É bem comum que me façam perguntas sobre como é ser consagrada, por que tomei essa decisão, o que muda, etc. Diante disso, decidi escrever esse post para tentar esclarecer algumas coisas segundo meu ponto de vista pessoal. Recomendo fortemente que procurem os artigos do Pe. Paulo Ricardo, Anderson Reis, pe. Rodrigo Maria, etc.
O que é a consagração?
É difícil explicar em poucas palavras algo tão complexo, tão belo. Por isso recomendo que leiam o Tratado da Verdadeira Devoção, de São Luís Maria, que é a base da consagração.
Resumidamente, na consagração você entrega tudo o que você é, o que possuí, suas boas obras, orações, etc., nas mãos da Virgem Maria, a fim de que Ela adorne e entregue ao Seu Filho Jesus. Assim como nas Bodas de Caná que, mesmo antes da Sua hora, Jesus operou o milagre porque Sua Mãe entregou a situação em Suas Mãos. Logo em seguida, Ela diz: "Façam tudo o que Ele vos disser". O que nos mostra que Ela está aqui para nos ajudar, dar seu jeitinho de Mãe, e também nos ordena que o obedeçamos. Maria nos leva a Jesus, e esse é o motivo principal da consagração. Assim como Ele mesmo, na cruz, entregou-a a nós como Mãe, nós a acolhemos e hoje Ela nos entrega a Ele.

Por que você decidiu se consagrar?
Vocês sabem que eu passei alguns anos da minha vida em uma igreja protestante (podem conferir meu testemunho aqui). Pois bem. Quando comecei a frequentar a Igreja novamente, eu possuía muitas dúvidas e, muitas vezes, meu orgulho me impedia de permitir que Deus tocasse mesmo em mim. Nos últimos anos haviam feito uma lavagem cerebral gigantesca em mim e tudo o que me pregavam era o ódio e o repúdio à Mãe do Nosso Senhor. Humilhavam-na, zombavam-na e faziam piadas com a Igreja. Foi em uma vigília mariana, em maio de 2013, que eu tomei a decisão de sair de cima daquele muro. Pedi a Nossa Senhora (embora não acreditasse em Sua intercessão) que me ajudasse a acreditar se fosse mesmo verdade. O meu orgulho, a partir desse dia, foi se quebrando cada vez mais, e comecei a ter um amor inexplicável por Nossa Senhora, o que me aproximou muito de Jesus naquele período crucial na minha conversão. No fim do ano seguinte, depois de alguns meses estudando a consagração, tomei essa decisão. Queria me consagrar no dia de Nossa Senhora de Fátima, mas ainda estava longe e meu coração sentia como se não pudesse esperar. Então minha mãe (que ainda é protestante haha) me entregou meu album de batismo, que há muitos anos eu não via. E aí a surpresa: fui batizada no dia de Nossa Senhora Aparecida. E a consagração, segundo São Luís, é também uma renovação do batismo. Foi aí que eu tive a certeza que era Nossa Senhora Aparecida, e dia 12/10/2014 me consagrei :)
Outros textos sobre minha consagração:
Sobre a minha decisão em ser toda dEla
Instagram, dia 13/maio/2015

Eu sou digno de me consagrar?
Digno nós nunca seremos quando se trata de coisas divinas. Não somos dignos do sacrifício de Cristo por nós, de poder recebê-lo na Eucaristia, de recebermos tantas vezes o Seu perdão pelo sacramento da confissão, e por aí vai. Também não somos dignos de chegar a Ele, e é por esse motivo que, humildemente, recorremos à intercessão de Sua Mãe. Nós somos infinitamente menores que Maria, e Ela, infinitamente menor do que Deus. E é por isso que Ela acaba sendo mais acessível para nós que somos tão pecadores.
Nós não somos dignos de consagrar nossos atos, bens e tudo o que somos a Ela, mas precisamos. Da mesma forma que não somos dignos dos sacramentos, mas onde estaríamos se não fossem por eles? Também a nossa entrega à Virgem, para que Ela nos entregue ao Seu Filho, é um presente de Deus para nós. Não somos dignos, mas através desse presente podemos nos santificar e estar ainda mais perto dEle, o que com certeza agrada Seu Coração.

E se eu não manter o compromisso?
Nada nessa vida é fácil. Deixar o pecado não é fácil, abrir mão de velhos hábitos não é fácil, mas o fazemos por amor. Qualquer aliança que façamos com Deus é um sacrifício por um bem maior. Não adianta pensarmos que não vamos conseguir manter o compromisso e continuarmos no nosso ponto de conforto. Pera aí, gente! É um compromisso de amor, é uma entrega, um benefício. Se não podemos tomar uma decisão com medo de não termos auto domínio, do que adianta continuarmos na Igreja? É preciso coragem, ousadia e persistência. Fácil nada é, mas não adianta colocarmos barreiras no que, talvez, poderia dar muito certo. Não é difícil, a Virgem e Nosso Jesus estão 24h nos ajudando. Basta ouvi-los :)

O que muda após a consagração?
Bom, pelo menos para mim, o amor pela Imaculada aumentou milhões de vezes. Eu fico toda boba quando ouço falar dEla, quando vejo uma imagem em algum lugar, quando me comparam a Ela em alguma coisinha, e por aí vai. Vai sendo criado um amor especial, aquela relação de Mãe e filha mesmo. A procuro para pedir ajuda frequentemente e busco saber qual seria a Sua atitude diante de alguma coisa, assim também como a do Seu Filho, Jesus. A tomamos por exemplo, tentamos obter Suas virtudes e sermos pessoas mais modestas e recatadas (o que é bem difícil haha). Também, ao pecar, parece que a dor é ainda maior. Não é somente aquela dor de magoar Jesus, mas a dor dupla de magoar também a Maria, que ali está ao nosso lado o tempo todo e somos ingratos de seguirmos nossos caprichos. Mas através do verdadeiro arrependimento e do sacramento da Reconciliação, obtemos o perdão de nossos pecados e decidimos, mais uma vez, seguir mais atentamente os exemplos de Nossos Pais. Requer um pouco de esforço, mas este parece quase inexistente diante de tanto amor que nós recebemos.

As perguntas de hoje são essas. Se vocês possuem alguma dúvida (sobre qualquer coisa), podem deixar lá na página que tento responder o mais breve possível.
Fiquem com Deus! <3

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