Tenho sempre essa mania desnecessária de esquentar a cabeça quando Deus me pede calma. Tudo bem que a pessoa que eu mais amo esteja doente, ou que metade da minha família não me compreenda e eu seja motivo de desgosto para muitos. Tudo bem que às vezes eu me sinta sozinha, que tenha sido substituída diversas vezes e hoje para meus amigos mais antigos seja motivo de zombaria.

Quando chego no hospital, dou graças a Deus por aquele lugar tão incrível. Há uma cruz entre as folhagens, uma bela e realista cruz. Sento-me ali mesmo, no chão, sem me importar se aquilo irá sujar minhas roupas brancas.
Respiro fundo e fito a cruz. A vontade de subir e abraçá-lo é grande demais, capaz de superar até mesmo o peso de minhas preocupações. E ali está a razão de tudo. Aquela cruz sempre fora a razão de tudo. O que me impulsionava sempre para Ele, o que causava ardor em meu coração e lágrimas nos olhos. Aquele homem ali pregado com os braços abertos, o mesmo homem que me acolhia e me abraçava todos os dias dizendo-me que, no fim, tudo valeria a pena, assim como na cruz valeu a pena cada gota do Seu preciosíssimo sangue.
Nada mais passava pela minha cabeça. Eu só queria ficar ali diante de quem eu amava mais do que tudo, o motivo de eu suportar tudo o que era necessário com a cruz no peito e o rosário na mão. Era por Ele que eu permanecia, porque Ele me sustentava, me ajudava a ver que eu não estava sozinha. Eu nunca estive sozinha. Independente do que fosse acontecer em toda a minha vida, independente dos caminhos que seguiria ou de minhas preocupações, eu nunca estaria sozinha. Nunca.

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