Deus?
Desculpa incomodar, mas acho que essa é mais uma daquelas noites.
Eu achei que as coisas ficariam bem dessa vez, mas olha só, parece que não foi bem assim. É frustrante ter que, vez após vez, tentar construir algo a partir dos entulhos da minha vida e ver, pouco a pouco, cada estrutura ruindo sem que eu ao menos saiba o porquê. É como se a rigidez e a coesão da estrutura não fizessem a menor diferença já que o simples fato de ter sido construído por mim fizesse com que cada ligação apodrecesse com o passar dos dias.
Sabe, às vezes é difícil estar dentro de mim mesmo. É como se eu fosse uma galeria de decepções e arrependimentos acumulados ao longo da minha vida que se apresentam de forma gritante, como se estivessem esfregando na minha cara as incapacidades que eu tive ao decorrer da minha história. É como se eu caminhasse descalço em cacos de vidro. Eu sei que preciso chegar a um lugar limpo, mas tenho medo que o próximo passo machuque mais ainda meus pés.
Essa insegurança me persegue todos os dias e permeia grande parte das minhas decisões, até porque o medo de adicionar uma peça à galeria é maior do que a vontade de sair e tentar fazer algo que possa me fazer algum bem. É paralisante ter essa angústia como mediadora das minhas escolhas. Ela invade meus sonhos e direciona meus desejos, e, com o tempo, eu vou deixando de tê-los como tentativa de aliviar a dor.
Ah, meu Pai, isso se tornou tão íntimo a ponto de eu ter dificuldade com meus sentimentos. Sinto um coração morto aqui dentro, incapaz de sentir, livre de qualquer tipo de vitalidade. Dentre todos, me sinto o menor, mas não no sentido de humildade, mas no de me sentir o menos merecedor, o menos importante. De certa forma, acabo não me importando tanto comigo mesmo, aceito calado cada dor que sinto, não por obediência, mas por achar que o que me cabe é o sofrimento. Qualquer demonstração de afeto me atinge e emociona profundamente porque eu já esqueci como é me sentir querido, com o coração acalentado.
Se Você olhar para dentro de mim só encontrará miséria e desolação. Minhas entranhas sangram um sangue que corrói, que distorce. Sinto que essas feridas nunca vão sarar. Sinto que estou afundando no meu próprio oceano de decepções, como se alguém estivesse me segurando pelas costas e me levasse para baixo. A pressão vai ficando maior a cada centímetro, e a luz fica mais escassa conforme me aproximo das profundezas.
Mas eu sei que o Senhor é o Deus que me faz caminhar pelas águas nas quais eu me afundo. Confio em ti e na tua mão que chega e me ajuda a enfrentar a maré. Me mostra que, por mais assustadora que ela seja, foge de medo ao ouvir o seu nome. E é por isso que eu repito: Jesus, me devolve à superfície. Jesus, me deixa segurar tua mão e, assim, caminhar contigo nessas águas impetuosas. Eu não consigo me manter, mas acredito no seu braço forte que me sustenta na minha fraqueza. Nesse momento que tanto preciso de ti, eu te peço, Jesus: vem me resgatar. Não porque eu mereço, mas porque tu podes, e eu confio em ti.

