"Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei um homem, eliminei as coisas de criança" I Cor 13,11
Lendo isso, muitas vezes acabamos caindo no erro de achar que as coisas puras são exclusivamente de criança. Quando somos pequenos, todo o mundo nos vê - ou deveria ver - como seres puros, sinceros e que estão apenas aprendendo tudo aquilo que vão precisar para seguir a vida. Pois bem. Vivemos esses anos podendo depender de nossos responsáveis, brincando e vendo as coisas da melhor forma possível, porque ainda não sabemos da existência do mal. Mas sempre chega o dia que nós acabamos o descobrindo.
Aos poucos, o que era puro começa a se contaminar. Chegam as preocupações do dia-a-dia, a falta de tempo, as desilusões, o cansaço... e acabamos perdendo aquela forma de ver a vida que costumávamos ter, aquela forma que agradava os olhos de Deus.
Conheço adultos que são imensamente positivos; sorriem sem motivo, veem graça em coisas simples, preservam sua pureza e sabem realmente amar os outros. Mas também conheço pessoas negativas, cansativas, que só sabem xingar, proferir palavras de ódio e rancor, e deixar um rastro negativo seja lá por onde passam.
É extremamente triste ver pessoas que são completamente  infelizes e insistem em fingir felicidade porque possuem a necessidade de provar isso a alguém. Fazem cada vez mais inimigos, enquanto pensam que estão por cima das coisas.
Pessoas que veem o mundo sem esperança, que não veem razão para lutar, para crescer, e adotam a famosa política de "eu sempre fui assim e não vou mudar agora", tendem a ficar justamente frustradas, porque não há razão pra nada, dão passos simplesmente por dar, por falta de opção, sem conseguir ver nenhuma luz no fim do túnel, porque se pudessem, há muito tempo já teriam desistido.
O mundo não cessa de tentar nos engolir. Nascemos com uma grande tendência ao mal, ao pessimismo e essa coisa toda, e se não lutamos por nós mesmos, nossos ideais e crenças, começamos a desistir da vida e condenar-nos a um futuro infeliz que não necessariamente nos pertence.
Devemos ver o mundo aos olhos de uma criança: sempre por baixo, sabendo depender e apreciar as companhias que têm e o que possuem. As crianças não esperam o dia de amanhã, elas querem tudo para agora, e isso nos é inspiração. Eles precisam de nossas cuidados, enquanto precisamos seguir seus exemplos de pureza e alegria.

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