Quando falamos sobre relacionamentos, existem dezenas de aspectos que nem sempre abordamos. Desde a infância, sabemos que estamos como que "predestinados" a conhecer alguém, nos apaixonarmos e, eventualmente, passarmos a vida ao lado desse alguém. Assim, tomamos como exemplo os filmes que vemos na TV, o relacionamento de amigos e familiares próximos - principalmente o dos nossos pais, os casais dos contos de fadas que lemos e por aí vai... Alguns recebem bons exemplos para levar para a vida, enquanto outros, no entanto, enchem-se de medos, expectativas irreais e bloqueios afetivos.
Por muito tempo considerei a vocação religiosa mesmo sentindo-me chamada ao matrimônio e à família, simplesmente por não entender que a vocação matrimonial forma, sim, santos. Sendo usada por garotos desde nova e não tendo nenhuma boa referência de relacionamento por perto, acreditei firmemente que as pessoas que se casam dificilmente chegam ao céu, visto que a castidade é tão difícil e a vida a dois tão conturbada. Entretanto, ao atingir maior maturidade espiritual, enxerguei o quão distorcida era a minha visão e como a vida conseguiu me enganar por tanto tempo. Explicarei.
A primeira coisa que me foi revelada é que, morando em um convento ou sendo um padre amado, é mais fácil receber reconhecimento das pessoas próximas e indicação ao processo de canonização do que os esposos, considerados "pessoas comuns". No entanto, isso não significa que estes também não chegam à vida eterna; somente não são tão conhecidos.
Aos poucos, também, me aprofundei na vida de pais como São Luís e Santa Zélia Martin, pais de Santa Teresinha, e Enrico e Aurélia Galgani, pais de Santa Gema Galgani. Com eles aprendi a enxergar o valor daquele que está em casa, cuidando dos afazeres e das pequenas vidas confiadas por Deus, e transmitindo aos pequenos o bem mais precioso que é a fé. Entendi o quão minha história hoje seria diferente se pudesse ter tido ao meu lado pais santos como esses - não deixando de louvar a Deus pelos maravilhosos pais que tive. Ao comentar com meu namorado este pensamento, ele me disse: "Você pode ainda ser a Santa Zélia Martin de seus filhos", e entendi que tudo o que Deus me permitiu experienciar é graça, e tudo me leva à esposa e mãe que um dia serei.
Ao ler sobre as meninas Teresinha e Gema, notei o quão agraciadas ambas foram por terem nascido na família em que nasceram. Há uma razão para que as meninas sejam santas desde a infância: a criação. Desde novinhas, receberam dos pais uma fé e amor por Jesus muito grandes, capazes de consumi-las e sempre as guardarem no caminho da santidade. Mães e pais amorosos e testemunhas de Cristo que fizeram, também, com que suas filhas fossem santas. Podes imaginar como seriam essas meninas se houvessem nascido em famílias desestruturadas e consumidas pelo pecado?
Neste dia, quero lembrar-te que a tua primeira vocação é a santidade. E, se fores viver a vocação matrimonial, que tenha em mente que a vocação bem vivida pode gerar esposos e filhos santos, ao mesmo passo que se nos deixarmos levar por sentimentos carnais e não conseguirmos colocar o bom Deus em primeiro lugar, em vez da santidade, atrairemos destruição. Me perguntam muito qual o segredo para manter a castidade no namoro, e digo sempre que amem a Jesus. Que amem a Jesus até entenderem o quão vazia é a vida sem ele. Que amem a Jesus até que o coração doa por machucá-lo. E que, também, amem a pessoa que foi confiada a você, a ponto de não querer usar de seu corpo, mas cuidar de sua alma para que ambos possam chegar juntos ao céu.
Tomem cuidado com aqueles que são bons, mas não amam a Deus antes de te amarem - tomem cuidado ao confundir carência com amor, dependência de Deus com dependência do outro. Ninguém preencherá as lacunas que se encontram vazias em seu coração senão Ele. Não existe a pessoa perfeita e sem defeitos que os contos de fadas pregam, mas existem as pessoas que confiam seu coração ao Senhor e que lutarão, também, para te levar ao céu. Não acreditem que há jeito de mudar alguém que não quer ser mudado, não aceitem amor imaturo e não sejam um ponto onde as pessoas param para curar suas próprias feridas. Entregue sua vida ao Senhor e tenha certeza de que ele trará aquele que dividirá a vida com você. Quem ficará para os momentos bons e ruins, para o terço em família e a missa aos domingos. Não aceite menos do que o ele sonhou para você. Permita-se ser amado, mas que o bom Deus seja sempre amado primeiro.

