Quantas vezes você já olhou para o céu hoje?
Você se lembra daqueles dias que simplesmente dá vontade de largar tudo e sair voando por aí sentindo o vento contra o seu rosto, o calor do sol tocar sua pele? Todo mundo já teve algum dia assim.
Acho esquisito como a vida consegue ser tão descontínua e inconstante. Temos aquelas épocas de dificuldade, épocas de felicidade, épocas de esforço, mas é certo que uma época reina sobre e abrange todas essas: a época dos sonhos!
Ah, como é gostoso olhar para o verde das folhas num dia de sol, respirar fundo, sentir aquele ar fresco enchendo os nossos pulmões e trazer à mente aquela meta, plano, pessoa. Eu e você sabemos que são poucos os dias em que isso é possível, talvez por causa da rotina, do clima, mas principalmente do nosso humor e do modo como encaramos a vida.
Quem nunca se encontrou frustrado e preso dentro de casa num dia cinzento e nublado?
Ás vezes parece que os momentos de calmaria são raros e que nossa vida parece uma canoa numa correnteza violenta, ou que somos girassóis que germinaram numa mata fechada. Depois de um tempo, se não ficamos entorpecidos com as grandes cargas de cafeína e os repetitivos trajetos percorridos no mesmo ônibus ou carro, a vida começa a perder o brilho, ficar opaca.
Nessas horas parece que o tempo passa mais devagar. Olhamos para as nossas janelas e as folhas demoram a cair, os carros demoram a passar, principalmente em cidades grandes; as pessoas ficam mais secas e os corações mais vazios. A vida acaba se limitando a uma grande e monótona melancolia onde podemos experimentar pequenos momentos de alegria e prazer.
Sabe, com o tempo somos condicionados a interpretar as coisas assim. Se você é uma dessas pessoas que de repente se viu presa nesse mar cinza, assim como eu, muitas vezes, preste atenção. Vamos refletir um pouco.
A gente fica com essa ideia na cabeça de que, no fundo, os momentos de não-felicidade ocupam a maior parte da nossa linha temporal. Isso cria a falsa ideia de que tudo se limita a buscar e criar momentos de felicidade que logo acabam e deixam o vazio que anseia por ser preenchido novamente, quase como uma droga.
O que não percebemos é que, apesar de todos esses inibidores, tem uma vozinha que nos motiva a ter ideias, planos, sonhos. É como se fosse uma pessoinha que fica cutucando nosso tornozelo e dizendo "Hoje parece um dia bom para malhar!", "Que tal comprar aquela caixa de chocolate que vimos no mercado mais cedo?" ou até "Vamos assistir aquela série que todo mundo está falando!". É uma reação do nosso corpo! Você sabe que, no fundo, não consegue deixar de fazer planos, nem que sejam os mais bobos. Sabe que precisa se ocupar com alguma atividade pra não enlouquecer, e isso não é somente uma defesa do seu inconsciente pra tentar disfarçar algum sentimento ruim. Isso é seu corpo querendo viver, querendo que você viva!
Deus nos fez sonhadores!
Existem tantas coisas belas na Criação, tantos mistérios. É quase impossível não ficar instigado a pegar uma carona num foguete para outro planeta depois de olhar um céu estrelado, ou mergulhar na parte mais profunda do oceano depois de ver toda a beleza da diversidade marinha. Temos este traço dentro de nós. Gostamos de atribuir sentido às coisas, de criar laços, de dançar, cantar. Nosso corpo pede por isso! Pede por vida!
Ora, Jesus não nos prometeu que nos daria vida em abundãncia? Ele o faz em cada detalhe!
Sabe aquela cena cotidiana num dia cinzento que te faz abrir um sorriso e pensar que talvez o dia não esteja tão ruim? E aquele momento em que você consegue fugir da rotina, faz algo que te agrada e depois fica com aquela sensação boa no peito de que cuidou de si mesmo?
Claro que nossa alma anseia o dia em que estaremos ao lado do Pai, mas esquecemos que ela está íntimamente conectada a um corpo, o nosso corpo! Todos os nossos sentimentos fazem parte de um complexo sistema que Deus criou para que a felicidade fosse possível enquanto construímos nossa morada eterna. Como eu disse, qualquer época da nossa vida é propícia para correr atrás dos nossos sonhos, dos sonhos de Deus para nós. Se Ele permitiu que construíssemos nossa felicidade aqui na terra, por que não cantar, dançar, correr, saltar, dar a mão para alguém e girar até ficar tonto?
No fim das contas, nossa vida irradia bem mais alegria do que achamos, simplesmente pelas possibilidades. O que nos resta é nos dar conta disto, respirar fundo e sonhar mais uma vez.

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