Ela era uma garota bonita, de cabelos castanhos cacheados e um sorriso contagiante. A via uma vez ou outra em algumas missas, e assim pude ir acompanhando seu processo de destruição. Sempre pareceu uma garota firmada em Deus, feliz, com tantos planos pela frente e muito serviço missionário para realizar, mas aos poucos, comecei a ver aquele sorriso se apagando, e encontrá-la nas missas era uma tarefa praticamente impossível.
Um dia ouvi alguns amigos conversando sobre a tal garota e decidi comentar sobre o que estava reparando nos últimos meses, e a explicação que tive me chocou mais do que poderia imaginar. Segundo eles, a menina se apaixonara por uma pessoa que a tratava mal e a incentivava a abandonar belos costumes que prezava, como a castidade e modéstia.
Será que isso seria realmente possível? Aquela menina linda, forte e decidida que observei com os olhos cheios durante tanto tempo estava denegrindo sua imagem e se distanciando de Deus por causa de um amor mundano? Fui incapaz de acreditar. Além do pesar, dois outros sentimentos me incomodavam: o arrependimento e a vontade de ir conversar com a garota. Arrependimento por todas as vezes que a vi sorrindo daquela forma cativante e desejei ir falar com ela.
Quando fui deitar naquela noite, a imagem da menina abandonando a Igreja aos poucos não saía da minha mente. E então decidi tomar uma atitude, com toda minha timidez, e ir conversar com ela. Percebi que nem seu nome eu sabia. Perguntei a um dos meus amigos e me passou seu perfil no facebook. Já era um começo.
Ela se chamava Clarisse. Um nome meigo para uma garota meiga. Suas fotos atuais eram bonitas, mas suas vestimentas se baseavam em shorts e vestidos curtos, tomando o lugar dos longos vestidos e saias modestas. Reparei que ela postava diversas fotos e mensagens carinhosas para o rapaz, mas ele mal respondia, muito menos retribuía o gesto. O que queria dizer para ela, na verdade, era: "você é linda! Pare de mendigar o amor desse cara". Mas, no meu discernimento, escrevi:
Olá, Clarisse. Tudo bem? Não sei se me conhece, mas várias vezes te vi em nossa paróquia e ultimamente reparei que está meio sumida, e pelo o que vejo, você parece ter mudado coisas que sempre admirei em você. Eu e mais algumas outras pessoas estamos preocupados. Desculpa me meter em sua vida, mas não conseguiria dormir sem te dizer isso.
Clarisse visualizou minha mensagem cinco minutos depois de eu tê-la enviado, mas sua resposta veio depois de dois ou três dias. Ela já havia me visto nas missas também, e disse que seus olhos encheram-se de lágrimas quando viu minha mensagem. Começamos a conversar cada vez mais, e aos poucos fui entendendo a situação de Clarisse, ou Clare, como comecei a chamá-la ao passar dos meses. Um dia me vi obrigado a parar de ouvi-la e explicar que não era assim. Se Deus havia se feito homem e morrido numa cruz por amor a ela, por qual motivo deixaria Ele de lado por causa de um amor menor?
Um dia o tal rapaz encontrou uma garota que, segundo ele, era melhor. Clare sabia, e veio a me dizer isso depois, que ele só havia terminado porque ela começou a voltar a ser como era antes, e obviamente ele não queria viver a castidade. Fomos nos tornando cada vez mais próximos, e sem dúvida Clare se tornou minha melhor amiga. Tínhamos liberdade para conversar sobre tudo. Íamos às missas juntos e seu guarda-roupa voltou a ser formado por saias e vestidos longos. Via Nossa Senhora em seu olhar, e o sorriso cativante começou a voltar a seus lábios.
Faz dois anos que descobri o nome de Clarisse, e há quase um estamos juntos. Hoje ela é a minha Maria, com toda sua pureza e modéstia, eu sou seu José, e ambos somos plenamente felizes em Deus.

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