Estamos no mês das vocações. Cada domingo do mês de agosto é dedicado a uma vocação; o segundo é família. Daremos o destaque inicial para essa vocação, pois tudo parte da família e ao mesmo tempo tudo se dirige à família. Nesse texto daremos continuação ao da semana passada sobre catequese, visando o papel da família.
As famílias são chamadas a se comprometerem, a partir do ambiente familiar, com o mesmo projeto. Ao responderem sim a Deus, fazem uma aliança não somente com seus membros, mas com toda a humanidade, vista como a grande família de Deus. Assim, a vocação comporta sempre uma missão que se realiza na especificidade das relações familiares (cuidado e educação dos filhos), eclesiais (cuidado pastoral e evangelização de outras famílias) e sociais (solidariedade, promoção do bem comum e transformação das estruturas sociais injustas, cuidado com o meio ambiente), como ensinam os bispos no Relatório Final do Sínodo dos Bispos sobre a Família (n. 93).
Quando tocamos na problemática familiar na educação cristã dos filhos isso nos remete à catequese. A educação dos filhos hoje virou problema pra qualquer um resolver menos a família. Ser pai, mãe ou responsável ganhou a função de exigir a qualquer um a ter a responsabilidade e obrigação de assegurar o conhecimento para os seus. E na catequese surgem crianças e jovens nas turmas sem se quer saber uma oração ou o simples e necessário sinal da cruz. Bases familiares religiosas não são mais vistas como principio básico e necessário nas famílias e isso é preocupante e triste. Falar de vocações é também questionar. A quem se sente chamado, uma reflexão: Dentro da minha vocação, estou disposto a aceitar ser tudo por Deus e para Deus?
Para os jovens de hoje a vocação familiar é a "mais aceita", já que o sacerdócio está cada vez mais distante das escolhas atuais. Mas mesmo parecendo ser óbvio que um dia vão se casar e ter filhos, o sacramento do matrimonio virou função última, virou uma "aposentadoria". Vou explicar melhor: Ter uma família hoje depende, na visão de muitos, de como a vida será vivida.  Os filhos vêm por último, depois de ter os estudos concluídos, depois da estabilidade financeira, depois de conhecer vários países, depois de conhecer e se envolver com diversas pessoas. Casamento hoje é última instância e quando mais nada tiver a ser feito, é então que se pensa em "descansar" e desfrutar das conquistas com um "exemplo de família bem sucedida e feliz".
"O desejo da família permanece vivo nas jovens gerações." (Padres Sinodais) 
Engana-se quem pensa que apenas a vocação sacerdotal e consagrada que nos pede tudo para Deus. Engano seu pensar que basta, apenas, ter uma celebração na Igreja para ser um casamento abençoado e santo. A vocação é sim diário. É renuncia diária e doação, percas, sacrifício diários por toda a vida. 
Sempre achei fascinante como em alguns encontros familiares os casais de apresentam como:
- Eu sou o João da Ana.
- Eu sou a Ana do João.
Um é do outro. Isso só é possível quando ambos olham para a mesma direção, quando ambos sabem de quem e para quem o seu matrimonio deve ser direcionado. Casar é fácil, ter um marido é fácil, dizer que sua vocação é a família só porque tem medo de não saber entregar a vida como os padres e freiras dedicam, é mais fácil ainda. Mas esse texto com problemáticas brevemente apresentadas quer te dizer que, antes de qualquer outra vocação, vem a família. Depois de toda vocação, é para família que elas são dirigidas. Um padre que e assessor da pastoral familiar da minha diocese, ao ser questionado por mim sobre o que pra ele é a vocação familiar, me disse:
"A vocação familiar é um chamado a participar no projeto sonhado por Deus - unitivo e procriativo." (Pe. Wagner Jose)
Esse padre, assim como tantos outros padres assessores, é um sacerdote que trabalha com as famílias, e mesmo que não seja sua vocação, o seu sacerdócio o leva para a vocação familiar. Como chamado de Deus, não podemos "levá-la com a barriga"; deixar a educação dos filhos pro estado ou criá-los na frente do celular. Precisamos zelar por esse presente de Deus e não nos esquecer que as almas dos que habitam em casa é minha responsabilidade.
Papa Francisco presenteou todos com uma Exortação apostólica pós-sinodal que deveria ser a leitura preferida de todas as famílias. AMORIS LAETITIA ao falar sobre o amor na família nos exorta a repensar não apenas isso tratado aqui nesse texto, mas todas as nossas perspectivavas diárias. Todo mês de agosto após o domingo dedicado aos pais e à vocação familiar, é realizado em nossas paróquias a "Semana da Família". Um evento precioso para refletir e rezar em família. Te convido a procurar se há algum evento semelhante na sua comunidade e participar.
Rezemos sempre por nossas famílias, seja qual for nossa vocação. E se a sua for familiar, peço que repense não a sua vocação, mas o objetivo dela. Não espere muito do outro ou do que vocês já conquistaram solteiros, e sim do motivo maior de fazer parte de um sonho sonhado por Deus. Que a família nunca seja motivo de fuga ou de procura por uma fácil vocação porque ela não é. A família é lar inicial das vocações e ja sabemos que um bom filho sempre retorna para casa.
