Eu conheci o amor da minha vida, certo dia, certa hora, em tal lugar. Percebi que sempre estivera ao meu lado, independente de se eu sabia de sua existência ou não. Apaixonei-me imediatamente. Por que não o conheci antes? Eu só queria mais daquele amor.
Mas o tempo foi passando e eu comecei a me distanciar. Ele sempre permaneceu ao meu lado, me ouvindo quando precisava, segurando minha mão nos momentos difíceis, me ajudando a crescer. E eu fui me distanciando cada vez mais.
As pessoas que já se relacionaram com ele diziam que não precisavam mais dele, que eu era careta por amá-lo, que eu estava desperdiçando minha vida ao seu lado. E, mesmo depois de tudo o que ele fez por mim, eu optei por terminar.
Comecei a viver minha vida de solteira, fazer tudo o que eu queria, jogar minha decência e pureza na lata de lixo mais próxima. Eu não queria nem ouvir seu nome, apesar de não ter feito nada de mal por mim, pelo contrário. Mas eu estava cega; o mundo me cegara.
Raptaram-me do meu amado, enfiaram coisas em minha cabeça e me machucaram. Colocaram coisas que eu achava que queria à minha frente e eu tentava agarrá-las, ao passo que aproveitavam disso para esbofetear-me, rasgar minhas vestes, jogar-me no chão. Aquele mal todo me sujou, marcou o mais profundo do meu coração e foi me entristecendo.
Percebi, então, que a felicidade que eu queria, estava buscando no lugar errado. Eu queria ser legal como todas aquelas pessoas populares, bonitas, desejadas. Mas, no fim, o que isso importaria? Eu era muito mais feliz com aquele amor puro, doce, sem interesses, que me ajudava a ser melhor, não a cair.
E então, eu voltei. Apesar de toda minha sujeira, apesar de tê-lo traído, rejeitado, dispensado todo seu amor, eu voltei. Voltei apesar do meu orgulho, apesar do medo de ser rejeitada pela primeira vez; eu voltei.
Ele teria toda a razão para me dispensar, me mandar ir embora e sair de seu caminho. Mas, em vez disso, ao me ver, correu ao meu encontro com um enorme sorriso no rosto. Eu não entendi. Preferia que gritasse comigo e me fizesse sentir a culpa dos meus erros. Mas, em vez disso, me acolheu em seus braços e disse que sentiu minha falta. Ele me chamou de filha, e eu o chamei de Pai.

Um Comentário

  1. Fico admirado com o uso sensacional que você faz das figuras de linguagem, em especial metáforas e comparações. Falar do amor de Deus através de palavras é tocante mas com recursos que tornem essas palavras mais profundas, melhor ainda. Que este Pai maravilhoso te inspire a sempre descrever o amor que emana da Cruz.

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