''Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente, saiu sangue e água'' Jo 19, 33-34
A divina misericórdia muito me surpreende, mas o que me faz ter mais confiança neste Jesus Misericordioso é a inexistência do egoísmo Nele, bem maior do que uma empatia. O pensar no outro, o dar-se quando nada mais -aparentemente- podia fazer.
Do alto da cruz Ele não podia descer para tocar em um paralíptico para fazê-lo andar, ou falar sobre a esperança, a caridade e a salvação aos pecadores. Porém, ao alto da mesma cruz, Jesus fez no ''pouco'' aquilo que ensinou em todo Seu anúncio; Amar é doar-se. É esquecer da sua dor para pensar na do outro. É transformar dor em misericórdia, afinal, o sangue e água que jorraram Dele (já morto) converteu o mesmo soldado que o transpassou (São Longuinho, sim senhores!).
Mas a misericórdia, diferente do que muitas vezes pensamos, não se restringe a Deus. Ele é misericórdia, a fonte da misericórdia inegavelmente, porém ela nos alcança e é desejo de Deus que levemos a outros, a sermos misericordiosos também.
Olhando a vida dos santos, homens e mulheres como nós, sujeitos ao erro também, vemos que é possível viver esta piedade com a graça de Deus e esforço nosso. Podemos transformar nossas dores em misericórdia. Recordo-me de São Maximiliano Maria Kolbe, que conduzido pelo Amor que vence a morte, se entregou por um pai de família em um campo de concentração, derramando mais do que o próprio sangue em misericórdia, mas o próprio amor. E como tantos outros homens e mulheres, São Maximiliano sabia da sua dor, não a reprimia, mas compreendia que a dor do outro era maior que a sua.
Ouso dizer que misericórdia é um coração miserável, mas que entrega sua miséria a Deus, e acolhe a dor do outro. Esquece que sofre, põe a mão no arado e não olha para atrás, para que apenas a Água Viva e o Amor alcancem ao coração ferido.
Muitas vezes é preciso que lanças transpassem nosso coração para que sangue e água jorrem em corações que estão parando de bater, que não reconhecem a Vida de tanto desespero. É necessário que a dor seja vivida para que a misericórdia alcance a outros.
Deus Misericordioso é como diz aquela música da Comunidade Shalom:
''...Um Deus que aos pequenos se revela...
...Um Deus que faz o cego enxergar
E pode todos os pecados perdoar.
...Deus que se abaixa para o pobre elevar,
Deus que com Sua Mão nos cerca de carinho e proteção.
Deus Fiel,Deus de amor e compaixão,
Deus que caminha lado a lado e nos conduz com Sua Mão.
Deus Fiel,Deus de amor e compaixão,
A Ti rendemos nossa vida em gratidão.
O Deus que tudo pode
O Deus que tudo faz
E por amor tudo é capaz...''
Somos todos chamados a vivenciar este abaixar-se para ser apoio ao que cai. Não só nesse ano da misericórdia, mas que este seja apenas o propulsor da obra de misericórdia que Deus deseja realizar em nós. Aceita o convite?
Deus abençoe!

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