Que a Santíssima Trindade derrame sobre você, a sua família e todas as famílias do mundo as graças e conversões necessárias para uma Iniciação Cristã e uma vivência orante da Palavra.
Faça com que esse mês vocacional seja de ações concretas em sua vida e na vida da comunidade.
Salve Maria!

Os caminhos da Igreja no Brasil assinalam o mês de agosto com uma nobre particularidade. A temática vocacional recebe forte acentuação: sacerdotais, familiares, leiga etc. Abrir o mês vocacional com esse tema é desafiador porem necessário; é na juventude que as vocações "gritam", é na catequese que muitas brotam. Mas pode ser também que aconteça depois e isso não é algo que está sobre o nosso controle, mas sim do Espirito Santo.
A catequese luta há anos para que todo e qualquer efeito que remeta ao espaço escolar deixe de ser utilizado em nossas catequeses, e isso destruiu e agravou muitas situações ao longo dos anos. São muitas mudanças a serem feitas. Muitas mesmo. Começa pelas famílias, passa pela inclusão, pelo comprometimento com a comunidade, por uma maior atenção por parte dos padres, por investimentos em recursos, por espaço adequado, por coordenações efetivas, por uma formação adequada dos catequistas... 
Você certamente já escutou a frase "depois da Crisma os jovens somem da Igreja", e talvez você seja ou já tenha sido esse jovem que após receber o sacramento, virou "católico de IBGE". É bem comum, infelizmente, essa realidade em nossa Igreja. Perdeu-se a importância do sacramento e de quebra se tornou uma obrigação chata a ser cumprida. Eu não sei onde você mora, mas aqui a exemplo de tantos outros lugares, a Crisma tem o período de 2 anos, o que muito assustou no inicio mas que ao meu ver é uma oportunidade grande para evangelização. Tem muitos preocupados com o depois da Crisma, mas o que tem sido feito de "interessante" durante o período que esses jovens estão no processo crismal? Porque se for pra passar 2 anos de encontros semanais dentro de salinhas fechadas com luz artificial e obrigados a irem a missa porque senão "não irão crismar", lamento muito informar mas isso faz qualquer um que não tenha forte base espiritual, não querer mais voltar. Tem muita catequese que assusta as pessoas. Não estou falando de catequeses mais doutrinárias, não, mas catequeses cheias de achismos. Se o jovem fica 2 anos na catequese por que então não proporcionar a ele os 2 anos de iniciação a vida cristã? Por que o resultado se tornou mais importante que os primeiros passos? O que vai acontecer depois da Crisma não pode ser a principal preocupação. Trabalhar com o hoje! Ofertar o que temos de melhor. Mostrar o que a Igreja é e a importância dos leigos e leigas. Porque mesmo se um jovem se afastar depois de receber o sacramento, se a semente do processo tiver sido bem plantada e regada, em um dado momento da sua vida, ele retornará.
Em o Pequeno Príncipe, Antoine diz: "É o tempo que dedicastes à tua rosa que a fez tão importante". É disso o que estou falando. É claro que há realidades diferentes e que a teoria nos dias de encontro são primordiais. É necessário falar e ensinar o que a Igreja diz, mas também é importante proporcionar experiencias que os façam entender o que é ser comunidade a viver experiências que façam desses meses na catequese algo bom, algo do coração de Deus. Trabalhar a vida dos santos é sem dúvida uma ótima maneira de mostrar a possibilidade da Santidade para todos.
Papa Francisco em uma conversa direcionada aos catequistas, disse:
"Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha à sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas Nele. Eu os encorajo a serem alegres mensageiros, custódios do bem e da beleza que resplandecem na vida fiel do discípulo missionário".
Tem muito catequista por aí que diz: "minha turma é desmotivada". Mas de quem é a tarefa de motivá-los mesmo? Sua! É mais fácil reclamar, se acostumar com o "não tem mais jeito" e se acomodar, mas não foi para isso que fomos chamados.
"Não é possível derramar mais água numa taça já cheia; assim também Deus não pode verter as suas graças numa alma cheia de distrações e frivolidades". (São Maximiliano Maria Kolbe)
É exatamente aí que a catequese entra no "esvaziar das taças". Não tem nada a ver com a experiência ou não de uma catequista, do padre ou de quem for. É questão de amor pelo que faz e amor por Quem nos fez. Jovens chegam cheios de vontades, questionamentos e bagagens frágeis próprias da idade. Uma catequese não pode querer que todos da mesma turma sejam iguais. Uma catequese precisa aprender a ouví-los e trabalhar com as suas particularidades e peculiaridades. Tem muito o que ser esvaziado e só será possível um resultado pós-crisma se o tempo for suficiente para que se sintam parte importante na vida em comunidade. 
