Essa semana minha mãe retornou de viagem, ela havia se ausentado por uns dias desde que melhorei da pneumonia que me acobertou nas ultimas semanas. Percebendo minha permanência no quarto e sabendo que foi devido a minha baixa imunidade que a doença se alastrou, com seu jeito falante e sorridente adentrou meu quarto com uma revista na mão dizendo-me que iria ler uma historia. Eu, com o olhar de desconfiança e um pouco incrédula se aquilo teria mesmo a ver comigo. Mas ela sentou-se na minha cama e começou:
- O diabo resolveu vender os instrumentos que usava para perder as pessoas. Fez uma enorme exposição com todos os instrumentos. Eram grandes ferramentas como: ódio, violência, bebedeira, corrupção, prostituição, trafico de drogas, de arma. Enfim, lá estavam todos os instrumentos a venda. Porém, havia um separado de todos os outros e, apesar de velho e gasto, o seu valor era equivalente ao preço de todos os outros juntos. Havia uma enorme curiosidade a respeito daquele objeto. Por que era tão caro? E o diabo lhes respondia: Compre e você descobrirá. Devido ao custo ninguém comprou. Chamava-se desanimo. E o diabo explicou: Só vendo por um alto preço porque foi muito útil para mim. Se uso a droga, a violência ou a prostituição, logo a pessoa me reconhece e sabe que o instrumento é meu. Mas o desanimo não. As pessoas pensam ser algo de sua personalidade, do seu temperamento, acham que tem o direito de ficar desanimados por causa dos problemas. E acrescentou: desanimadas, desfalecidas, faço qualquer coisa com elas. Acham que possuem uma boa justificativa para sofrer e não reagem.
Ao terminar ela me fitou por cima dos óculos, sorriu e disse: “Que interessante, né, filha?!”. Deixou a revista ao meu lado e saiu. Aquilo me provocou, incomodou, olhei para revista e vi o titulo da matéria: Não Se Entregue à Tristeza, um texto do Monsenhor Jonas Abib. Comecei então a refletir. Não tem sido dias fáceis; abandono do emprego, mudança de cidade, de paróquia, uma nova adaptação, a procura por novos trabalhos na igreja... Tudo isso me paralisou e a tristeza e o desânimo eu acolhi. Passei dois dias chorando sem cessar desacreditada da vida até que resolvi que aquilo não deveria me afetar, que eu tinha que reagir. Ao tomar essa decisão e levantar da cama, as fortes dores surgiram e em questão de minutos estava no hospital. Nosso corpo reage às dores que nossa alma sente. Mas nada justifica meu desânimo, minha debilidade. Sem perceber eu adquiri o bem mais precioso do diabo, logo eu que sou o bem mais precioso de Deus.
Não foi a primeira vez e nem a ultima que a minha alma sentiu dor. Ter tristeza, todos temos e teremos, mas se entregar a ela é algo diferente. Na Bíblia encontramos muitos casos de pessoas contando suas tristezas a Deus, até há um livro inteiro chamado Lamentações. No artigo, Monsenhor Jonas Abib cita Eclesiástico 30, 22-23 (não colocarei aqui, deixo que ao fim do texto você procure sua Bíblia e leia).
Certamente você já ouviu a frase "A alegria do Senhor é nossa força" ou “Alegrai-vos sempre no Senhor”, mas entre saber de cor uma frase e a colocar em pratica há uma grande diferença e uma escolha. É do alto que vem a força para colocar um sorriso na cara, levantar da cama e viver. Isso não é fingimento, é CONFIAR em Deus. Não é mais hora de ficar remoendo suas tristezas, ficar vasculhando suas memórias de sofrimento, tudo o que já nos aconteceu já foi o suficiente. É hora de escolher por colorir nossa própria vida com as cores que nos foram dadas por Deus e levar ao outro nosso semblante de superação; de alguém que se coloca inteiramente nas mãos de Deus, aos pés da Cruz e no colo de Maria.
Mesmo que haja dor em nossa alma, isso não mais definirá nosso estado emocional e muito menos o que transmitiremos aos outros. Que hoje você e eu possamos compreender nossas dores e revigorar nossas forças no Senhor.
Salve Maria!

3 Comentários

  1. Eu tava precisando ler isso. Valeu <3

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  2. Hoje me senti assim ,e hoje encontrei esse texto "por acaso" 💓💓💓💓 Deus não sabe disfarçar seu amor ne kkkkk obrigada 😚

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