Dificilmente você já não tenha ouvido falar dessa palavra. Reciprocidade em significado e definição é o ato de dar e receber, por isso, no amor, a reciprocidade significa que o amor é correspondido. Na amizade é essencial a reciprocidade ser uma característica; as pessoa precisam serem capazes de retribuir os sentimentos em relação a outras pessoas, assim como devem ser capazes de demonstrar através de ações e não só palavras. Mas em tempos de WhatsApp, reciprocidade passou a significar o tempo em segundos e minutos que uma pessoa leva para responder sua conversa sinalizada pelos dois tracinhos azuis. Se aquela pessoa não te responder, automaticamente sua mente projeta neuras suficientes para despertar em você o maior sentimento de rejeição da historia mundial (Parece exagero, não é? Mas é exatamente o que fazemos). Particularmente eu sou dos anos 90', bem o inicio da tecnologia, dos primeiros celulares, mas também sou de cidade do interior de Minas Gerais, minha infância e adolescência se diferem e muito das atuais. Mas em juventude fui conquistada e me rendi aos encantos tecnológicos e à facilidade das conversas instantâneas; tudo em minha vida passou a ser no tempo que eu queria que fosse, se não, era motivo suficiente para eu repensar no lugar que aquilo ou aquele ocupava em minha vida. Parece que a tecnologia me fez esquecer que eu fui da geração de conversar horas na calçada. De ter que andar até a casa de um amigo e de em diversas vezes me deparar com ele sem muita vontade de conversar, ou até mesmo com o aviso de que não estaria em casa devido a outros afazeres. Me parece que me processo de amnesia começou quando passei a igualar as pessoas e seus tempos com os meus. A criar a certeza que se eu posso conversar nessa hora o outro também não só pode, como deve. Por quê? Porque eu quero. E essa tem sido a justificativa que me acompanha desde 2013 quando conheci essa fantástica e ao mesmo tempo destrutiva ferramenta, melhor dizendo: esse aplicativo. Foi então que a medida de reciprocidade passou a ser a visualização e o tempo para respostas mesmo que as frases anteriores nem tenham sido perguntas.
Devo fazer a observação que esse texto nada tem a ver com as pessoas que já deixaram bem claro que a outra não possui um minuto das suas 24 horas, e nem sobre pessoas que insistem em bombardear a janela da conversa com carências por atenção. Mas quando se diz carência, aí sim faz parte do contexto aqui abordado, visto que muitas das incompreensões de tempos são causadas pela minha, pela sua, pela nossa tão constante carência afetiva. Ela que tão pequena, quando bem alimentada, se torna destruidora de sentimentos e relações. Cuidar de si para evitar carências é passo importantíssimo até mesmo na área espiritual. Há quem não consiga rezar ou viver uma intimidade com o amor de Deus por pura carência, por necessidade de saciar-se com gestos, ações, palavras e toque de cunho humano. E ao falar sobre carência também se torna necessário falar sobre paciência. Vale até contar uma historia de um Santo que passará a ser seu padroeiro nessa situação, São Cipriano.
São Cipriano era considerado impaciente; percebeu isso e passou muitos anos da sua vida se dedicando à obra intitulada  “A Vantagem da Paciência". Nessa obra ele dá conselhos que se baseiam no autocontrole, na paz de espírito, na devoção, nos entes queridos e na gentileza. Se você também acha impossível usar isso no WhatsApp, passe a incluir São Cipriano em suas orações. A carência a impaciência e a urgência nos tornaram pessoas que necessitam de rapidez. Passamos a querer tudo rápido e rápido também se tornou a nossa "facilidade" em formular conclusões sobre as pessoas. Ex.: Esse me ama porque me reponde rápido, esse não me ama porque que só me responde depois.
Mas Deus não falha. Como diz Santa Faustina: "Aceito tudo que me advier, porque sei que tudo isso me é oferecido pela amorosa vontade de Deus, que sinceramente deseja a minha felicidade." (D. 1549). Nos últimos tempos Ele tem cruzado o meu caminho com o de pessoas dispostas a me ensinar que não há obrigação nenhuma em me responder no tempo que quero, e/ou só porque quero, e que essas pessoas não deixam de me querer bem por isso. Me ensinam que a minha disponibilidade não equivale a do outro e que mesmo em meio às minhas carências, há melhores atividades de ocupação do que "bombardear as janelas" de conversas de Wpp daqueles que possuem meu interesse.  Pessoas essas que trazem de forma sutil e simples a necessidade de retornar à compreensão do verdadeiro significado da palavra reciprocidade. 
E quando se fala em tempo é bem comum nos lembramos de Eclesiastes 3: há tempo para tudo, até mesmo para uma resposta no WhatsApp. Esse texto é para que você reflita onde você está baseando suas relações e também o significado que tem dado para os sentimentos. Não é justo e nem cristão basear classificações em impaciência e carência. Compreender o outro e o seu tempo é desafio de todas as gerações. Sempre haverá dificuldades, mas sempre é necessário a pausa e a reflexão. Você não é vitima da indiferença do outro, você só não percebeu que suas atividades não são as mesmas, nem em horários e nem em prioridades iguais. Ficar azul pode significar lido, mas não significará nunca resposta na hora que te convém. A ferramenta é útil e boa, mas o seu próximo sempre será muito mais do que a sua ansiedade pode classificar. Lembre-se que você se rotula em construção porque então não enxerga a construção do outro? Não permita nunca que um aplicativo interfira na visão de amor que Deus deseja que você tenha com o outro, e não deixe que essa geração de rapidez defina a forma com que você entende o amor. Ele sempre será o amor citado na Bíblia: paciente, bondoso... Você, eles e eu seremos sempre muito mais que uma tecnologia possa querer mostrar.
Seja paciente com seus contatos e mais ainda com você.
Salve Maria!

