Esses dias eu relembrei uma conversa que tive com um amigo meu (eu tenho essa mania de lembrar de conversar aleatórias do nada), na qual ele falava que tinha parado de beber (ele não bebia, o álcool bebia ele) e a principal razão disso era o início do seu namoro. QUÊ?! Nossa, bem ''Zezinho vai com a Maria, né?''. Nem tanto.
Fiquei me questionando até que ponto as pessoas mudam quando começam um relacionamento com alguém, até que ponto isso é ruim e até que ponto estamos dispostos. Eu percebo que uma das maiores dificuldades do ser humano hoje em dia é em relação às mudanças, desde coisas simples às mais complexas: nós temos dificuldades para mudar nossos hábitos alimentares, nossos estilos de vida, nossas rotas, nossos pensamentos e, principalmente, nosso ''eu''.
Eu não digo que você deva se adequar a todos, ao querer comum, mas compreender que ser você, viver a autenticidade exige maturidade. Maturidade principalmente de medir, de ouvir e saber discernir quem são as pessoas que te amam e até onde o querer delas não se resume somente em um ''querer'', mas em um ''esforço meu para ser melhor para você e você ser melhor para si''.
Voltando ao meu amigo: A questão não era ele beber. Era ele não compreender que aquele excesso fazia mal a ele. Isso poderia acarretar problemas no relacionamento dele com a namorada? Talvez sim, mas principalmente para ele. E quando digo que o amor nos torna melhores não é somente ao abandono de bebidas etc.
O amor me faz melhor quando eu sei que, mesmo estando certa, aquilo que fiz feriu quem eu amo e então, por querer estar com aquela pessoa, eu busco consertar não de todos os modos, mas do modo perfeito. Todos os modos podem feri-la mais.
O amor me faz melhor quando eu entendo que ali não é uma coisa que vai passar na minha vida e eu na dela. Tudo que eu faça deixará marcas, então preciso ter responsabilidade.
O amor me faz melhor porque supera os meus limites. Onde eu acho que minha paciência só vai até um certo ponto. O meu demonstrar não pode se expor. O amor supera tudo isso. O amor me faz melhor porque eu me torno grato por tudo isso que o outro me ajuda a ser.
E a pergunta final: Até que ponto estamos dispostos? Até o ponto decisivo de amar. Não é fácil ser melhor, mas vale a pena.
Deixo a poesia do querido Nando Reis, nos ajudando a compreender mais essa aventura que é o amor.
Pelo amor e com o Amor. Paz e bem!
''Cada um de nós
Tem o seu próprio jeito de ser
Mas tudo que foi feito
Só fizemos juntos
Porque você ouviu a minha
E eu, a sua voz
Tudo que dissemos
Sempre teve efeito mas sobra
Um ou outro aspecto
E o inverso do direito
É a busca do desejo sem culpa...
...Cada um de nós tem um enorme respeito e após
Todo esse tempo
Que estivemos juntos
Você lutou por mim, e eu por você
Tudo que enfrentamos
Sempre demos um jeito tão nosso
É isso que eu adoro''

