Eu estava atravessando calmamente a avenida. Há pouco havia voltado da casa de uma amiga e não via a hora de descansar. Foi quando o carro veio, sem que eu percebesse e em altíssima velocidade. Recuei sem pensar duas vezes, e aqueles que estavam perto de mim gritavam xingamentos ao motorista, que já estava longe dali.
Não fora nada demais, graças a Deus, mas aquilo já me foi motivo de secar as ligeiras lágrimas quando sentei no banco ao lado da janela do ônibus. E se, por menos de um segundo, aquele carro tivesse batido em mim? Qual teria sido a história da minha vida que as pessoas contariam? Como seria a vida das pessoas que eu amava? O que eu teria deixado pro mundo?
Foi então que eu acordei para a vida. O que eu estava fazendo pelas pessoas? Eu podia realmente ter morrido naquele instante, enquanto ia à Igreja e calculava as matérias que teria no dia seguinte na escola, prometendo a mim mesma que quando passasse a semana de provas rezaria mais. Mas o dia seguinte nunca chegaria, muito menos a semana de provas. Então tudo o que parecia ser minha maior preocupação, seria inútil, e o importante passaria a ser somente aquilo que deixei de bom.
Eu não sei o que acontecerá comigo na próxima vez que sair na rua ou até mesmo se conseguirei terminar esse texto, mas sei que eu quero fazer algo incrível da minha vida e, principalmente, aos outros. Não quero viver para mim. Muitas vezes tenho pensamentos como "depois da semana de provas rezarei mais", ou "amanhã terminarei de ler a Bíblia, estou cansada", mas sequer sei se vou acordar no dia seguinte. O que posso estar esperando para cumprir minha missão? Quantas pessoas podem estar precisando de mim agora?

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