Sabe, menina, eu gosto dos teus olhos castanhos. Não há nada demais neles: não se comparam aos olhos azuis da garota loira que cruza o meu caminho na faculdade; mas eles são teus. Sei tudo o que já passou por esses teus olhos, tudo o que teve que suportar. E você nem sempre foi forte, menina. Sei disso também.
Você nunca se importou em se mostrar fraca. Via todas tuas amigas se escondendo atrás de saltos altos diante de decepções amorosas, coisa tão simples, você dizia. E mesmo passando por tanta coisa, você nunca se importou em guardar isso para você, mesmo que às vezes preferisse.

Você não tem o cabelo daqueles das meninas da faculdade, nem o corpo escultural. Seu rosto não possui covinhas, nem seus lábios são grossos como os das meninas que os caras geralmente falam no vestiário. Mas você é você.
Não sei se me entende, menina, mas eu gosto dos teus olhos castanhos. Gosto do jeito que ri, mesmo não sendo engraçadinho como o das meninas mais discretas. Gosto das tuas piadas ruins, do teu jeito esquisito de cruzar as pernas. Gosto de ser desengonçada, de se afundar em livros, de falar mais do que a boca. Gosto do jeito que você é.
É que hoje em dia as pessoas todas tentam ser iguais. Estão seguindo um mesmo exemplo de perfeição, e tudo diferente disso é feio, é errado. Mas eu discordo, menina. Consigo ver beleza onde o resto do mundo pode gritar que não tem, e, às vezes, a pessoa mais bonita do mundo acaba sendo feia para mim. Mas sabe o que mais? Gosto do seu jeito de ser bonita por dentro, menina. De sorrir para crianças na rua e rir dos seus próprios defeitos. Gosto quando tenta ajudar as pessoas mesmo quando não pode, ou quando descubro algo belo que fez, sobre o qual você nunca comentaria com alguém, porque não é boa para ser vista. Você é boa por amor aos outros, e sabe que ninguém mais precisa saber disso.
Você é toda cheia de Deus por dentro, menina, mas nunca faz questão de se mostrar mais forte. Quando esteve fraca, pediu ajuda e se abriu com os outros. E sabe de uma coisa? Eu gostei disso também. Você preza companhias realmente boas, e não esses estereótipos de amigos que espalham pelas ruas. Você tem a cabeça no lugar, mas também erra, também perde o domínio, também acaba magoando as pessoas. Você é totalmente humana, menina. Você não tenta ser melhor do que ninguém, mas gosta de ser você. Enquanto eu... ah, eu gosto é dos teus olhos castanhos.

10 Comentários

  1. Lindo texto! Poético e revelador de uma autoestima que todos precisam buscar. Amar a si mesmo, não tentar ser copia de ninguém, ser autêntico e feliz por isso. Ah, te linkei no meu blog para responder a uma tag. Espero que goste. bjsss www.janelasingular.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada, Ana!
      Eu respondi a tag já, aí marquei que você tinha me indicado, porque tinha respondido por outra pessoa que tinha indicado! Mas muito obrigada messssmo ♥♥ bjsss

      Excluir
  2. ''Gosto das tuas piadas ruins, do teu jeito esquisito de cruzar as pernas. Gosto de ser desengonçada, de se afundar em livros, de falar mais do que a boca. Gosto do jeito que você é.''
    Adoreei o texto Nathy... Hahahaha Parabéns
    http://beatrizconceicao2018.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  3. Eu adorei esse texto, ele é tão lindo quanto os outros! Assim meu coração não aguenta! uheuhe *-* Acho lindo a maneira como você sabe usar as palavras tão bem.
    Um beijo
    http://cirandadeflores.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Que delícia de texto! Me apaixonei.
    Beijos, flor.

    ResponderExcluir
  5. Que texto mais lindo, Nath! Me identifiquei muito com ele. As pessoas costumam sofrer por não terem um padrão de beleza e esquecem que as singularidades é o que as tornam únicas!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada, Dai! ♥ e é verdade, às vezes fazemos isso sem perceber! Eu costumo falar muito, sabe, sou bastante extrovertida, e ás vezes me pego querendo ser mais quieta ou algo assim, só porque "é mais bonito" e tal. Às vezes esquecemos de ser nós mesmos e começamos a seguir muito o exemplo de algumas pessoas, tentando tornar-nos como elas.

      Excluir