Talvez já seja meio óbvio que gosto de Os Arrais. A espiritualidade sincera que os irmãos Tiago e André Arrais trazem por meio da música é tão simples e clara que se torna rica por fazer com que muitos se reconheçam e encontrem respostas (confirmações até) de suas orações. E eu me incluo nesse grupo de pessoas que se identificam nas letras/orações da dupla.
O mais recente álbum dos dois não desaponta no quesito ''me encontrei''. Fazia um tempinho que eu já me sentia um pouco órfã de ouvir algo novo vindo deles, mas valeu a pena a espera. ''Rastros e Trilhas'' é a transformação deste meus anos de fé, encontro, desencontro, esperança (e até a ausência dela) com Cristo. A sequência ordinária do álbum se encaixa perfeitamente com muitas sequências da nossa própria vida, não somente a cristã, mas o todo em si.
O álbum se inicia com ''Deserto'' e particularmente isso só me fez recordar dos momentos de aridez que vivi. A aridez espiritual de querer estar com o Pai e não poder. O vazio, a solidão de nada poder lhe preencher e andar quilômetros em busca de água, esperança, de um novo e só encontrar a areia, a secura e o silêncio. Mas é pelo silêncio que somos chamados pelo Pai, como a samaritana. Enfim, depois de muito caminhar, encontramos naquela hora vazia um poço. Aquele momento, aquele lugar, onde ninguém deveria estar, Ele está. ''Ele é'' é o Senhor indo ao nosso encontro, nos tirando do deserto dos nossos corações. Enxergando além das nossas limitações, nos mostrando que somos mais do que as brechas criadas pelas marretadas que a vida deu. O Senhor oferece aquilo que Ele é. Ele sacia a sede de água e de amor porque Ele é água viva. A mesma água que nos tira do deserto não permite que voltemos ao estado original de areais. Ele é aquele que transforma deserto em jardim. Jardim aonde a paz habita, paz jamais vivida que me faz questionar de onde vem a paz?
Com Ele encontramos oásis, em meio ao deserto.
Como já dito anteriormente me encontrei nos desertos, mas me surpreendi em descobrir o que Ele é e naquilo que Ele pode transformar. Eu sou o deserto que Deus tem o constante trabalho de transformar em jardim. Trabalho exaustivo, mas onde vou enxergando Seu amor. O mais bonito é terminar de ouvir este álbum e ter a confirmação da minha vocação.
Recomendo como ouvinte, mas principalmente pela experiência proporcionada. Longe de ser fã. Próxima de se encontrar como irmã.
''O Senhor te guiará constantemente, Ele te alimentará no árido deserto, renovará teu vigor. Serás como um jardim bem irrigado, como uma fonte de águas inesgotáveis.'' Is 58,11

Pesquisei no dicionário o que significa gratidão e apareceu que é o reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.
Isso acontece muitas vezes de forma natural. É o motorista do ônibus que espera você chegar ao ponto, é a tia da cantina que te deseja um bom dia ou até mesmo sua mãe que prepara suas coisas para quando você está atrasado.
Não é tão difícil também fazer algo para o outro, e nós como cristãos temos como objetivo de vida sempre ajudar o próximo com a nossa vida. Então seja na compra de um lanche para um morador de rua, seja no sorriso para algum colega de classe que ninguém gosta, seja no “pode deixar que eu faço isso”, já são gestos de beneficio e auxilio, favor que geram a gratidão naqueles que os recebe.
Mas a gratidão não é só um ato ou sentimento, a gratidão, a meu ver, é a mistura das duas coisas. Um coração que é grato, sempre quer dar mais, um coração agradecido sempre quer dar tudo. Um coração onde se brilha a gratidão brilha-se também o Cristo Ressuscitado.
Afinal, como não ser grata? Como não agradecer dia após dia pelo sopro da vida que o Criador fez em nós? Como não agradecer pelos detalhes do dia a dia que passa pelos nossos olhos como um raio, mas que por Deus foi feitos com todo o cuidado?!
A primeira e maior gratidão que precisa nascer em nós, é a gratidão a Deus. O primeiro obrigado do nosso dia deve ser destinado ao Pai, porque como eu disse como não agradecer? A gratidão caminha junto do amor, são amigas, irmãs, parceira. É impossível não amar aquilo que somos gratos. Por isso que naquele dia que o motorista te esperou no ponto de ônibus apareceu em você um afeto por ele, e esse afeto se chama amor.
É dessa mesma forma que agimos com Deus, amamos aquele que tudo nos dá. Amamos aquele que Se dá por amor. Caminhamos para amar também aquilo que Ele nos “tira”. , é um caminho de aprendizado, amar e agradecer a Cruz, afinal, não existe Cruz sem Ressurreição, e não existe ressurreição sem cruz.
Seja grato! Ame! Depois desse amor/gratidão que nasce em nós tudo muda! Aquele alimento que você pagou para o morador de rua não será apenas para matar a fome dele, mas será para trasbordar nele o amor/gratidão que vive em você!
Eu sou grata a Deus pela minha criação, sou grata pela minha família, amigos, estudos, trabalho. Sou grata a Deus pela Santa Igreja Católica, pelo meu carisma, pelo 48Janeiros.  Sou grata a Deus pelo Seu amor que se enraizou nas profundezas do meu coração, por sua misericórdia que dia após dias não se cansa de renovar-se nas minhas misérias. Sou grata a este Deus que se faz presente, dando-me como presente um profundo amor/gratidão a Ele e ao próximo.

E você? Pelo que é grato?