Um pobre porém nobre homem estava noivo de uma bela e virtuosa jovem mulher. Antes do casamento, sua noiva ficou grávida. Mas ela era – e permaneceria – virgem durante toda a sua vida. Esse homem honrou seu compromisso e se casou com ela mesmo assim. Os vizinhos, sem duvidas, cochichavam. O bebê chegou longe de casa, num lugar frio e perigoso, sem amigos e família presentes para celebrar seu nascimento. Ele fugiu com Sua família em busca de segurança para uma terra distante, protegendo sua esposa e cuidando de seu Filho adotivo até o fim de sua vida.

Esse homem disse “sim” a algo simples e belo: a vida vivida ao lado de uma boa mulher. E esse compromisso feito diante de Deus virou sua vida de cabeça para baixo. Ele reafirmou seu “sim” a cada passo ao longo do caminho, e hoje toda a Igreja o honra.

São José, santo patrono das nossas famílias e da nossa Igreja, rogai por nós.


Lições de São José

Como São José, nós podemos nos comprometer a algo e de repente descobrir que aquilo se transformou em mais do que previmos. Quando essas mudanças são acompanhadas pelo sofrimento, é natural questionar onde Deus estava naquele compromisso inicial ou quando foi que demos o passo errado.

Era essa a carreira ideal? Era ele o homem certo a se casar? Deveria eu ter tido todas essas crianças? E como São José, nós podemos não ver o fim da história da perspectiva do céu. Nós podemos nunca ter uma prova concreta de que o nosso sofrimento não foi em vão. Sua vida, entretanto, nos consola através dessas incertezas. Através do exemplo de São José, nós encontramos diversos modos de superar a tentação da dúvida e do desespero.

Humildade em oração

São José manteve um humilde e receptivo relacionamento com Deus Pai. Quando se deparava com decisões difíceis que não possuíam uma resposta moral, ele era capaz de ouvir e responder à voz de Deus. Quando nós já estamos decididos num curso de ações, mesmo que seja bom, pode ser difícil para o Senhor guiar nossos corações para outro lugar. Um coração verdadeiro e dócil dá a Deus a oportunidade de nos fazer santos e de colocar fogo no mundo.

Na sua vida de oração, você almeja ouvir e obedecer a vontade do Pai que está acima de todas as coisas?

Do amor ao meu próprio conforto e do medo da morte, livrai-me, Senhor.

Humildade no nome

São José permitiu seu bom nome a ser mal entendido e muito possivelmente ridicularizado por uma comunidade que ele amava. Ele honrou os pedidos de Deus apesar das ameaças à sua reputação. Ele literalmente deixou sua identidade aos olhos de Deus antes de aos olhos do mundo. Se livrou da necessidade de ser entendido e aceitado. Quando os limites que colocamos nas nossas decisões e ações desaparecem, damos a Deus verdadeira liberdade para dirigir nossas vidas.

Quando tomando decisões, você busca agradar a Deus antes de agradar aos outros?


Da necessidade de ser entendido e da necessidade de ser aceito, livra-me, Senhor.

Colocando os outros primeiro
Se São José tivesse pensado em seu próprio bem quando soube da gravidez de Maria, provavelmente teria a deixado. Quando fugiu de sua terra natal, ele em si não estava em perigo; fugiu para proteger Jesus. As ligações duras que fez e os desafios que suportou em consequência foram para o bem de outros. A narrativa de hoje nos leva a acreditar que servir aos outros dessa madeira dispendiosa diminui nossa liberdade e inibe nosso potencial. O exemplo do Pai Adotivo de Jesus nos diz outra coisa.

Quando o bem do outro nos demanda sacrifícios pessoais, você responde com caridade?

Do medo de servir os outros, livrai-me, Senhor.

São José ensina-nos a não termos medo

São José foi unicamente abençoado em vida a descansar aos pés de Jesus. Através do seu exemplo e intercessão, nós podemos deitar as nossas vidas aos pés de Jesus como ele fez. Se cada compromisso e tudo o que ele implica é feito com o conselho de Jesus e um coração humilde que busca conhecê-lo, amá-lo e servi-lo, podemos avançar na fé, confiando em Deus para manter a nós e às nossas decisões perto dele e daquilo que é bom para nós.

Glorioso São José, esposo da Virgem Imaculada, obtenha para mim uma mente pura, humilde e caridosa, e uma perfeita resignação à vontade divina. Seja meu guia, meu pai e meu modelo pela vida, para que eu possa ter a honra de morrer como vós morrestes: nos braços de Jesus e Maria. Amém.

Texto original por Blessed is She. Tradução 48janeiros.