Sei que muito que acompanham o blog não são catequistas e talvez nem sejam catequizandos, mas se preocupar com a catequese é missão de todos. Tem algo que você pode fazer pela catequese de sua comunidade, tenho certeza que tem! Como eu disse no inicio do texto: é na catequese que muitas das vocações brotam. É mês das vocações e o mês do amor doado, repensar a forma como fazemos catequese é importante. Abra o mês das vocações com um questionamento para você: como anda a sua comunidade? Como você tem contribuído para as vocações? S se deseja saber por onde começar eu digo: comece pela catequese! Seja ela batismal, eucarística, crismal... Precisamos de você!  
Salve Maria!

Quando falamos sobre relacionamentos, existem dezenas de aspectos que nem sempre abordamos. Desde a infância, sabemos que estamos como que "predestinados" a conhecer alguém, nos apaixonarmos e, eventualmente, passarmos a vida ao lado desse alguém. Assim, tomamos como exemplo os filmes que vemos na TV, o relacionamento de amigos e familiares próximos - principalmente o dos nossos pais, os casais dos contos de fadas que lemos e por aí vai... Alguns recebem bons exemplos para levar para a vida, enquanto outros, no entanto, enchem-se de medos, expectativas irreais e bloqueios afetivos.
Por muito tempo considerei a vocação religiosa mesmo sentindo-me chamada ao matrimônio e à família, simplesmente por não entender que a vocação matrimonial forma, sim, santos. Sendo usada por garotos desde nova e não tendo nenhuma boa referência de relacionamento por perto, acreditei firmemente que as pessoas que se casam dificilmente chegam ao céu, visto que a castidade é tão difícil e a vida a dois tão conturbada. Entretanto, ao atingir maior maturidade espiritual, enxerguei o quão distorcida era a minha visão e como a vida conseguiu me enganar por tanto tempo. Explicarei.
A primeira coisa que me foi revelada é que, morando em um convento ou sendo um padre amado, é mais fácil receber reconhecimento das pessoas próximas e indicação ao processo de canonização do que os esposos, considerados "pessoas comuns". No entanto, isso não significa que estes também não chegam à vida eterna; somente não são tão conhecidos.
Aos poucos, também, me aprofundei na vida de pais como São Luís e Santa Zélia Martin, pais de Santa Teresinha, e Enrico e Aurélia Galgani, pais de Santa Gema Galgani. Com eles aprendi a enxergar o valor daquele que está em casa, cuidando dos afazeres e das pequenas vidas confiadas por Deus, e transmitindo aos pequenos o bem mais precioso que é a fé. Entendi o quão minha história hoje seria diferente se pudesse ter tido ao meu lado pais santos como esses - não deixando de louvar a Deus pelos maravilhosos pais que tive. Ao comentar com meu namorado este pensamento, ele me disse: "Você pode ainda ser a Santa Zélia Martin de seus filhos", e entendi que tudo o que Deus me permitiu experienciar é graça, e tudo me leva à esposa e mãe que um dia serei.
Ao ler sobre as meninas Teresinha e Gema, notei o quão agraciadas ambas foram por terem nascido na família em que nasceram. Há uma razão para que as meninas sejam santas desde a infância: a criação. Desde novinhas, receberam dos pais uma fé e amor por Jesus muito grandes, capazes de consumi-las e sempre as guardarem no caminho da santidade. Mães e pais amorosos e testemunhas de Cristo que fizeram, também, com que suas filhas fossem santas. Podes imaginar como seriam essas meninas se houvessem nascido em famílias desestruturadas e consumidas pelo pecado?
Neste dia, quero lembrar-te que a tua primeira vocação é a santidade. E, se fores viver a vocação matrimonial, que tenha em mente que a vocação bem vivida pode gerar esposos e filhos santos, ao mesmo passo que se nos deixarmos levar por sentimentos carnais e não conseguirmos colocar o bom Deus em primeiro lugar, em vez da santidade, atrairemos destruição. Me perguntam muito qual o segredo para manter a castidade no namoro, e digo sempre que amem a Jesus. Que amem a Jesus até entenderem o quão vazia é a vida sem ele. Que amem a Jesus até que o coração doa por machucá-lo. E que, também, amem a pessoa que foi confiada a você, a ponto de não querer usar de seu corpo, mas cuidar de sua alma para que ambos possam chegar juntos ao céu.
Tomem cuidado com aqueles que são bons, mas não amam a Deus antes de te amarem - tomem cuidado ao confundir carência com amor, dependência de Deus com dependência do outro. Ninguém preencherá as lacunas que se encontram vazias em seu coração senão Ele. Não existe a pessoa perfeita e sem defeitos que os contos de fadas pregam, mas existem as pessoas que confiam seu coração ao Senhor e que lutarão, também, para te levar ao céu. Não acreditem que há jeito de mudar alguém que não quer ser mudado, não aceitem amor imaturo e não sejam um ponto onde as pessoas param para curar suas próprias feridas. Entregue sua vida ao Senhor e tenha certeza de que ele trará aquele que dividirá a vida com você. Quem ficará para os momentos bons e ruins, para o terço em família e a missa aos domingos. Não aceite menos do que o ele sonhou para você. Permita-se ser amado, mas que o bom Deus seja sempre amado primeiro.