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Sabe, eu tenho vagas lembranças da minha infância, mas lembro claramente que era um menino agitado e inquieto. Gostava de sair correndo pela casa ou pela rua e conseguia dar muito trabalho pros meus pais e minhas irmãs. De fato, poucas coisas conseguiam me acalmar. Mesmo os brinquedos não conseguiam me parar e até mesmo na missa eu parecia um relâmpago em forma de criança, mas, ainda que eu fosse essa criança agitada, meus momentos de paz vinham numa simples cena todos os dias pela manhã: meu pai ligava o rádio numa estação que tocava músicas sertanejas e eu passava uns bons minutos no seu colo enquanto apreciávamos a presença um do outro.
Eu acho maravilhosa a forma como Deus quis que experimentássemos Seu amor de várias formas neste mundo. Sendo Ele um Deus criador, nos deu o poder de criar vida através dos laços do matrimônio e nos deu a nobre tarefa de acompanhar, educar e cuidar dessa nova vida que formamos. Mesmo o próprio Jesus escolheu ter um pai, São José!
Fui o último filho que meus pais tiveram, logo já não estavam na flor da idade. Não demorou pra que meu pai começasse a ter seus cabelos brancos, suas pernas perdessem a força e, ás vezes, sua fala enrolasse. Os seus interesses mudaram, seu gosto por carros deu lugar ao gosto por séries policiais na televisão e suas caminhadas deram lugar aos cochilos no sofá, mas uma coisa nunca mudou: o seu amor e cuidado por mim e minhas irmãs.
Hoje em dia, e principalmente neste dia dos pais, eu olho bem pras rugas que começaram a se formar no seu rosto, seus olhos meio caídos, seu sorriso e sinto uma certa saudade de quando ele podia me carregar no colo, de quando eu subia nos seus ombros e corríamos por ai. Agora que estou na faculdade, percebo como é difícil a distância dos entes queridos, mas sempre que volto pra casa uma coisa me emociona: o abraço do meu pai. Mesmo não tendo a mesma força, não sendo tão firme como antes, este abraço é uma das coisas que mais me tocam nos meus retornos. Aquele abraço envolvente, aquele sorriso de gratidão por ver seu filho crescendo, são pequenos detalhes que me fazem ter certeza de que não há lugar que nos envolva mais do que nossa casa.
Infelizmente, por mais que sejam nossos heróis, nossos pais também são humanos, filhos de Deus, e ás vezes Ele os chama em momentos que não estamos preparados. Porém, da mesma forma, Deus sempre está nos esperando para nos dar aquele abraço, nos olhar com gratidão e dizer "Bem vindo de volta" mais uma vez. Este abraço pode não nos envolver fisicamente, mas é um abraço que envolve a alma, e eu sei que, ainda que alguns pais não estejam conosco, Deus concede a nós e a eles esta graça do abraço que Ele nos dá.
Jesus triunfou sobre a morte com o amor, o mesmo amor que Deus permitiu que houvesse na nossa família. E é este amor que tem o poder de mudar toda a nossa realidade e nosso coração para que, um dia, todos nos encontremos na morada eterna e que, por graça de Deus, tem a forma de um pai, que pode não ser perfeito, pode não estar tão próximo, mas nos amou inquestionavelmente.
Feliz dia dos pais!

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