Depois de algum tempo de silêncio, eu finalmente percebi o óbvio: você não estava mais aqui. Eu tentei mentir para mim mesma diversas vezes dizendo que aquele cheiro de perfume era porque você estava pelas redondezas, e não simplesmente uma confusão do meu cérebro, uma lembrança.
Depois de muito te procurar, eu decidi ir também. Você sabe como as coisas são. Não há sentido em insistir pela sua presença como se isso fosse acabar com a minha vida ou algo do tipo. É claro que não. Ambos sabemos que isso não vai deixar marcas eternas ou dores profundas. E também que não adianta pedir para ficar quem há muito já se foi ou, talvez, nunca esteve. Vai saber.
Eu lutei até onde vi que havia sentido lutar. Arrumei suas gavetas, preparei o seu café e te mostrei aquilo que me machucava. Mas suas palavras bonitas não condiziam com suas atitudes indiferentes, e eu fui começando a cansar, sabe? Existem coisas na vida em que é melhor deixarmos ir antes que machuquem ambos os lados. E eu gosto muito de nós dois para nos machucar assim.
Sempre que eu procurava você pela casa para te contar algo sobre o meu dia percebia que você já havia ido embora de novo. E quando eu não precisava de você, você voltava, sem avisos prévios, só com uma mala que eu nem percebi que havia sumido do armário. Mas chegou uma hora em que eu queria que você estivesse nos momentos em que não estava, sabe? E isso me deixou triste por ora.
Anotei na sua agenda os telefones da minha mãe, minha avó, da casa do meu tio e daquela minha prima que tem a risada engraçada. Fiz questão de te dar os endereços dos lugares em que eu tomava café, almoço, lanche da tarde. A gente podia ter se esbarrado no elevador, na esquina, na lavanderia, naquela floricultura nova que abriu. De mil maneiras que você tinha para me encontrar, você escolheu perder. E de uma coisa eu sei: quem procura, encontra. E foi aí que eu percebi que você não queria me encontrar.
E então eu parei de esperar que você viesse, porque eu sabia que não iria vir. E não tem problema, sério. Tudo na vida tem um começo, um meio e um fim, mesmo que, às vezes, nem tenha tido começo. Eu não o culpo por ter ido embora mesmo tendo prometido ficar. Não o culpo porque já me acostumei com esse ritmo que a vida tem feito mar, que leva e traz, leva e traz. Você acompanhou o movimento das ondas e hoje já está navegando longe. E eu estou aqui, na minha casinha, porque não aprendi a velejar.

13 Comentários

  1. Ai Nathy, seus textos cheios de amor me dão uma saudade daqui ♥ "De mil maneiras que você tinha para me encontrar, você escolheu perder. E de uma coisa eu sei: quem procura, encontra. E foi aí que eu percebi que você não queria me encontrar." Adorei o texto, sério.

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  2. Que texto lindo! Aliás, você escreve muito bem, eu adorei! Amei o blog também, muito amor por aqui hahaha

    Beijos
    Meu Conto de Fada

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  3. "E de uma coisa eu sei: quem procura, encontra. E foi aí que eu percebi que você não queria me encontrar."

    Ai Nath, como amo seus textos! Mas esse, em especial me fez chorar. LINDO DEMAIS! <3

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  4. Só lembrando que esse texto sempre vai ser o melhor! <3

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  5. Só lembrando que esse texto sempre vai ser o melhor! <3

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