir ou violar nossa liberdade, e Ele sabe que nós somos curiosos e, muitas vezes, precisamos botar a mão no fogo para aprender que ele queima, e não fazer de novo. Já ouvi muita gente com pensamento simplório dizer que Deus não pode ser totalmente bom por permitir que estas coisas aconteçam com a gente, mas elas não entendem que Ele tem uma forma de nos ensinar, uma pedagogia.
Nós humanos somos extremamente curiosos. Temos esse ímpeto de descobrir como as coisas funcionam, de achar explicações para tudo. O problema é que não sabemos estas coisas, não conhecemos grande parte do mundo que nos cerca. Passando para nossa vida espiritual, não sabemos as consequências dos nossos atos até que seja tarde demais, mas nossa curiosidade não nos permite simplesmente nos aquietar e deixar tal situação passar, e Deus sabe muito bem disso.
No processo de educação dos filhos, muitas vezes, por mais que doa aos pais, é necessário deixar que eles se machuquem para que aprendam o que eles devem evitar e o que devem ter cuidado ao manusear. Isso faz parte do crescimento individual e, talvez, nos privar desse processo teria consequências piores do que um simples corte ou uma queimadura leve. Deus acaba fazendo o papel de pai nisso tudo, não porque Ele não tem paciência de ficar nos orientando a não fazer algo, mas porque Ele sabe que fará muito mais sentido para a gente os porquês de algumas decisões dEle se experimentarmos os efeitos de tais coisas.
Finalmente, assim como a garotinha, voltamos correndo para os braços do Pai, que sempre esteve nos chamado e nos esperando para continuar nossa caminhada. Não estou dizendo que é bom se distanciar dEle para fazer essas experiências, mas que, sendo Deus, Ele pode tirar algum bem de uma situação ruim. Aliás, essa pedagogia divina dá suas caras até para os mais próximos. Deus usa de muitas situações para nos moldar, e todos nós sabemos que para esculpir, polir, forjar algum material é necessário muito desgaste. Não significa que Deus gosta de nos ver sofrer porque isso nos faz crescer. A nossa abertura de coração e entrega de vida a Ele implica ser provado diversas vezes para reafirmar que, de fato, tudo que nos basta é o Seu amor, e nos lembrar da importância da boa construção da nossa morada eterna a todo momento.

Deixe um comentário