As vezes é difícil sorrir, né? Não é simples olhar para as pessoas e dizer que tudo está bem quando não está. Tem dias que a gente precisa encontrar forças para aguentar, e a gente vai acumulando força mas sempre precisamos de mais, já percebeu? Parece que os nossos aprendizados, nossa resiliência, as lições que assimilamos com as nossas cicatrizes nunca são o suficiente e estamos em constante processo de não ser o bastante para as nossas expectativas e para as dos outros.
Muitas vezes nos angustiamos porque, por mais cinza que o dia esteja, ele continua sendo um dia da nossa vida. 24 horas da nossa existência que devem ser vividas invariavelmente e a gente não está nem aí pra isso. As coisas podem não parecer muito animadoras, mas o que podemos fazer em relação a isso?
Sabe, grandes mudanças não acontecem quando existe tranquilidade. É aquela velha história de que o barco a vela não anda na calmaria. Lembra do que acontece com a Moana quando ela pede ajuda pro oceano e vem a tempestade? Eu sei que não é fácil aguentar as angústias pelas quais passamos, que, muitas vezes, a gente se sente desimportante, desnecessário, sozinhos e que nossa vida é uma tempestade tão grande que ficamos completamente perdidos. Tem uma música de uma banda que eu gosto muito que começa falando "Viva outro dia, vá um pouco mais alto. Ache outra razão para ficar" e isso é exatamente o que eu faço, muitas vezes a única coisa que eu posso fazer.
O que eu quero dizer é que a gente vai se sentir perdido no turbilhão, mas aguenta! Uma hora a tempestade cessa e você vê onde foi parar. Uma hora a gente chega em algum lugar e, muitas vezes, pode ser exatamente onde precisávamos ir! É preciso que haja desordem para que as coisas fiquem em ordem, que haja caos para que fiquem em paz, e que haja a tristeza para que encontremos a felicidade. Lembra daquele texto que falei sobre a escuridão? É exatamente isso! Às vezes precisamos ser envolvidos pela escuridão para ver de onde vem a luz, e a tristeza serve para enxergarmos nossos erros, nossos defeitos, enfim, nossa humanidade.
Se estivermos sempre bem e felizes, teremos a ilusão de que nada precisa ser consertado e nunca vamos permitir que Deus trabalhe em nós.
Não estou pedindo que você esqueça tudo que está te deixando pra baixo e fique feliz como bobo. Não! Isso não é saudável. Eu desconfio de pessoas que dizem estar bem de uma hora para outra porque sentimentos não somem de uma hora para outra. Eles demoram para desaparecer, eles vão desbotando, e nesse meio tempo ficam queimando, ardendo, algumas vezes machucando dentro da gente e precisamos respeitar isso. Precisamos aceitar e respeitar as coisas que a vida nos proporciona, caso contrário estaríamos nos fingindo de mortos. Assim como um personagem de um livro famoso disse, a dor precisa ser sentida. Não é sempre que teremos ânimo, e nesses casos só peço que aguente mais um pouquinho, ache mais uma razão para continuar, pois ao amanhecer vem a alegria. Citando outro artista que gosto muito, é sempre mais escuro antes do amanhecer.

Você já viveu a sensação de descobrir que estava com sede apenas após beber o primeiro gole d’água? Tranquilamente passando perto de um bebedouro, você decide molhar a garganta com um pequeno volume de água, e, quando começa a bebê-la, percebe o quanto você estava precisando daquilo, o quanto a sua boca estava seca. E você continua bebendo água, e não se sente saciado! Quantas vezes nós bebemos copos e mais copos de água, sem que a sede nos abandone?

Assim é, também, parte da nossa relação com Jesus. 
Não raro nós passamos rapidamente em frente à nossa Bíblia, olhando-a com certo desinteresse — desinteresse é a palavra, senão preguiça; não devemos minimizar as falhas da nossa relação com a Palavra. Não raro nós estamos matando, literalmente matando, um tempo na internet, no Facebook, no Instagram (vendo as histórias dos nossos amigos no Snapgram), enquanto poderíamos estar fazendo uma oração, uma reflexão, um momento espiritual com Cristo. Não raro abdicamos de compromissos com a Igreja, por estarmos... dormindo.
E, então, no meio de mais uma onda de descaso com as coisas do Alto, lembramos de ouvir o trecho daquela música que, certa vez, tocou o nosso coração; passamos em frente à Bíblia e decidimos abrir em um versículo qualquer, apenas para ler; acordamos no meio da madrugada, sem sono, e decidimos fazer uma breve oração, apenas para conseguir adormecer mais rápido. E é justamente nesses momentos, tão rápidos, que Deus nos mostra o quanto nós estamos precisando de muito mais que uma simples “pílula de fé”. 
Ele colocou em nós o desejo pela eternidade, o desejo de estar com Ele, o desejo de procurá-Lo. Isso significa que não importa o quanto você ache que consegue se sustentar com “pílulas”, cedo ou tarde você precisará de doses altas de Jesus injetadas na sua veia; temos abstinência de Cristo, sabia? Às vezes, nós nem estamos sentindo toda essa falta, mas o fato de nós não a sentirmos não faz com que ela exista menos; por isso, ao sermos pegos nessas ‘armadilhas do bem’, percebemos o quanto estávamos precisando daquele susto, daquela emoção, daquele indício: “é verdade, Ele sempre está aqui”.
Nada é em vão, quando advém do Pai. Nenhum chamado é gratuito, nenhuma “vontade” é casual, nenhum ímpeto que você sinta será oriundo de você mesmo, pois toda convocação é feita por Ele — ainda que breve, ainda que aparentemente despretensiosa. Tudo, tudo que é bom, faz bem e frutifica advém d’Ele, sempre d’Ele.
Deus não é um remédio para dores de cabeça, que você só toma quando sente um “incômodo”, ou quando “acha que deve”. Deus é Aquele para quem você vive; e a sua vida não pode ser esporádica.